Hogwarts, Nossa História...
Revelando os Perpétuos...
Sinfinitus!!!!
Sinfinitus!!! Nossa Marca, Nossa Magia...
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Ano 2 - Hogwarts e o Retorno do Amigo - Parte 1
_ Talles, você vai se atrasar!
_ Já estou pronto, mãe.
_ Então vamos logo, não vamos perder o horário do trem de Hogwarts.
_ Oi, pai.
_ Olá, Maria Eduarda. Vamos, vou te levar até a estação, e dessa vez você vai à escola pelo Expresso de Hogwarts. E... É hora de voltar ao trabalho.
_ Vamos, Vinicius, tenho que passar em alguns lugares antes de chegar à estação.
_ Tudo bem, pai.
_ Minha menina indo para o segundo ano, como sou orgulhosa de você.
_ Pois é, mãe, segundo ano. Estou ansiosa!
_ Você está crescendo, Raissa. Vamos para a estação?
_ Vamos!
_ Filha, o Hagrid está aqui. Ele veio te buscar!
_ Uau, ele veio de moto de novo! Olá, Hagrid!
_ Olá, Sabrina. Dessa vez vou te levar a estação e você vai conhecer o Expresso de Hogwarts.
_ Leslie, está pronta para voltar a Hogwarts?
_ Estou sim, mãe. E muito ansiosa também.
_ Ótimo! Então vamos, vou levar você pelo menos até a entrada de King’s Cross. Seu pai está esperando no carro.
_ Vê se não se mete em mais confusão com o Ministério, Sophia.
_ Pode deixar, pai, prometo que me comporto esse ano.
_ Então me dê um abraço bem forte, e vamos para a estação.
_ Sentirei sua falta.
_ Eu sei, Shiori, mas acalme-se, quando acabar sua rotina em Hogwarts, nos casaremos.
_ Eu sei. Mas por mim, já não voltava esse ano para aquela escola.
...
_ Chegamos cedo.
_ Antes chegarmos cedo, do que atrasados, Talles. Algum de seus amigos já chegou?
_ Olha ali, o Vini.
_ Ah... O Scarefrow...
_ E aí, Vini!
_ E aí, tudo bem?
_ Tudo sim.
_ Vinícius, aproveitarei que está acompanhado e já vou indo, tenho coisas a fazer.
_ Tudo bem, pai, fico por aqui com o Talles.
_ Não se meta em encrenca, garoto, e... Boa sorte!
_ Obrigado, pai.
_ Até mais. Até mais Talles, Senhora Graunt.
_ Até mais. _ Respondeu a Senhora Graunt, séria.
_ Vamos ver se alguém mais chegou, Talles?
_ Vamos sim.
Ao longe, não dava pra confundir quem chegava à estação. Com muitas malas desequilibradas no carrinho, uma gaiola pendurada e quase sem força para carregar tudo, Sophia vinha aos tropeções.
_ Sophia, quer ajuda? _ Talles se oferecia aos risos, que a menina retribuiu.
_ Ah, quero sim. Juro que um dia vou chegar normalmente nessa estação.
_ Eu te ajudo também. _ Vini se ofereceu.
_ Obrigada, Vini. Ah, olha a Raissa e a mãe dela.
Raissa vinha com suas vestes impecáveis, com seu carrinho organizado e um sorriso escancarado.
_ Oi, gente!
_ Oi, Rá. _ Sophia logo deu um abraço na amiga.
_ Olá, crianças.
_ Olá, Senhora Camblie, como vai?
_ Estou ótima, Talles, e já de saída.
_ Já vai, mãe?
_ Sim, filha, estou com o tempo muito corrido e seu pai está me esperando.
_ Tudo bem, mãe.
_ Tenha um ótimo ano, eu te amo muito!
_ Também te amo, mãe. _ Raissa deu um beijo em sua mãe _ Tchau!
Shiori chegou sozinha a estação, quase junto Leslie, que se aproximava correndo das crianças. A loirinha cumprimentou todos com um forte abraço, e não se conteve quando viu os cabelos de Shiori, que estavam com a frente mais comprida, e as pontas vermelhas.
_ Nossa! Seu cabelo está... Incrivel!
Shiori com sua modéstia respondeu:
_ É, eu sei que está.
Madu e Crowing chegaram a estação, que nesse momento já estava cheia de crianças com suas gaiolas e malões por todos os lados.
_ Vá com eles, Madu, te encontro dentro do trem.
_ Tudo bem, pai.
Todos conversavam e guardavam seus malões, quando um barulho estrondoso e ensurdecedor chamou a atenção de toda a estação. Parecia um motor muito barulhento, e que causou um grande impacto no trilo, logo a frente do trem. Todos os olhares direcionavam ao som, quando notaram que era Hagrid em sua moto, e numa cabine acoplada em sua lateral, estava Sabrina, que nesse momento já estava corada ao notar que todos a olhavam.
A menina desceu da moto e foi até as crianças, que a receberam com calorosos cumprimentos.
Todos subiram a bordo do Expresso de Hogwarts, e compraram feijõezinhos de todos os sabores e varinhas de alcaçuz, que eram vendidos pelo avô de Raissa. A princípio a viagem estava animada, mas a longa viagem já estava entediando algumas das crianças, que já se encontravam cochilando, ou simplesmente quietas sentadas em suas cabines.
Uma águia imensa começou a voar lado a lado com o trem, e isso chamou a atenção de todos, principalmente de Talles, Raissa, Vinicius e Shiori. Raissa então abriu a janela da cabine onde as crianças viajavam juntas e gritou:
_ Você está bem?
Vini também foi à janela e chamou a águia:
_ Senhor das Águias!
A imensa águia então se direcionou a janela de onde as crianças gritavam, e pousou no batente. Assim que pousou, o enorme animal começou a se transformar num homem, deixando penas espalhadas por toda a cabine.
_ Olá!
_ Olá, Senhor das Águias, tudo bem? _ Respondeu Raissa.
_ Desculpe, mas de onde eu a conheço?
_ Não me conhece?
_ Vocês me são familiares. _ Ele observava a todos _ Mas não sei de onde os conheço. A não ser você, Shiori, como vai o seu pai?
_ Está ótimo.
_ Mas então, de onde me conhecem?
Talles gaguejava enquanto explicava:
_ É... A Shiori nos falou... De você... Que trabalha no Ministério com o pai dela, não é?
_ É sim. _ Shiori concordou.
O Senhor das Águias então, olhou desconfiado para as crianças, novamente se transformou em águia e voou janela afora. As crianças se entreolharam, e seguiram a viagem em silêncio.
Chegando a Hogwarts, as crianças foram até algumas carruagens, que os direcionariam até os portões da escola. As carruagens eram simples, e aparentemente nada as levava, eram guiadas por magia. Leslie foi na carruagem da frente, e Talles, Sophia, Raissa, Madu, Vini, Sabrina e Shiori foram na de trás.
As aparências enganam e Shiori e Sabrina demonstraram ver o que puxava a carruagem. Shiori ficou encantada, enquanto Sabrina se mostrou amedrontada e subiu na carruagem sem nada questionar. Shiori se aproximava de algo, enquanto todos os outros se questionavam sobre sua reação.
_ Shiori, vamos? _ Raissa estava desconfiada.
_ Ah, vamos. Mas antes, vê como ele é lindo?
_ Lindo?
_ É.
_ Do que você está falando, Shiori?
_ Eu não sei o que é ele, mas é incrível!
_ Ele quem?
_ Não vêem?
_ Não.
_ É uma pena.
_ Não tem nada aí, Shiori.
_ Claro que tem.
Sabrina então interrompeu:
_ Tem sim, Raissa.
_ O que, Sabrina.
_ É um tipo de... Cavalo. Mas com asas... Meio esquelético. Ele dá medo.
_ Mas é manso, Sabrina. _ Shiori ainda se encantava com o bicho. _ Dócil.
Talles estão desceu da carruagem e duvidou das meninas.
_ Não tem nada aí, vocês estão é doidas!
Foi então em direção ao que Shiori olhava e deu um cutucão para frente, a fim de mostrar que nada havia ali, porém, ao cutucar, sentiu que ali havia algo.
_ Nossa! Tem alguma coisa invisível mesmo, Raissa.
Vinicius foi também tocar e sentiu o bicho.
_ Tem mesmo!
_ Eu acho que sei o que é. É um testrálio. _ Raissa puxou na memória que sabia do que se tratava. _ E vocês, Sabrina e Shiori, conseguem vê-lo devido a já terem visto a morte.
Sabrina se espantou:
_ Como assim?
_ Isso mesmo, só é capaz de vê-los quem já viu a morte.
Todas as crianças subiram na carroça e foram até a entrada principal de Hogwarts.
Logo que chegaram a Hogwarts, Madu chamou o primo Talles de canto, pois queria conversar com ele. Enquanto tirava de seu bolso um pequeno pacote de pano amarrado, dizia a Talles:
_ Eu tenho um presente para você. _ Jogou o pacote para o primo. _ Tome, pegue.
Talles estava curioso e já foi logo abrindo o pacote. _ Obrigado! _ E ao ver que acabara de ganhar um pomo de ouro egípcio, não se conteve ao dar um abraço em Madu.
_ Cara, valeu! Valeu mesmo! Ele é demais!
_ Eu estive no Egito nessas férias, e resolvi então comprá-lo para você quando o vi na loja.
_ Eu adorei! Muito obrigado mesmo!
_ Por nada.
Tudo Aconteceu dentro dos conformes, Raissa tímida ao ver César, que como sempre estava sempre cercado de garotas, Talles encantado pelo sorriso de Leslie e a grande falta do amigo Phellip. As crianças mantinham a rotina de estudos, até que um dia em uma conversa, tiveram uma grande idéia.
_ É fato que não somos um grupo qualquer.
_ Verdade, Talles, já notei que não estamos aqui à toa.
_ Então, Raissa, e se a gente criasse um grupo?
_ Um grupo?
_ É mesmo, Rá. _ Interrompeu Vini _ A gente cria um grupo e em sei lá quantos anos vamos ser lembrados.
_ Será que isso é seguro?
Sophia, Sabrina, Madu e Shiori foram se aproximando deles e prestando atenção na idéia.
Vini respondeu:
_ Claro que é. A gente cria um nome e mais pra frente lembrarão a época do nosso grupo. Vamos virar lenda.
_ Mas como saberão do nosso nome?
_ Inventamos um símbolo, Sophia. _ Sabrina se empolgava. _ Quando fizermos algo, registramos nosso símbolo, logo saberão que passamos por ali.
_ Já imaginou? _ Questionou Madu _ Nós marcarmos esse símbolo por onde passarmos, ou por onde fizermos algo, e daqui a vários anos, outros alunos daqui se perguntarem que símbolo lendário era aquele.
_ Iria ser incrível!
_ E como vai se chamar?
Todos se entreolharam, quando Shiori quebrou o silêncio:
_ Que tal “Os Perpétuos”?
Todos os outros aprovaram a idéia da amiga, que foi complementada por Sophia:
_ Como símbolo, pode ser o símbolo do infinito. Ele, além de condizer com o nome, mostraria que nós somos para sempre.
_ Ótimo! _ Todos concordaram.
Raissa então fez uma proposta:
_ Gente, e se convidarmos a Leslie? Afinal, ela está sempre com a gente.
As crianças concordaram, a logo a menina apareceu. Talles notou que a menina não apareceu por coincidência, muito curiosa, ela já estava escondida os observando de longe.
_ Leslie, _ Se prontificou Talles. _ Queremos te fazer um convite, e acho que você já sabe do que se trata.
A menina ficou feliz e deu um forte abraço em Talles.
Talles então olhou para os lados:
_ Gente, por que não terminamos esse assunto lá no quarto? Aqui pode aparecer alguém.
_ Ótima idéia. _ Concordou Raissa.
Somente Sophia preferiu não ir, preferiu ao quarto das meninas, pois tinha um trabalho atrasado para terminar.
Todos, exceto Sophia, se encaminharam ao quarto dos meninos, afinal, lá sabiam que teriam mais privacidade para conversar sobre o assunto sem que outras pessoas ouvissem.
O assunto era empolgante, e todos imaginavam e se divertiam muito pensando nos Perpétuos, até que Shiori mudou sua expressão, e ficou séria de repente.
_ Shiori? Está acontecendo algo? _ Leslie parecia intrigada.
_ Não sei explicar. O Raku está me dizendo que... Tem alguém aqui no quarto, nos observando.
_ E ele sabe quem é?
_ Não, ele não sabe. E também não consegue saber a intenção. É como se fosse um espírito, ou um fantasma, não sei ao certo. Mas ele está naquela direção _ Shiori apontou um canto no alto no quarto, e todos olharam naquela direção com caras desconfiadas.
_ Será que não é um dos fantasmas das casas? _ Interrogou Vini.
_ Acho que não. _ Shiori ainda estava concentrada em Raku _ Se fosse um deles, nós veríamos, assim como o Pirraça.
As crianças conversavam meio tensas, e agora com entrelinhas, por saber que quem os observava, ainda estava por ali, até que tudo foi interrompido por um grito, que se tão alto, foi ouvido de longe. O grito era conhecido, sabiam que aquele grito era da Sophia, e todos correram. Os meninos ficaram no Salão Comunal aguardando noticias, enquanto todas as meninas correram para o quarto feminino, a fim de saber o que estaria acontecendo a Sophia.
_ Sophia, o que aconteceu com você?
_ O Pirraça, Sabrina, ele veio para cima de mim.
_ Como assim?
_ Eu tive uma visão, outra visão, e no meio dessa visão o Pirraça apareceu.
Sophia tremia, e as meninas a acompanharam até o Salão Comunal, onde junto aos outros, tomou um copo de água e continuou a contar o ocorrido.
_ Eu não sei explicar ao certo, mas eu enxergava coisas, como se fosse pelos olhos de outra pessoa, como se eu fosse a pessoa, sabe.
_ E você conseguiu ver quem era essa pessoa? _ Raissa se mostrava tensa.
_ Não, eu não consegui ver o rosto, por estar nos olhos dela. Mas sei que vi coisas diferentes. Primeiro, eu estava no canto do quarto dos meninos, vendo vocês conversarem, e o Raku me olhava. Ele me olhava com uma expressão muito desconfiada, e parecia bravo, até que todos vocês me olhavam. Mas, eu estava feliz ali, feliz por ver vocês. De repente, eu me vi em outra pessoa. Na verdade, não sei se era outra pessoa, ou se era a mesma pessoa em outro lugar, mas de uma hora para outra, eu estava em Azkaban. Lá era frio e triste. A sensação que tive, é que toda a felicidade do mundo havia se acabado. De repente, uma criatura grande, de capa preta, veio em minha direção. Quando mais aquela criatura se aproximava de mim, eu tinha mais medo, mas... Não sei, quando ela chegou bem perto, eu fiz algo estranho... É como se eu tivesse me alimentado dele. Eu o peguei com a mão e me alimentei dele.
Madu prestava atenção em Sophia quando perguntou:
_ Mas como eram suas mãos?
_ Eu consegui ver minhas mãos. Eu era um homem, velho, com as mãos bem enrugadas. Eu tinha barba e longos cabelos brancos.
Talles tinha a voz trêmula, quando tentou deduzir quem poderia ser.
_ Será que não é o meu avô?
Todos olharam atentos para Talles.
_ Meu avô, o Kassuphel, está preso em Azkaban já há alguns anos. Ele foi preso por apoiar Malguz.
Sophia continuou:
_ Eu acordei de tudo isso, com o Pirraça voando com tudo na minha direção.
No dia seguinte, as crianças ainda estavam impressionadas com o que aconteceu na noite passada, e foram então falar com a Professora Luna, de Adivinhações. Talvez ela conseguisse interpretar aquela visão.
_ É fato, Sophia, que essa visão foi real, afinal, você viu algo que realmente estava acontecendo no quarto dos meninos. O que pode ter acontecido, é que a pessoa a qual você viu pode ter notado que você estava dentro de sua cabeça, portanto, ela pode ter manipulado a visão e fez você acreditar que ela pode ter se alimentado dessa criatura. Apesar das evidências, estamos lidando com algo ou alguém que não sabemos quem pode ser, então, fique atenta e evite ficar sozinha. E conte comigo para o que precisar.
_ Obrigada, professora!
_ Por nada, querida!
Em meados dos próximos dias, as crianças que liam o Profeta Diário todos os dias, leram a seguinte notícia:
“Hogwarts segura para as aulas!
Mais um ano se inicia na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. A brisa do outono carrega ainda um are de complicadas histórias do ano passado.
Os centauros estão numa briga enraivecida com o Ministério. Eles alegam ter perdido quase todo o seu território para o Ministério, que por sua vez alega estar investigando o caso. Ainda não há nenhum parecer sobre este caso tanto por parte do Ministério quanto por parte de alguns Comensais da Morte que foram presos na noite em que os centauros foram atacados.
Quando a isso, temos alguns pareceres não esclarecidos, tais como:
O que os Comensais queriam?
Por que atacaram os centauros?
Houve vitimas?
Boatos dizem que os centauros foram atacados por bruxos, mas te agora não se sabe a identidade desses bruxos e nem se essa informação é verídica.
Sabemos somente que devido aos Aurores do Ministério, ocorreu uma prisão em massa de Comensais, trabalho esse executado com grande eficiência.
O Profeta Diário deixa através deste um obrigado ao Ministério da Magia, que estão fazendo um ótimo trabalho ao esclarecer as nossas dúvidas.
Fernand Garys.”
Com a notícia todos se entreolharam, mas preferiram não comentar nada sobre o assunto.
Os ânimos das crianças foram se retomando, e com isso, tinham sua rotina normalizada, até foram surpreendidos com um aviso no mural da casa de Grifinória:
“Eu, Professor Nérus, declaro abertas as inscrições para o Primeiro Campeonato Interno de Duelos entre Alunos.
Inscrições serão aceitas a partir dos alunos do segundo ano.
Para qualquer dúvida que venha a surgir, Procurem-me durante as aulas. Em hipótese alguma falarei sobre os duelos fora dos horários de aula, com o propósito de evitar problemas posteriores.
Sem mais.
Professor Nérus.
Richard House, diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.”
A empolgação e os comentários sobre o campeonato de duelos rodavam por toda a escola, e com as crianças não era diferente.
_ Talles, vai se inscrever?
_ Lógico, Raissa, esse campeonato vai ser muito bom! Você vai?
_ Vou, para testar meus conhecimentos de feitiços. E você, Sabrina?
_ Não tenho certeza. Não sou muito boa em feitiços, tenho medo de prejudicar a Grifinória.
Vini interveio:
_ Não se preocupe com isso, Sabrina. Quem ganhar, ganhará pontos para a Grifinória, mas quem perder, somente sairá do campeonato, sem perder pontos. EU com certeza participarei.
_ É. Pensando assim, viu participar sim, o máximo que pode acontecer é eu perder.
_ Vou participar na incerteza também. _ Madu encorajava Sabrina.
_ Não sei por que vocês falam desse jeito, nós somos o máximo! _ Leslie era a mais empolgada.
_ Eu é que não entendo por que vocês participam disso. Eu não vou participar, mas contem com minha torcida.
_ E não vai por que, Shiori?
_ Acho bobeira.
Dois dias depois, outra publicação no mural os animou ainda mais.
“Todos os alunos que forem participar do Campeonato de Duelos, terá uma senha que os permitirá usar uma sala de treinamento no terceiro andar.
A sala permitirá o acesso de alunos de todas as casas, então devemos todos cooperar com uma boa conduta.
A sala será aberta no horário de início das aulas até as 22 horas.
Devido ao grande número de inscrições, os duelos começaram o quanto antes, a fim de eliminar os menos preparados.
Fora do horário de aula, estarei na sala de treino.
Sem mais.
Professor Nérus.”
A sala de treinos, obviamente, virou a sala mais cobiçada de Hogwarts, filas de alunos se formavam em sua porta. Quando a sala estava cheia, era necessário esperar alguns saírem, por isso, foi determinado um determinado tempo para a utilização da sala, que era controlado por senhas.
César era monitor da casa de Grifinória, mas quando se juntava com alunos como as crianças, não era nenhum exemplo a ser seguido. César dormia no mesmo quarto que Talles e Vinicius, por isso tinha um companheirismo para com eles.
Talles, Vinicius, Raissa, Sophia, Leslie, Sabrina e Madu, assim como todos, queriam utilizar a sala de treinos, mas a fila era desanimadora. Acompanhados de César, que mais do que monitor, era um queridinho, todos eles ultrapassavam todos na fila, e treinavam com tempo indeterminado. Tudo era muito fácil, mas César não esperava um dia ser questionado por Nick.
Com o questionamento de Nick, vários outros alunos começaram a querer intervir César, que decidiu não deixar barato.
Após algum combinado, chamou as crianças novamente para entrar na sala sem enfrentar fila. Todos ficaram receosos, mas acompanharam o amigo. César levava com ele bombinhas de fedor, que era mais um dos produtos das Gemialidades Weasley.
Após entrar na sala, avistou Nick, que treinava em um alvo com outros alunos da Sonserina. Sem dizer nada e sem que ninguém percebesse, ele levitou a bombinha de fedor até o bolso de Nick, e a disparou ali mesmo.
Com um mau cheiro insuportável, muitos dos alunos se dispersaram, e sapiram da sala, e vários outros, acusavam Nick de ter soltado a bombinha. Com a fumaça saindo de seu bolso, impossível provar que não era ele o responsável por aquela balburdia.
_ Nick, o que você está fazendo? _ Nérus estava furioso.
_ Não fui eu, professor. Alguém fez isso.
_ Garoto, todos aqui estão vendo de onde está saindo esse mau cheiro, e é um artefato que está com você.
_ Mas, professor...
Nick foi bruscamente interrompido por Nérus:
_ Você e seus amigos _ Apontou para três garotos que acompanhavam Nick _ Estão proibidos de usar a sala de treinos, e menos 30 pontos para a Sonserina.
Nick e seus amigos saíram bufando como touros da sala, e notaram o sorriso de canto em César quando passaram por ele.
_ Foi você, não é, César?
_ Vão! _ O grito de Nérus invadiu toda a sala.
As crianças ficaram na sala por mais algum tempo e logo depois se reuniram no quarto dos meninos para comentar sobre os feitos de César. Todos pareciam ter aprovado o que o amigo fez, exceto Raissa, que se mostrava indignada.
_ Como você pode fazer isso?
_ Calma, Raissa, não deu em nada?
_ Mas poderia dar, César. Isso não se faz, se nos pegam, tirariam pontos da gente, e nós teríamos tomado aquela bronca.
_ Eu sei, mas não pegaram e estamos aqui ilesos. Além do mais, tudo o que é proibido é mais gostoso. _ O sorriso galanteador de César irritava ainda mais a garota.
_ Gostoso? Hogwarts tem regras rígidas que resultam em punição se quebradas. Você prejudicou o treino de muita gente. Isso é irresponsabilidade de sua parte, sabia?
César, que parecia já não gostar do tom de voz de Raissa, respondeu a altura:
_ Olha, eu não sei o que você pensa que eu sou, mas aquilo tudo foi só uma brincadeira! Se você não aceita a maneira como eu ajo, por que anda comigo então? Eu não te obriguei a ir lá comigo, você foi porque você quis. Eu sei também, Raissa, que você já quebrou regras bem piores do que essa aqui em Hogwarts, então eu acho que você não tem muita moral pra me questionar, não é?
Raissa, que até então nunca vira César agir dessa maneira, ficou estatelada encarando César, que continuou parado e agindo naturalmente. A frustração da garota a deixou sem ação, e ela só saiu dali resmungando:
_ Não sei por que eu esperava algo diferente...
As crianças estavam sempre juntas, sempre conversando sobre vários assuntos, e era sempre inevitável que tocassem no nome de Phellip. A saudade do amigo apertava cada vez mais. Eles decidiram, então, que o amigo era acima de tudo um Perpétuo.
_ Eu queria muito poder visitar o túmulo do Phellip. Sabe... Prestar uma última homenagem. _ Raissa parecia mais desolada do que todos os outros dias.
_ E se conversarmos com o Grink? Talvez ele nos deixe ir.
_ E como iríamos, Talles?
_ Eu não sei.
_ Será que o Verde Musgo nos ajudaria? _ Vini teve a idéia.
_ Ele bem que podia nos levar lá, não é? _ Sabrina tinha esperanças.
_ Antes de tudo, temos que saber se o Grink autoriza. _ Raissa se mostrou racional.
Na porta do quarto de Grink, as crianças sequer tiveram tempo de bater a porta, quando ouviram a voz inconfundível do professor os mandando entrar.
_ Licença, professor!
_ Sempre que vocês vêem juntos aqui, me dá um frio na espinha. _ As crianças riram do professor _ Falem. O que vocês querem?
_ É... _ Sabrina tomou a frente_ Queríamos saber se poderíamos visitar o túmulo do Phellip, professor.
_ E pra que vocês querer ir até lá?
_ Desde que ele morreu, nós não o visitamos. Queríamos prestar uma homenagem.
_ Vocês notaram que a minha sala anda meio suja, não notaram?
Já entendendo o recado, as crianças riram e toparam limpar a sala do professor em troca de poder visitar o túmulo do amigo.
_ Eu aviso vocês sobre o dia que farão a faxina, e também providenciarei para que vocês consigam ir até lá.
_ O professor Grink nos deixou ir até lá.
_ Agora _ Talles estava ansioso _ Só precisamos saber como vamos registrar nosso símbolo no túmulo.
_ Mas existe uma magia pra gravar letras, será que conseguimos desenhar o símbolo, caso a aprendamos? _ Raissa já havia lido de cabo a rabo o Livro Padrão de Feitiços.
_ Creio que sim. Mas essa magia grava na pedra?
_ Não sei ao certo. Só sei que é uma magia que registra letras. Sei que ele mostra letras e palavras no ar, mas nada alem disso.
_ Quando chegarmos lá verificaremos como podemos fazer isso.
Enquanto conversavam sobre o assunto, Verde Musgo apareceu aparentemente muito feliz com o a noticia da visita ao túmulo.
_ Olá, crianças.
Todos receberam calorosamente Verde Musgo, em especial Sabrina, que tinha assuntos em particular com o pequeno elfo.
_ Fui contatado pelo Grink e soube que vocês querem visitar o túmulo do Phellip, correto?
_ Exatamente! _ Exclamou Sophia _ Queremos ver onde ele foi enterrado e nos despedir.
_ Eu os acompanharei. Mando notícias com o melhor dia e horário.
Enquanto Verde Musgo não aparecia marcando o dia da visita, as crianças voltaram a se concentrar para o campeonato de duelos, e todos os dias iam até o terceiro andar. Em uma das visitas deles a sala, notaram que não havia nenhum responsável no local, e viram a oportunidade perfeita para duelarem entre si e ver como se sairiam.
_ Madu, duela comigo?
_ Sim, sim, Sabrina.
Talles logo se aproximou:
_ Serei o juiz de vocês. Dêem três passos e no três vocês começam! Um, dois, três!
Ambas as garotas gritaram suas magias, mas Sabrina levou a melhor.
_ Depulso!
Madu foi arremessada para trás.
_ Haha! _ Talles e Raissa cumprimentaram Sabrina _ Foi ótimo, Sá!
_ Valeu!
Vinicius se mostrou em outro canto da sala:
_ Raissa, enfrenta a Leslie?
_ Claro, sem problemas.
Sabrina, Madu e os outros se aproximaram enquanto as duas davam os três passos. Talles então gritou:
_ Um, dois, três!
Raissa tentou desarmar a amiga, e foi surpreendida com uma magia que não conhecia.
_ Riktus Sempra!
Raissa foi jogada para trás dando cambalhotas no ar, e quando caiu ao chão, não conseguia se conter de tanto rir.
Vinicius foi até Leslie:
_ Que magia é essa, Leslie?
_ Riktus Sempra, oras. Pense em algo engraçado e solte a magia.
_ E como é o movimento da mão?
_ É bem parecido com o Expelliarmus, mas você sacode um pouco menos a varinha.
Todas as crianças tentaram realizar o feitiço, mas ninguém obteve sucesso.
Leslie então desafiou Talles:
_ Vamos, Talles? Duela comigo?
_ É claro que não, Leslie. _ Olhou para Vini e sorriu sarcasticamente _ Não me levem a mal, mas eu jamais duelaria com uma de vocês.
Sabrina então se meteu na conversa:
_ E por que não?
_ Ora, porque vocês são meninas!
_ E se você tiver que duelar com uma menina no campeonato?
_ Creio que isso não vá acontecer, mas caso aconteça, sei que estarei garantido para a próxima fase!
_ Só por ser menina? _ Raissa indignou-se.
Talles e Vinicius responderam juntos:
_ Exatamente!
_ Vocês está subestimando a gente! _ Madu também não podia ficar fora dessa.
_ Eu tenho uma proposta: _ Leslie tinha um sorriso malicioso nos lábios _ Escolha qualquer uma de nós, e aceite o duelo. Vamos ver quem leva a melhor!
Talles e Vinicius se entreolharam e aceitaram o desafio.
_ Então, quem você escolhe, Talles?
_ A Raissa.
Todas as meninas desejaram sorte a amiga, enquanto Talles contava com o apoio de Vinicius.
Um, dois, três! _ Todas as crianças assistiram ao duelo empolgadíssimas.
Talles foi mais rápido e conseguiu lançar a primeira magia, que foi defendida por Raissa, que logo contra-atacou:
_ Expelliarmus!
A varinha do Talles voou para longe e caiu ao chão, e o pequeno se viu desarmado sob a mira da varinha de Raissa. Um grito ensurdecedor partiu por parte das meninas que comemoravam a vitória, mas ele foi interrompido pela voz agressiva do Professor Nérus:
_ Posso saber o que está acontecendo aqui?
A expressão de susto era idêntica em todos eles.
_ Nada, professor _ Vini tentava não tremer a voz _ Estávamos só treinando.
_ E devido a não ter alguém aqui cuidando, vocês precisam fazer todo esse barulho?
Um coral de caras de cachorro molhado se desculpou com o professor, que ficou resmungando dizendo que deveria tirar muitos e muitos pontos da Grifinória por isso.
Com os ânimos retomados, as crianças retornaram aos seus afazeres.
_ Madu, eu vou à biblioteca.
_ Tudo bem, Sabrina, eu vou também.
_ Então vai indo, que vou ao quarto e a encontro lá.
_ Ok.
Maria Eduarda se dirigiu à biblioteca enquanto Sabrina foi ao quarto. Quando Sabrina foi até a biblioteca estranhou que sua porta tivesse fechada em pleno horário de funcionamento, e foi logo a abrindo. Um susto gelou sua espinha, a bibliotecária estava atrás da porta e foi atingida com tudo, Sabrina já esperava perder pelo menos cem pontos para a Grifinória, quando notou que a mesma não reagiu à portada que havia tomado.
_ Com licença?
A bibliotecária não respondeu. Era como se tivesse em transe. Sabrina se aproveitou da situação e logo foi em direção ao corredor restrito, um corredor de livros que os alunos não podiam acessar. A porta estava aberta, e Sabrina acelerou o passo para entrar. Antes que a menina chegasse ao portão, ele se fechou sozinho com uma forte pancada.
_ Alohomora! _ Seu feitiço não abria o portão.
Quando Sabrina se aproximou, notou que Maria Eduarda e Leslie estavam olhando para um livro que estava aberto no chão.
_ Leslie! Madu!
Nenhuma das garotas a responderam, e foi quando ela notou que as duas estavam paralisadas olhando o livro. Já sem saber o que fazer, Sabrina começou a tentar chamar a atenção das meninas de qualquer forma. Jogou um livro nas meninas, que não surtiu efeito, e como uma última alternativa, deu um grito que arranhou sua garganta de tão alto que saíra.
_ Leslie!
Com um susto, a loirinha acordou daquele transe, e com um reflexo chutou o livro para debaixo de uma das prateleiras, com isso, Madu também despertou.
Antes que Sabrina pudesse questionar o porquê as duas estavam ali, foi surpreendida pela bibliotecária que também voltou a si.
_ Garota, o que você está fazendo aí?
Sabrina notou que Leslie e Madu haviam se escondido.
_ Procurando um livro.
_ Mas o que está fazendo próxima ao corredor restrito?
_ Na verdade eu não havia notado que esse é o corredor restrito, eu estava distraída procurando um livro de poções que preciso para fazer um trabalho.
_ Você está muito esquisita, menina!
_ Com todo o respeito, é a senhora quem está esquisita me perguntando o que eu estou fazendo em uma biblioteca. _ Sabrina pegou um livro de poções na prateleira _ Não é óbvio?
_ Esse livro é do terceiro ano.
_ Eu sei _ Sabrina notou que enquanto falava com a bibliotecária que estava de costas para o portão do corredor restrito, Madu e Leslie saíam de fininho _ Mas não encontrei a poção que procuro nos livros de primeiro e segundo ano, então estou procurando no do terceiro ano.
Nesse momento, Madu e Leslie se aproximaram como se tivessem entrando na biblioteca.
_ Sabrina, achou o livro que procurava?
_ Creio que sim, vocês me ajudam?
_ Ajudo sim, acho que a poção está nesse livro mesmo.
As três meninas foram saindo da biblioteca com o livro na mão, e a bibliotecária ficou as seguindo com os olhos desconfiados, até as perder de vista.
_ Madu, o que aconteceu? _ Sabrina estava aflita.
_ Eu entrei na biblioteca e a bibliotecária estava lá no corredor restrito com esse livro na mão e a porta aberta. Ela estava estranha. Eu tentava conversar com ela e ela não me respondia, e então tirei o livro da mão dela. Ela saiu andando e me deixou lá, e quando olhei para o livro, não me lembro de mais nada.
_ E como era esse livro?
_ Era vermelho, com uma letra dourada na capa.
_ E que letra era essa?
_ Não me lembro, só me lembro de ser bem grande e dourada. Mas, por que todo esse interesse nesse livro, Sabrina?
Leslie observava as duas conversarem, enquanto Talles, Sophia, Vinicius e Raissa se aproximavam. As três meninas relataram para os quatro recém chegados o que havia ocorrido, e uma discussão sobre o assunto foi desencadeada no Salão Comunal. Shiori descia a escada do quarto das meninas e notou a discussão, assim como notou que eles pareciam não se preocupar com o volume em que falavam. A garota não reagiu e ficou ali parada os observando.
César então se aproximou do grupo:
_ Vocês notaram a altura que vocês estão falando sobre esse livro?
Todos se atentaram ao fato, e repararam estar sendo observados por todos os que estavam presentes no salão comunal. _ Que livro é esse?
_ Não é nada, César _ Raissa tentou amenizar a situação quando foi interrompida por Shiori.
_ Até eu ouvi tudo o que vocês estavam falando.
_ E por que não nos avisou? _ Sabrina estava nervosa.
_ Pra ver até onde ia.
_ Impressionante, Shiori, que Perpétuo é você? A impressão que dá é a de que você quer mesmo ver a gente se ferrar só pra depois vir dizer que sabia que isso iria acontecer ou então tirar o seu da reta!
Sophia se aproximou de Sabrina:
_ Acalme-se, Sabrina.
César então chamou Raissa para uma conversa em particular.
_ Raissa, explique-me o que tem acontecido?
_ César, é delicado demais...
_ Delicado demais? Vocês todos se dizem tão meus amigos, mas quando é pra falar sobre o que está acontecendo é tudo delicado demais?
_ Exatamente.
_ Eu sou monitor da casa e tenho como obrigação alertá-los ou às vezes até denunciá-los quando fazem besteiras. Pelo que eu ouvi, Raissa, você ou os seus amigos invadiram o corredor restrito da biblioteca e enganaram a bibliotecária. O que você e todos os outros ao entendem é que devido ao volume o qual vocês falaram no Salão Comunal, não só eu sei disso, mas vários outros alunos também sabem, e se eu não fizer nada, todos vão me julgar por proteger vocês.
_ Eu entendo, César, e peço desculpas a você. É exatamente isso que aconteceu. As meninas foram ao corredor restrito e encontraram certo livro lá.
_ Que livro?
_ Eu não sei, a Sabrina é quem está mais cismada com ele. Ela disse que precisa dele e é importante.
_ Mas por quê?
_ Eu não sei, ela não diz a ninguém. Disse que é um segredo, mas que precisa desse livro urgente.
_ Prestem atenção a onde estão quando tiverem que conversar de novo.
_ Tudo bem.
De volta ao Salão Comunal, Raissa esclareceu a todos as conseqüências do descuido deles, e também que César poderia ser acusado de protegê-los, uma vez que é monitor da casa de Grifinória.
_ Desculpe, César. Eu prometo que não irá se repetir.
_ Tudo bem, Sabrina, assim como eu disse a Raissa, prestem mais atenção quando conversarem, tudo bem?
_ Tudo bem.
Madu, Leslie e os outros também se desculparam com o amigo, e ficaram mais aliviados ao saber que realmente poderiam confiar nele.
Naquela noite, todos foram dormir um pouco preocupados, afinal outras pessoas agora sabiam do livro. Mesmo assim, não demoraram a pegar no sono.
Maria Eduarda que foi a última a conseguir dormir, ainda mantinha seu sono leve, e acordou com um falatório. Tirou a varinha debaixo do travesseiro.
_ Lumus.
Uma luz saiu da ponta de sua varinha e ela observou todas as meninas que dormiam profundamente. Ainda ouvindo aquele falatório, foi em direção de onde vinha, e notou que vinha da janela.
_ Mantenham a forma!
_ Mantenham a forma!
_ Não saiam! Fiquem nessa direção!
Madu observou e tomou um susto ao perceber que aquelas vozes vinham de corujas que voavam ao redor de Hogwarts. Perturbada, a menina saiu do quarto e foi até o Salão Comunal, onde deu de cara com o gato de Shiori.
_ Lá vem essa garota chata. Melhor eu sair daqui senão ela vai querer me pegar.
Sem saber o que fazer e sem entender o porquê ela ouvia o que os animais diziam, sentou-se em um sofá, onde depois de ficar algumas horas com medo, acabou caindo no sono.
No dia seguinte acordou com Raissa e Leslie, que perguntavam o porquê ela havia dormido ali.
_ Aconteceu alguma coisa, Madu?
_ Eu não tenho certeza, mas eu tive um sonho estranho essa noite.
_ Que sonho?
_ Eu ouvia o que os animais diziam.
Não demorou a que a garota olhasse para o lado e entendesse o que o sapo de um aluno dizia. O gato encarava o seu dono:
_ Não gosto de você. Eu vou fugir.
O sapo pulou do colo do dono que o pegou praticamente no alto.
_ Opa! Fujão!
O sapo só disse uma palavra:
_ Droga!
Madu arregalou os olhos.
_ Meu Deus! Eu entendo o que os animais falam!
Raissa e Leslie fizeram a cara mais desconfiada do mundo:
_ O que?
_ Vamos para o quarto.
Já no quarto, as meninas decidiram chamar Shiori com o seu gato, para saber se realmente a menina conseguia se comunicar.
_ Vamos lá, Madu, pergunte algo a ele.
_ Mas o que, Sabrina?
_ Sei lá, pergunta se ele gosta da Shiori.
Madu olhou receosa para o gato, que a olhava atentamente.
_ Você gosta da Shiori?
_ É claro, afinal, ela me serve.
Madu deu um pulo da cama.
_ Vocês viram isso? Ele me respondeu!
As meninas olhavam pra Madu com uma cara muito estranha:
_ Você estava miando.
_ O que? Não! Eu falei normalmente.
E acreditou que realmente miava mediante todas as expressões que a olhavam.
As meninas logo contaram aos meninos o ocorrido, e então eles se dedicaram um tempo a tentar entender aquilo, porém, sem sucesso.
Após o episódio do livro, passaram aproximadamente duas semanas. As crianças estavam ansiosas para saber quando visitariam o Phellip, mas para sair da escola, sabiam que precisavam esperar a poeira baixar. Todos sempre se reuniam no Salão Comunal após as aulas, e um dia foram visitados por Verde Musgo, que apareceu de repente como de praxe.
_ Um dia ainda morro do coração! _ Brincou Talles.
_ Estou aqui para marcar a visita de vocês ao túmulo de Phellip.
Raissa e Sophia olhavam ao redor, mas foram tranqüilizadas por Verde Musgo.
_ Relaxem, não há ninguém por perto. Vamos ao cemitério sábado, às 19 horas.
As crianças ficaram felizes e ansiosas, mas Vini se lembrou que era dia do treino de quadribol, e como esse ano teria campeonato, não poderiam faltar.
Sophia então chamou a atenção de Verde Musgo:
Verde Musgo então sugeriu que fossem após o treino, e as crianças concordaram imediatamente. Antes que o elfo fosse embora, Sophia o chamou a atenção:
_ Será que você nos ajudaria a gravar um símbolo do túmulo do Phellip?
_ Que símbolo?
_ Nós criamos um grupo, na verdade um nome e um símbolo para a nossa amizade, e como o Phellip faz parte da gente, nós gostaríamos de registrar esse símbolo em seu túmulo.
_ Eu vou pensar em algo.
Sabrina então chamou Verde Musgo de canto:
_ Eu sei onde está o livro, mas não consigo pegá-lo.
_ E onde está?
_ No corredor restrito da biblioteca, debaixo da segunda estante. Mas ele está enfeitiçado, e qualquer um que tente lê-lo entra numa espécie de transe.
_ A missão ainda é sua, e você deve pegá-lo. Leve um manto e jogue por cima dele, mas não olhe diretamente para ele. Quando pegá-lo me chame, e aparecerei para pegá-lo.
Verde Musgo apertou os olhos, como se analisasse uma situação.
_ Você já foi à biblioteca depois disso?
_ Já, por quê?
_ E a bibliotecário não falou nada com você sobre ter sumido algum livro?
_ Não.
_ Sabrina, isso quer dizer que se ela não se deu conta do desaparecimento de nenhum livro, é por que ela nunca soube que ele estava ali, logo, ele não esteve ali o tempo todo, ele foi colocado ali por alguém.
_ E por quem?
_ Eis a questão. Faça sua parte, garota.
Verde Musgo então aparatou, sumindo dali.
_ Professor Grink, o Verde Musgo veio nos ver, e marcou o dia para irmos ao cemitério.
_ E quando será, Talles?
_ Sábado, às 19 horas.
_ Mas esse horário vocês não tem treino de quadribol?
_ Temos, então ele achou que tudo bem de a gente ir depois do treino.
_ Mas será tarde, não é seguro que vocês saiam da escola já por volta das 9 da noite!
_ Eu sei, mas é a única oportunidade que temos. Por favor, professor, nos deixe ir.
Grink pensou e respirou fundo antes de responder a Talles:
_ Tudo bem, eu autorizo. _ Sua expressão era de desconfiança _ Eu sinto que vou me arrepender disso, mas eu autorizo. Mas a condição é que vocês serão rápidos. Chegam lá, visitam, coloca uma florzinha e voltam, sem enrolar, entendeu?
_ Entendi, professor _ Talles tinha um sorriso largo estampado na cara _ Obrigado!
Talles correu para contar a novidade aos amigos, mas ainda teve tempo de ouvir Grink resmungando em sua sala:
_ Ah, essas criancinhas ainda vão me matar!
Chegado o dia da visita ao cemitério, as crianças estavam ansiosas, e ainda faltando alguns minutos para as 21 horas, todos foram até a sala de Grink, conforme havia sido combinado anteriormente. Ao chegarem se depararam com o diretor House:
_ Estão ansiosos?
_ Muito. _ Raissa não se continha.
_ A principio eu quero dizer que estou muito orgulhoso de vocês. Nota-se que entre vocês existe amizade de verdade e vocês não são capazes de esquecer um amigo que sequer está mais entre vocês. Apesar de serem bem encrenqueiros, sei que vocês têm a mais pura das intenções, e vocês tem o meu apreço por isso.
House observou um por um. Leslie, Talles, Shiori, Madu, Raissa, Sabrina, Vini e Sophia. Cada um deles não cabia em si, estava cheio de si enquanto observava o professor.
House então apoiou um objeto no chão, um objeto que carregada em um enorme pano marrom escuro. Abriu o pano e todas as crianças viram uma taça dourada, de aproximadamente 30 centímetros de altura.
_ Isso é uma chave de portal. Todos vão tocá-la juntos e segurarem firme. Não a soltem. Boa sorte a todos!
Verde Musgo então apareceu e todas as crianças fizeram o que o diretor mandou. Seguraram firme na taça, e assim que o Verde Musgo a tocou, todos sentiram um impacto e um forte giro. As imagens se retorceram e de repente todos se arrebentaram no chão. Demorou certo tempo para se recomporem da brusca batida.
As crianças andaram aproximadamente 15 minutos, e após a caminhada, lá estava a recompensa, o que eles tanto queriam. Uma enorme pedra. Era ali que Phellip estava enterrado. Um silêncio pairou e uma emoção tomou conta de todos, mas um detalhe não passou despercebido.
_ Thomas? Por que está escrito Thomas na lápide?
_ Esse era o verdadeiro nome dele, Maria Eduarda. _ Verde Musgo respondeu pacientemente. _ Bem, vocês haviam me pedido para ajudá-los a gravar um símbolo aqui na pedra, não é?
_ É, sim.
_ Eu fiz uma magia... É uma magia especial feita especialmente para vocês. O nome dessa magia é Sinfinitus.
As crianças olharam agradecidas para Verde Musgo, que também demonstrava muito orgulho delas.
_ Eu sugiro _ Continuou Verde Musgo _ Que antes de executarem a magia, vocês deveriam conversar. Selar um elo mágico é algo que vai muito além do que um simples amigo de escola, significa companheirismo, proteção e principalmente compreensão. Por isso, vou deixá-los a vontade, para que conversem sobre isso e saibam exatamente o que pretendem com os Perpétuos.
Verde Musgo desapareceu, e as crianças ficaram sozinhas, num círculo em volta da pedra.
Sabrina então quebrou o silêncio:
_ Eu acho que a gente chegar a ponto de selar uma amizade com uma magia, é porque a levamos realmente a sério. Acho que o que o Verde Musgo quer é realmente saber o que pensamos um dos outros e se todos estão dispostos a fazer isso, que é praticamente um acordo.
_ Tudo bem, quem começa, então? _ Perguntou Vini.
_ Eu começo. _ Sabrina respirou fundo _ Eu confesso que por muito tempo tive raiva de vocês. Eu não achava certo vocês esconderem coisas de mim, principalmente depois de tudo o que passamos juntos, por isso não confiava em vocês. Mas eu estava errada. Eu quero pedir desculpas por ter saído do quarto, pelas minhas desconfianças e pelo meu comportamento, mas prometo que a partir de agora confiarei em cada um, e acima de tudo, compreenderei que as pessoas têm segredos, e que a maior prova de amizade, é saber guardá-los e saber compreender quando não se pode sabê-los. Por isso estou pronta para pactuar com vocês.
Verde Musgo apareceu perto de Sabrina:
_Você está pronta, Sabrina. Faça o que tem que ser feito.
Sabrina apontou sua varinha para o túmulo de Phellip, e com a voz firme ela registrou _ Sinfinitus _ E a partir de um brilho da varinha, um oito deitado, seu símbolo, foi marcado na pedra. Todos sorriram para a menina, que por sua vez notou um sorriso diferente em Leslie, um sorriso que só ela conhecia.
_ Agora venha comigo, vamos dar espaço para que eles também se expressem.
Sabrina e Verde Musgo se afastaram do grupo. Verde Musgo parou perto de uma arvora e pediu então que a menina esperasse ali, pois tinha que buscar o próximo Perpétuo. Quando Verde Musgo voltou, notou que Sophia havia se prontificado a falar:
_ Acima de tudo eu agradeço a paciência que vocês têm e eu concordo com a Sabrina quando ela diz que às vezes o que temos guardado conosco é maior prova de confiança que alguém pode dar. E eu digo que aconteça o que for, podem sempre contar comigo. Posso ser desajeitada, posso parecer viver em outro mundo, mas amo cada um de vocês como meus irmãos.
Verde Musgo apareceu, e com um gesto deu permissão para que a menina efetuasse a magia.
_ Sinfinitus. _ E ao lado da marca de Sabrina, o símbolo perpétuo de Sophia ficou gravado.
Sophia se afastou e foi ao encontro de Sabrina.
_ Eu quero falar logo pra desengasgar logo tudo o que tenho pra dizer. _ Madu se apresentou com toda sua espontaneidade _ Eu primeiramente quero agradecer a todos por me aceitarem bem e também por guardarem meu segredo referente ao Crowing. Acho que poder contar com vocês em relação a isso foi o mais importante para mim, e através disso vi que vocês são amigos como poucos. Eu não sou uma pessoa muito fácil e sou ciente disso, mas convencê-los a me aceitar e aceitar a individualidade de cada um está sendo a experiência mais incrível que eu já tive.
Verde Musgo apareceu:
_ Ok, quando quiser...
_ Sinfinitus. _ E lá estava o símbolo da pequena Maria Eduarda, que correndo foi em direção a Sophia e Sabrina que esperavam se mãos dadas.
_ Desde o principio eu tenho para mim que não conheci vocês por acaso, temos muito em comum pra eu achar isso. _ Raissa observava cada um _ Vocês são as pessoas que eu pude contar quando estive nas piores situações, são aqueles que sempre tiveram do meu lado e aqueles pelo qual eu me sacrificaria. Podemos ter mais ou menos afinidade com alguns ou com outros, mas a minha gratidão e meu comprometimento com cada um de vocês é igual, podem confiar.
Verde Musgo apareceu e foi recepcionado com um sorrido de Raissa, que com muita virtude, registrou seu símbolo na lápide de Phellip.
_ Sinfinitus.
Todos se entreolharam, e Shiori tomou a frente:
_ Eu vou ser breve. Acho que acima de tudo o respeito tem que prevalecer entre todos, e que essa história de não confiar por causa de segredo é uma besteira. Só que, pra todos aqui realmente mereçam minha confiança é preciso um pouco mais. Todo mundo aqui está fazendo discursos muito bonitos, mas quero ver se eles serão realmente colocados em prática.
Verde Musgo apareceu:
_ Shiori, pense mais um pouco antes de decidir se realmente quer efetuar essa magia, tudo bem?
Shiori concordou com a cabeça.
Assim que Verde Musgo desapareceu, Leslie se mostrou um pouco nervosa:
_ Eu não sou muito boa em falar assim, mas eu vou tentar. Eu já tive alguns desentendimentos com alguns, mas notei que apesar de tudo, as pessoas daqui ainda gostam de mim, e eu também gosto muito de vocês. Não quero brigar de novo e quero ser amiga de vocês pra sempre. Quero poder ajudar, jogar quadribol e ir pra detenção com vocês.
Todos deram um breve sorriso quanto ao desempenho da amiga, que ao ver Verde Musgo aparecer, não demorou nada a registrar sua magia.
_ Sinfinitus. Agora é a sua vez, Talles. Eu confio em você. _ Assim a amiga andou um bom caminho ainda de costas olhando para Talles, que retribuía o olhar.
Talles e Vinicius ficaram ali em silêncio olhando para a pedra durante algum tempo, até que Verde Musgo apareceu:
_ Está acontecendo alguma coisa?
_ Eu não sei o que falar. _ Talles sorria sem graça.
Vinicius então completou:
_ As meninas já falaram tudo, e eu concordo em tudo, não há mais o que ser falado.
_ O que está sendo dito aqui é a compreensão e transparência de cada um, e isso é muito individual. Não acredito que vocês realmente não têm nada a dizer. _ E Verde Musgo desapareceu novamente.
Novamente os garotos se entreolharam e isso durou quase dez minutos. Talles que já estava inquieto então desembuchou:
_ Olhe, as meninas têm razão e nós temos que confiar um no outro. Eu sempre terei assuntos confidenciais, assim como todos, mas também vou dar mais espaço para as meninas pensarem, assim como darei mais ouvidos ao que elas têm a dizer.
Verde Musgo apareceu:
_ Foi difícil?
_ Na verdade mais fácil do que eu pensei.
Com um sorriso, Verde Musgo ficou observando o garoto efetuar sua magia.
_ Sinfinitus! _ Ele olhou para Vini _ Boa sorte!
Ficaram Vinicius e Shiori, e a japonesinha se apresentou primeiro:
_ Bem, eu acho que finalmente entendi qual é o objetivo disso. E eu me comprometo a ouvir mais as pessoas, assim como o Talles. Serei mais humilde, tentarei não julgar ninguém e farei o possível para ser mais paciente.
Verde Musgo apareceu e assistiu a garota registrar seu símbolo e protestar, pois queria ter feito uma pintura de seu símbolo.
Vini se viu sozinho, era o único que faltava para completar o pacto. Verde Musgo dessa vez não desapareceu, e ficou ali para ouvir as palavras do garoto.
_ Eu não sei me expressar muito bem, mas eu daria a minha vida por cada um aqui presente.
Verde Musgo o olhou como se esperasse um pouco mais.
_ Confiarei mais em todos, reconhecerei suas verdadeiras capacidades.
Verde Musgo sorriu em tom de alívio, e o menino sabia que podia selar o pacto.
_ Sinfinitus!
Verde Musgo fez um sinal para os outros voltarem, e todos obedeceram, e assim que chegaram à pedra, fizeram um circulo em volta da mesma.
Verde Musgo subiu ao topo da pedra e conjurou uma espada _ E aqui está guardada a magia que pactua Os Perpétuos! _ Verde Musgo fincou a espada no topo do túmulo, e um fortíssimo círculo de energia foi criado ao seu redor, se espalhando como uma onda. Quando as crianças tomaram esse impacto de magia, cada um viu em meio ao clarão uma coisa diferente. Sophia viu Silver, Shiori viu o Raku, Talles viu sua varinha, Vinicius um enorme lobisomem, Raissa um “H” dourado, Leslie um tigre, Madu um livro vermelho com um “H” dourado na capa e Sabrina viu Maria Eduarda sorrindo. Ao cessar o clarão, todos estavam surpresos.
_ Gente, vocês também viram algo na frente de vocês? _ Talles parecia temer algo.
_ Sim. _ Raissa estava pensativa _ E o que vocês viram?
Aos poucos todos foram conversando sobre o que viram, e Verde Musgo também parecia não ter entendido muito bem o que acontecera. Uma deliciosa sensação de alívio e felicidade tomou conta de todos, e o assunto começou a ficar um pouco mai extrovertido a partir de então. Verde Musgo os deixou sozinhos para poder conversar.
_ Você me viu, Leslie?
_ Eu vi um tigre, não sei se era você.
_ Por que será?
_ Posso te pedir algo?
_ O que?
_ Posso montar em você transformado?
Talles ficou sem graça a princípio, mas logo se transformou em tigre para dar uma volta com Leslie, que o abraçou com muito carinho.
Enquanto todos conversavam sobre suas visões, Raku saiu inesperadamente de dentro de Shiori, e ficou olhando em determinada direção como se visse algo por ali.
_ Ele está sentido aquele espírito de novo. _ Shiori estava atenta.
Talles e Vinicius trataram logo de se encostar-se à pedra, com o intuito de esconder os símbolos ali gravados. Uma luz forte começou então a sair da pedra, e uma silhueta se projetou dentro dela. A princípio o medo tomou conta de todos, que logo foram tranqüilizados vendo ali a imagem do pequeno Phellip.
_ Eu conheço vocês...
_ Claro que conhece, somos nós. _ Raissa apontava para todos na esperança de que o menino os reconhecesse.
_ Não sei... Não sei seus nomes, mas eu já sonhei com vocês.
_ E que sonho foi esse? _ Questionou Vinicius intrigado.
_ Foram vários, mas me lembro bem do último sonho. Eu os via num quarto... Era como se eu tivesse no alto, e vocês conversavam. Mas aí um dragão apareceu, e eu fiquei com medo dele, achei melhor sair de lá. _ Phellip olhou para Raku _ Foi você quem apareceu.
_ Isso não foi um sonho _ Sabrina lembrou-se da visão de Sophia _ Isso realmente aconteceu conosco quando conversávamos no quarto, mas nós não sabíamos que era você.
_ Você está realmente morto? _ Sophia olhava para o menino com bruta desconfiança.
_ Eu não sei ao certo, a última coisa de que lembro foi que eu assinei um livro.
_ Que livro? _ Talles se interessou.
_ Um livro vermelho com um “H” dourado na capa. O Verde Musgo deu esse livro para eu assinar e a partir de então só me lembro dos meus sonhos.
Antes que as crianças pudessem continuar a conversa, o garoto foi desaparecendo em meio aquela luz, que foi escurecendo até se apagar totalmente. Logo na seqüência, Verde Musgo apareceu, e aparentemente não havia visto o ocorrido.
_ O Phellip esteve aqui?
_ Como?
As crianças então contaram tudo do Verde Musgo, que estava atento a história.
_ Mas eu nunca dei livro algum para o Phellip assinar.
_ Foi o que ele disse.
_ E ele disse algo mais?
Sophia, com seus olhos grandes e desconfiados questionou Verde Musgo:
_ O Phellip está realmente morto?
_ Nem eu sei ao certo, menina... A alma do menino Phellip está presa em outro corpo, e esse corpo está em Azkaban.
Todas as crianças olharam assustadas para Verde Musgo, que continuou:
_ Onde está mesmo o livro?
_ No corredor restrito da biblioteca...
E antes que Sabrina terminasse de responder, Verde Musgo desapareceu.
Raissa, de olhos arregalados e sem saber o que estava acontecendo preocupou-se:
_ Será que ele foi atrás do livro?
_ Vamos voltar para a chave de portal _ Disse Shiori sensata.
_ Vamos, mas temos que pegar o livro ainda hoje. _ Vinicius estava determinado.
_ E como pegaremos hoje?
_ Creio que teremos autorização para andar fora da torre da Grifinória, no caminho até o quarto. Podemos desviar e passar pela biblioteca.
Talles respondeu pensativo:
_ Espero então que o House nos deixe fazer esse trajeto sozinhos.
_ Mas se todos forem, vai levantar muita suspeita. _ Interferiu Shiori.
_ Alguns vão à biblioteca e outros vão para o quarto, assim será menos arriscado. _ Concluiu Sabrina. _ Temos que ver se o Verde Musgo está lá.
_ Isso! _ Todos concordaram.
_ E quem serão os que vão à biblioteca? _ Perguntou Leslie.
Sophia respondeu com sabedoria:
_ Acho que você deveria ir, Leslie, já que você sabe onde está o livro. E a Raissa tem acesso ao corredor restrito, não é?
A menina aceitou a proposta, assim como os outros concordaram com Sophia. Combinaram então que Leslie, Raissa e Vinicius iriam, afinal, Vini seria muito útil, já que provavelmente tudo estaria muito escuro e tem seus sentidos apurados.
Chegaram ao quarto do House, e como previsto, tiveram autorização para andar aos corredores somente no caminho de volta ao quarto. Mas as crianças não tardaram a dar início ao seu plano, e conforme combinado Vinicius, Leslie e Raissa se encaminharam para a biblioteca.
Sabrina, Madu, Shiori e Sophia foram para o quarto das meninas. Cada uma foi para sua cama. Todas ficaram acordadas e ansiosas, porém Sabrina adormeceu devido ao cansaço. Talles foi para seu quarto, onde também não conseguiu dormir.
Os três que foram pelo caminho escuro não tiveram maiores dificuldades para chegar à biblioteca.
_ Alohomora. _ Murmurou Raissa. E a porta se abriu. Aparentemente não havia ninguém lá dentro, nem a bibliotecária.
Os três preferiram não usar nenhum tipo de iluminação e seguirem guiados pela visão de Vini, que era privilegiada. Se esgueirando por entre as gigantescas e lotadas prateleiras de livros, que eram em sua maioria antigos, muito grossos e pesados, Raissa avistou a entrada para o corredor restrito de livros, que estava com sua grade aberta.
Por mais que fosse tarde da noite, não era comum que aquela grade estivesse aberta. Seria a bibliotecária? Quem quer que fosse que estivesse ali, não poderia vê-los de forma alguma.
Eles permaneceram escondidos atrás de uma prateleira, mantendo a porta a vista, e então a decepção tomou conta deles. Um homem saia de lá, aliás, a silhueta de um homem. Não era possível enxergar nada além da sombra daquele indivíduo que saia de lá com o livro vermelho nas mãos. O tamanho do livro e o “H” dourado na capa não deixaram dúvidas em Leslie, que já havia visto o livro bem de perto. Era o livro que procuravam, agora nas mãos de um desconhecido. Vini se esforçou para sentir o cheiro daquele sujeito em meio à escuridão, mas o que mais intrigou o garoto, é que aquele homem não tinha cheiro algum.
Sem ter o que fazer, as crianças deram meia volta e foram o mais rápida e silenciosamente que puderam para o Salão Comunal, onde eram esperadas por Talles, Shiori, Sophia e Madu, que ansiosos preferiram aguardar por lá.
_ E aí, pegaram o livro? _ Madu não escondia sua ansiedade.
A decepção era visível nos rostos de Vinicius, Leslie e Raissa.
_ Não. _ Vinicius respondia com pesar. _ Quando nós chegamos lá, um homem saiu com o livro na mão.
_ E deu pra ver quem era? _ Talles ficou nervoso.
_ Não, e estranhamente ele não tinha cheiro?
_ Como assim não tinha cheiro? _ Shiori não entendia muito bem.
_ Eu tentei sentir o cheiro dele pra saber se eu o reconhecia, mas nenhum odor emanava dele. Nada!
Raissa lembrou então do amigo Verde Musgo.
_ Será mesmo que o Verde Musgo veio à biblioteca?
_ Eu não sei _ Respondeu Sophia _ Mas eu acho que seria ótimo se conseguimos falar com ele.
_ Como?
Sophia então disse em voz mediana, com o intuito de chamar o pequeno elfo:
_ Verde Musgo?
O silêncio pairou por alguns segundos, foi quando Raissa teve uma grande idéia.
_ E se eu tentasse trazê-lo com Accio?
_ Mas não dá pra trazer seres vivos com Accio, Rá. _ Leslie estava desanimada.
_ Mas se eu trouxer as roupas dele, pode ser que ele venha junto, não é?
_ Pode ser!
Raissa se concentrou e gritou com determinação:
_ Accio roupas do Vesgo Mudo!
Todos se assustaram.
_ Accio roupas de quem, Raissa? _ Leslie parecia perplexa.
Raissa parecia indignada:
_ Meu Deus, o que foi que eu falei?
Talles então, que forçava para não cair na gargalhada, lembrou a garota:
_ Vesgo Mudo?
Vinicius por sua vez não se conteve e começou a gargalhar, e Talles vendo o amigo também caiu na risada. Raissa estava catatônica e parecia não acreditar no engano que ela mesma havia cometido. E com grande pesar concluiu:
_ É... A magia não deu certo.
Enquanto as crianças riam e faziam várias piadas do erro de Raissa, Sabrina dormia tranquilamente em seu quarto, mas teve seu sono interrompido por um barulho bem perto de sua cama. Ela abriu os olhos, pegou sua varinha e sussurrou:
_ Lumus!
Notou a sua frente uma presença e tomou um tremendo susto ao concluir a cena. Verde Musgo estava no quarto com garota, e inexplicavelmente, o pequeno elfo estava sem roupa alguma, totalmente nu.
_ Ahhh! _ Da mesma forma que Sabrina gritou, o elfo retribuiu o susto.
_ Meu Deus! Sabrina? _ Verde Musgo olhou ai seu redor e arregalou os olhos _ O que eu estou fazendo aqui?
Sabrina que não sabia como agir olhava apavorada para Verde Musgo, e também, questionava:
_ O que você está fazendo aqui? E pelado?
Ao se dar conta da situação, Verde Musgo correu para trás de uma das camas.
_ O que você fez pra eu vir parar aqui?
_ Eu não sei, eu estava dormindo. _ Sabrina olhou em volta e notou que não havia mais ninguém no quarto. _ Cadê as meninas?
Sabrina pegou um casaco e jogou em direção ao elfo _ Tome, vista isso.
_ Obrigado. _ O elfo agradeceu enquanto vestia o casaco de Sabrina, que naturalmente ficou enorme em seu pequeno corpo.
_ Vamos ao Salão Comunal ou ao quarto dos meninos, pode ser que tenham alguma explicação.
Sabrina e Verde Musgo se encaminharam ao Salão Comunal, onde viram as crianças logo de cara.
_ Pessoal?
Ao olhar para Sabrina e Verde Musgo, Raissa arregalou os olhos.
_ Verde Musgo?
_ Olá. Alguém sabe me explicar por que eu vim parar pelado no quarto da Sabrina?
Raissa não sabia onde enfiar a cara, e as outras crianças se seguravam para não cair na risada novamente.
_ É... Eu... Eu acho que fui eu, Verde Musgo, mas foi sem querer, eu juro.
_ Sem querer como?
Aos poucos os outros iam se recompondo enquanto Raissa tentava se explicar para Verde Musgo.
_ Nós saímos do cemitério e achamos que você tinha ido até a biblioteca para tentar pegar o livro, por isso fomos até lá te procurar. Mas aí nós vimos um homem saindo de lá com o livro e achamos que seria bom que você soubesse. Nós tentamos te chamar, mas você não apareceu, então, eu tive a idéia de te chamar por magia, e tentei Accio em suas roupas.
_ E por que eu vim parar aqui, mas as minhas roupas não?
_ É que... Eu... Falei seu nome errado...
_ E o que você disse?
_ Accio... Roupas do... Ve... Vesgo Mudo.
_ Vesgo Mudo?
_ Desculpe!
_ Tudo bem. Mas agora, expliquem-me direito essa história da biblioteca.
Detalhadamente, Raissa e as outras crianças contaram o ocorrido para Sabrina e Verde Musgo, que por sua vez se entreolhavam durante todo o tempo. Depois de ouvir toda a história, Verde Musgo esclareceu:
_ Eu não fui à biblioteca, fui cuidar e procurar outros detalhes que possam ter a ver com esse assunto. Quanto a vocês, continuem procurando saber sobre isso, mas sempre pelas beiradas. Não contem a ninguém que vocês viram o Phellip e nem sobre os Perpétuos.
Raissa pediu desculpas pelo equivoco ao dizer o nome do elfo, e todos se despediram, dessa vez indo ao quarto para tentar descansar no que sobrou da noite.
Dois dias se passaram e as crianças ainda estavam intrigadas sobre quem poderia ter pegado o livro, além disso, pensavam e falavam sempre sobre a magia efetuada no cemitério, junto ao túmulo de Phellip. Ainda dentro desse tempo e dessa adrenalina, mais um recado que mexeu com toda a escola foi posto no mural da casa de Grifinória.
“Atenção todos os alunos.
Todos os alunos participantes do Campeonato de Duelos de Hogwarts deverão comparecer ao Salão Principal, às 9 horas de segunda-feira, portando suas varinhas e com as vestes de suas casas.
Os duelos serão iniciados assim que todos os inscritos adentrarem ao salão.
Haverá duelos múltiplos, em grupo ou individuais. O sorteio será feito na entrada do Salão Principal.
Estejam preparados e boa sorte a todos!
Professor Nérus.
Richard House, diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.”
_ Meu Deus, vai começar. _ Sabrina estava tensa.
_ Relaxa, Sá, o máximo que pode acontecer é você perder. _ Talles tentava acalmar a amiga.
Chegado o dia dos duelos, Sabrina, Sophia, Maria Eduarda, Talles, Vinicius, Leslie e Raissa se encaminharam para o Salão Principal, e Shiori saiu para meditar. Já na estrada do salão, todos se dirigiram a Nérus, para verificar quem seriam seus adversários.
_ E aqui estão vocês. Eu sabia que vocês viriam.
_ Não poderíamos faltar nessa, não é, professor? _ Raissa se mostrou orgulhosa.
_ Muito bem. Hoje os duelos serão individuais. _ Nérus mostrou a eles uma taça que levitava a lateral da gigantesca porta. Esta tinha um brilho azul que formava círculos ao seu redor, e quando cada um se aproximava, um papel era expelido de dentro dela, mostrando assim o nome de seu adversário.
Em fila, as crianças foram se aproximando da taça. Talles foi o primeiro, e não demorou a que Nérus pegasse o nome de seu adversário ainda no ar.
_ Talles, você vai duelar com um aluno do terceiro ano, seu nome é Peter Brown.
Nérus soltou o pedaço de papel que tinha suas bordas levemente queimadas.
_ Siga o papel, e saberá quem é ele.
O papel então foi levitando lentamente para dentro do salão, e Talles entrou o seguindo. Dentro do Salão Principal, Talles se deparou com um falatório alucinado. Um aluno até esbarrou nele enquanto seguia um papel. Dois alunos seguiam um mesmo papel e começaram a discutir para saber quem era o verdadeiro dono dele. Papéis levitavam sem ninguém os seguindo, e crianças procuravam seus papéis perdidos.
Talles então chegou ao local indicado por seu papel e visualizou seu oponente. Peter Brown era alto de cabelos jogados no rosto. Sua casa era a Corvinal, e ele olhava com imponência para Talles, que apesar de inexperiente, se sentia muito seguro.
Madu vinha logo atrás dele seguindo um papel cujo nome escrito era o de Jonathan Glasglow, do segundo ano. A menina passou por Talles, que a cumprimentou com um leve aceno com a cabeça e quando chegou ao seu oponente, notou que um residente da Sonserina a aguardava.
Sabrina, que estava muito nervosa e insegura, foi a terceira a adentrar ao salão. Seu papel a guiou para um canto do salão. Ela esperou sozinha e não demorou a que seu adversário aparecesse. Alan Brun era do segundo ano, também da casa de Grifinória Apesar de adversários, se cumprimentaram pacificamente.
Vinicius, que treinara bastante, principalmente junto ao Talles, entrou logo após Sabrina. Seu adversário era Nick.
Vinicius, logo que encontrou, viu que Nick também estava entrando na sala, e ao olhar seu papel, se surpreendeu ao ver que ele seria seu adversário. Nick, por sua vez, não gostou nada da notícia e seguiu em direção a House.
_ Diretor?
_ Sim, Nick.
_ Eu gostaria de saber se poderia ser dispensado do campeonato.
_ Por quê?
_ Não estou me sentindo bem. Estou com fortes dores no estômago e por isso sem condições de duelar.
_ Sabe que com isso será desclassificado, não é?
_ Sim, sim, professor, mas realmente não estou em condições.
_ Tudo bem, filho. Vou solicitar que um professor o acompanhe até a Ala Hospitalar.
_ Obrigado.
Vinicius, que vinha seguido por Shiori, não acreditara no que acabara de ouvir.
_ É impressão minha, ou ele fingiu estar passando mal para não duelar com você, Vinicius?
_ É o que parece, Shi.
A desconfiança do garoto se confirmou quando Nérus chamou o garoto de volta a porta da entrada para selecionar outro oponente, que seria Jerome Mills do terceiro ano. Negro e de estatura média, pertencia a Corvinal.
Sophia e Leslie entraram praticamente juntas e coincidentemente ficaram posicionadas bem próximas no salão. Ambos os seus oponentes eram da casa de Sonserina. Sophia iria duelar com James Serdan, do segundo ano, e Leslie com Martin White, do terceiro. Os dois as esperavam com um sorriso confiante, e parecia não levar as duas muito a sério.
Por último entrou Raissa, que ficou totalmente tensa ao notar que César vinha logo atrás acompanhado de sua trupe de fãs.
_ Boa sorte, Raissa. _ O sorriso do garoto era intrigante.
_ Boa sorte pra você também. _ Raissa não perdia sua pose perante o charme de César.
_ Será que vou realmente precisar de sorte? Eu, irresponsável que sou, posso ter inúmeros truques na manga, não é mesmo?
De vermelha, Raissa ficou mais corada que um morango maduro, e preferiu não responder a insinuação de César. Ela sabia que ele se referia ao que ela havia falado para ele há alguns dias. A menina então continuou seguindo o papel que a direcionava, e encontrou Sam Jackson, de Lufa-Lufa, a sua espera. Ele era do segundo ano, e ela a conhecia de algumas aulas que já haviam assistido juntos.
Alguns minutos se passaram, muitos outros alunos chegaram e as portas se fecharam. O silêncio se fez ao primeiro sinal de voz do diretor House:
_ Bem vindos ao Campeonato de Duelos de Hogwarts. Nessa primeira fase, será cada um por si. Serão duelos individuais, e se classificará aquele que ganhar duas em três partidas. Todos os professores de Hogwarts estão nos auxiliando nas partidas, por isso, não tentem mentir os resultados. Boa sorte a todos, e que comecem os duelos.
O estrondo de magias lançadas era ensurdecedor. Varinhas eram lançadas para o alto o tempo todo, e crianças eram empurradas para trás a ponto de baterem umas nas outras.
Enquanto os outros duelavam para garantir suas vagas na segunda fase do campeonato, Shiori se retirou do Salão Principal e foi até a Ala Hospitalar saber de Nick.
_ Está tudo bem com você? _ Perguntou em tom irônico.
_ Estou com o estômago doendo. Pode não me incomodar, por favor?
Shiori olhou em volta e notou que Nick estava sozinho na Ala Hospitalar, e Madame Ponfrey estava auxiliando no Salão Principal.
_ Você não está passando mal.
_ Agora quer saber o que eu sinto também, Estranha?
_ Posso ser estranha, mas não sou covarde como você, que finge sentir-se mal só pra fugir de um duelo. _ Enquanto Shiori falava, aproximava-se a curtos passos da maca em que Nick estava em repouso. _ Você não é capaz e só por isso inventou essa tramóia toda.
_ Vamos combinar o seguinte, Estranha, vai lá ver sua patota medíocre se ferrar e me deixa em paz, pode ser?
_ Pode sim, eu só precisava ver de perto sua cara de derrotado.
_ Derrotado? Vamos ver quando eu sair daqui, se eu não te mando pra longe num feitiço só.
Shiori, que não admitiu o tom de desafio de Nick se aproximou do rapaz e lhe deu um soco no estômago que fez o garoto se encurvar pra frente e em seguida outro em seu rosto que o levou para trás. Nick, sem reação, só levou a mão ao rosto e sentiu o sangue que escorria de seu nariz.
Shiori, que há tempos estava com vontade de dar uma boa lição nele, sorriu calmamente:
_ Você sequer é capaz de reagir a uma agressão física, imagina a um feitiço. Derrotado!
A menina, sem hesitar, virou as costas e saiu da enfermaria, onde Nick ficou lamentando o estrago que a garota havia lhe causado.
César, Sophia, Raissa, Vinicius, Sabrina, Madu, Talles e Leslie duelavam com seus oponentes, e todos se deram muito bem nessa primeira fase.
Sophia que já havia ganhado a primeira batalha se mantinha muito bem durante a segunda. E após se proteger de uma magia lançada por James Serdan, lançou com perfeição seu feitiço:
_ Petrificus Totalus!
Duro como uma pedra e paralisado em posição de ataque ficou James, e Sophia então comemorou sua classificação para a segunda fase.
_ Riktus Sempra!
E no meio do duelo, Martin White não se segurava de tanto rir depois de dar uma cambalhota para trás.
E na segunda batalha, Leslie estava segura de si, e White sequer teve tempo de tentar atacar:
_ Estupefaça!
E com um sorriso orgulhoso, a garota se retirou do Salão Principal. Enquanto ela saia, ainda teve tempo de ver César derrotando Elias Thompson. César acompanhou Leslie, e foi seguido por sua legião de fãs que suspiravam a cada olhar de canto que ele as lançava.
Vini não teve dificuldade alguma para vencer Jerome Mills, que apesar de ser mais velho, não conseguia esconder seu nervosismo.
_ Depulso!
E o garoto se deu por vencido.
Vinicius pensava em continuar o duelo, mas Jerome preferiu se retirar.
Talles teve bastante dificuldade com Peter Brown, que venceu a primeira batalha o desarmando. Durante a segunda batalha, que foi consideravelmente longa e cansativa, Talles conseguiu enfim desarmar o oponente após se esquivar de um ataque.
Na última, os garotos já estavam exaustos, então ela não se prolongou tanto.
_ Expelliarmus!
Peter foi jogado para trás devido à força do grito de Talles, e sua varinha caiu muito longe dele. A expressão de alívio no rosto do garoto era visível, e então ele saiu cambaleando do salão em busca de água e descanso.
Madu, que era junto a Sabrina uma das mais inexperientes do grupo, se mostrava relaxada e pronta para o duelo.
Após vencer a primeira batalha do duelo, Madu conseguiu acertar em cheio um Depulso em Jonathan Glasgow, que ficou ainda algum tempo no chão lamentando sua derrota.
Madu tentou oferecer ajuda para levantar o rapaz, que recusou ainda bravo.
Raissa, com sua segurança, conseguiu intimidar Sam Jackson, e também não teve maiores dificuldades. Venceu logo na primeira batalha, após estuporar o garoto, que caiu desmaiado. Um dos professores ainda o acordou, mas ele não se sentia bem para continuar duelando.
O ar de contentamento e superioridade que Raissa lançou a Sam o deixou extremamente irritado, mas o mesmo sabia que não era possível se fazer nada em relação a isso.
No momento do duelo de Sabrina e Alan Brun, Sabrina suava fria e não demorou a que Brun se sentisse extremamente seguro em relação à garota. Ela sabia que não seria fácil vencer duas de três batalhas.
Quando o duelo se iniciou, Sabrina começou atacando, e Alan retrucou o ataque encima do dela. Com o impacto de uma magia batendo na outra, ambos foram arremessados para trás e caíram desmaiados. O duelo foi encerrado por ali e os dois foram para a Ala Hospitalar. Após acordarem, House deu a vitória à menina mediante o argumento de que com o seu ataque, Alan deveria ter defendido, e não atacado junto, pois seria óbvio o choque das magias.
Todas as crianças estavam orgulhosas do seu desempenho, exceto Sabrina que sabia que havia passado por pura sorte. Nessa noite teve então o jantar de encerramento da primeira fase, mas muitos alunos não compareceram por estar na Ala Hospitalar se recuperando. Foi uma época muito atarefada para Madame Ponfrey.
Durante os próximos dias, não havia outro assunto em Hogwarts além do campeonato e sobre como seria a próxima fase. Alguns viraram motivo de piada pela forma como perderam, e Nick ficou na Ala Hospitalar por três dias. A notícia não foi divulgada, mas obviamente Shiori contou o seu feito para os amigos, que fizeram questão de ir a Ala Hospitalar como quem não quisesse nada, somente para ver como ficou o rosto do garoto.
_ Raissa?
_ Oi, César.
_ Ainda está brava comigo?
_ De forma alguma. Mas agora tenho que estudar. _ Raissa tento se retirar, mas foi segurada pelo braço por César. _ Deixe-me ir.
_ Não posso conversar com você?
_ O que quer?
_ Você sabe por que eu te provoco tanto?
_ Por que você é inconveniente?
_ Não. _ César direcionou a ela um leve sorriso. _ Por que você fica linda quando está brava.
Raissa não se continha de felicidade com o comentário do garoto, mas sua timidez a deixou vermelha.
_ S... Sério?
_ Claro! Será que só você não notou que te acho a menina mais linda de Hogwarts?
_ Você está mentindo. E todas as garotas que estão sempre com você?
_ Elas estão comigo. Mas eu não estou com elas. Elas me seguem, Raissa. Mas eu não dou bola pra elas.
_ Jura?
_ Eu já notei que você é caidinha por mim? _ O garoto ainda sorria, mas dessa vez com ironia.
_ Você sabia que é um tremendo de um convencido? Eu não sou essas menininhas que ficam te seguindo.
_ E eu acho que por isso você me chama tanto a atenção.
Raissa sorriu para o César, que por sua vez conseguiu se aproximar da garota e pela primeira vez a beijou. O salão comunal vazio deu liberdade para que ela passasse as mãos por sua nuca e o beijasse também.
_ Agora eu tenho que ir para o quarto, pode aparecer alguém.
_ Vejo você no café da manhã?
_ Com certeza.
Raissa chegou ao quarto, corada e com um sorriso que ia de orelha a orelha.
_ Aconteceu alguma coisa, Raissa?
_ Não... _ Era visível que a cabeça da garota estava em outro mundo.
Shiori, que sabia de sua paixonite por César, logo deduziu:
_ Aposto que sua cara de boba tem a ver com o César.
_ Claro que não! _ Mas por mais que tentasse disfarçar, ficou estampado em seu rosto que a amiga estava certa.
_ E ele beija bem?
_ Muito!
Sabrina, Madu e Leslie logo estavam na conversa também:
_ Sério?
Raissa se recompôs e logo encerrou o assunto:
_ Ah, por favor, amanhã conversamos sobre isso.
As amigas, o tempo todo, lançavam para a garota olhares maliciosos que diziam o quanto estavam curiosas para saber tudo, mas Raissa aquela noite não quis fazer nada além de deitar e dormir ainda pensando em seu beijo.
Chegado o dia em que se iniciaria a lua cheia, Vinicius voltou do almoço para o quarto. Ao escurecer não podia estar na escola.
_ Vou com você, Vini.
_ É melhor não, Talles.
_ E se algo acontecer?
_ Fique tranqüilo, conheço bem a floresta.
Chegado o horário da saída de Vini, Talles não pode deixar o amigo ir sozinho, e assim como várias outras vezes, o acompanhou sem que ele soubesse.
House sabia sobre Vinicius, e por isso o autorizava a sair da escola nas noites de lua cheia. Vinicius cumpriu o combinado, e saiu sem que ninguém notasse.
A caminho da floresta o garoto olhava em volta o tempo todo para saber se não estava sendo seguido por um entranho eu então por Talles, pois conhecia bem o amigo.
_ Talles?
Sem nada responder, Talles ficou no meio de alguns arbustos observando o amigo de longe.
_ Eu sei que você veio.
Talles saiu dos arbustos:
_ Sabe que eu não vou deixá-lo sozinho.
_ Melhor não...
_ Eu consigo ficar na floresta sem você e ninguém me notar e você sabe disso. _ Talles interrompeu Vinicius.
_ Tem certeza?
_ Lógico. Vai logo!
Vinicius foi andando, acompanhado por Talles que ia logo atrás, mas dessa vez sem se esconder.
Os meninos adentraram a floresta, sempre atentos a qualquer movimento ou barulho, nunca se sabia o que poderia ser encontrado. Após caminharem durante quase meia hora, Vinicius parou, como se tivesse se concentrando para ouvir algo. Talles logo percebeu a reação do amigo, mas antes que conseguisse se esconder foi surpreendido com uma criatura grande que o encarava. Com tronco humano e corpo de cavalo, um centauro se aproximava dele com uma expressão nada amigável.
Vinicius fixou seu olhar no centauro, e não demorou a que outros muitos começassem a surgir por de volta deles.
_ O que vocês estão fazendo na floresta?
Vinicius e Talles se entreolharam e não sabiam qual a melhor resposta para saírem daquela situação.
_ É... Nós... Estávamos andando e...
_ Não me digam que estão perdidos, porque eu sei que todos os alunos de Hogwarts são orientados quanto à floresta. Então, digam agora, o que os trazem aqui?
Talles disfarçadamente enfiou a mão no bolso e apertou sua moeda, não teve outra escolha a não ser acioná-la. Vini tentava de toda forma convencer os centauros de que só estavam perdidos.
_ Nós estávamos voltando da cabana do Hagrid e nos distraímos com... Com... É... Com...
_ Algumas vozes... Achamos que tinha algum aluno por aqui... _ Talles completava o que o Vini dizia, mas aparentemente os centauros não estavam acreditando muito, e em pouco tempo eles se viram totalmente rodeados.
_ Infelizmente não vou poder acompanhar as crianças à Hogsmeade esse ano.
_ Por que, Crowing?
_ Você sabe, House, tenho muita coisa por fazer ainda, ando muito atarefado.
_ Esse ano vão mais crianças do que o normal, afinal, o segundo ano foi inserido a visita, e por isso preciso de mais professores que os acompanhem.
Crowing sentiu então um leve calor no bolso de sua calça:
_ Diretor, com licença, eu preciso ir até a minha sala.
_ Sem problemas, pense no que te pedi.
_ Tudo bem.
Crowing saiu da sala de House e confirmou sua suspeita, sua pedra brilhava, e ele sabia que ela havia sido acionada na direção da floresta.
_ Accio vassoura!
Em pouco tempo sua vassoura estava em suas mãos, e pela janela ele saiu do castelo em direção a floresta. Seguiu reto em direção a pedra, e não demorou a que localizasse Vinicius e Talles totalmente rodeados por centauros.
Ele se aproximou vagarosamente para não causar desconfiança nos centauros.
_ Com licença.
_ Quem é você? _ O centauro que estava à frente tomou a conversa.
_ George Crowing, professor de Hogwarts. Eu vim pedir, por favor, para que liberem meus alunos.
_ Eles estão de intrusos na floresta.
_ É, eu sei disso _ Crowing olhou com olhar rigoroso para Vinicius e Talles, que estavam aliviados por receber a ajuda do professor. _ Mas podem acreditar que eles não vão mais se intrometer no território de vocês.
_ Você sabe que estamos com nosso território cada vez mais restrito?
_ Claro que sei, e por isso garanto que, nem esses dois, e nenhum aluno de Hogwarts vai incomodá-los de novo.
_ E quem me garante?
_ Eu garanto e também comunicarei House sobre isso, assim tendo providências mais rigorosas. Como eu já disse, esses dois serão punidos severamente e não vão mais entrar na floresta. _ Crowing se curvou fazendo uma reverência ao centauro. _ Acima de tudo, eu peço mil desculpas a vocês.
_ Desculpas aceitas, com as condições propostas.
Vinicius sentiu no ar um cheiro diferente, sabia que alguma criatura se aproximava, e de trás de uma árvore avistou a silhueta de um lobisomem, que se aproximava sorrateiramente dos centauros. O garoto virou bruscamente em direção ao lobisomem, chamando a atenção de todos para a fera.
_ O anel! _ Vinicius sabia que seu anel atraía outros lobisomens, e eles o seguiam pelo objeto.
Um lobisomem mais velho, mais encurvado que os outros e de pêlos grisalhos vinha logo atrás, e de várias outras árvores ao redor, muitos lobisomens foram aparecendo, cercando os bruxos e o garoto. Sem pestanejar, os bichos os atacaram.
Crowing lançava feitiços e magias por todos os lados, mas aparentemente não tinha grande potência contra os lobisomens. Sem pensar, levantou vôo e do alto, lançava feitiços de proteção nos centauros. Gemidos caninos eram ouvidos por toda parte, assim como se via por todos os lados lobos e centauros caindo e se reerguendo.
Talles correu em direção à floresta, e de longe atacava os lobisomens que mostravam cada vez mais força. Vinicius intencionalmente se transformou em lobisomem, e entrou na briga com força total, atacando vários lobisomens e levando vantagem sobre eles.
O lobisomem mais velho se aproximou de Vinicius, que notou sua presença e ambos iniciaram um duelo mortal. Vinicius, que sempre demonstrava superioridade quanto aos outros, não conseguia se defender dos ataques da fera, e dessa vez, se viu fraco mediante o semelhante.
Do alto, Crowing não conseguia ver os meninos, e continuava em defesa dos centauros, que já se mostravam, no geral, mais fracos que os lobisomens.
Talles viu a direção em que Vini correu, e por fora do confronto, deu a volta para poder visualizar novamente o amigo. Lançava magias de defesa e proteção todo o tempo, e também com um pouco de sorte conseguiu efetuar o trajeto sem maiores obstáculos.
Em sua luta, Vinicius fincou a garra no braço esquerdo do velho lobo, e seu grito era ensurdecedor. Vini foi arremessado ao chão e atingido no rosto pela garra direita do lobo, que a essa altura, já havia ferido o peito do garoto, que estava fraco e com dificuldades para respirar. Sem forças para reagir, sentiu a dor das garras do velho atravessando seu ombro e o pendurando encostado contra uma árvore.
O olhar que vinha por entre os pêlos grisalhos eram de um assassino, e mostrava acima de tudo a ganância. Vinicius sabia que ele queria seu anel. Preparando o mortal golpe de misericórdia contra o garoto, o velho lobisomem foi surpreendido com o grito de Talles.
Talles, que carregava com ele a varinha dos Kassuphel, viu seu melhor amigo a ponto de ser morto, e a partir de então não foi capaz de conter sua fúria. De seus olhos saíram uma luz, um brilho, e ele então conheceu o verdadeiro poder de sua varinha.
_ Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
De seu grito partia o desespero, e de sua varinha partia, em forma do mais forte clarão, a magia em direção ao velho. A onda de poder que dali emergiu encobriu o lobisomem que ficou impotente mediante tamanha força. O choque de energia contra ele o jogou para longe dali, e no chão a dor em seu peito se espalhava por todo o seu corpo. O impacto que o havia atingido1)2)3)4)5)6)7)8)9)10)11)12) ainda era sentido cada vez mais doloroso.
Talles, sem hesitar, virou-se ainda com a luz em seus olhos para os outros lobisomens, e cada vez mais forte sua varinha mostrava seu poder. A destruição causada pelo jovem bruxo fez com que Crowing e os centauros tivessem que se proteger também.
O poder da varinha cessou e Talles então pareceu retomar o controle de si, e olhava em volta como se não entendesse o que havia ocorrido. Ele sabia que fora ele quem havia feito tudo aquilo, mas até então não sabia como. No instante seguinte, uma risada alta e que demonstrava muita felicidade começou a ser ouvida do alto.
Lobisomens, inexplicavelmente começaram s ser lançados do chão para longe do campo onde batalhavam e numa vassoura apareceu a sombra de um homem de capa, que continuava rindo quase que histericamente.
Vinicius, que apesar de caído, estava consciente, atiçou seu olfato para reconhecer o cheiro do tal homem, e novamente foi surpreendido com alguém que não emanava odor algum.
Com sua varinha em punho, o homem, que até então só se via sua silhueta, girou a varinha em torno de seu corpo e uma enorme energia foi lançada a partir dali. Essa energia se espalhou por todo o local, alcançando cada um dos lobisomens, que um a um, foram retomando sua forma humana.
Não havia então mais lobisomens naquele local, somente bruxos que com terror nos olhos olhavam em volta. Eles definitivamente não sabiam onde estavam, e começaram a desaparatar, desaparecendo por completo.
O homem misterioso, responsável pelo grande feito, deu meia volta com sua varinha e foi embora, mas sua risada ainda foi ouvida por alguns instantes por entre as árvores, até que ele tomasse distância suficiente para que o som não mais fosse propagado até ali.
Todos que ali permaneceram se entreolharam sem entender quem poderia ser aquele homem, mas sabiam que graças a ele, a incansável luta havia acabado.
Talles correu em direção a Vini e abaixou sobre o amigo, que muito machucado murmurava:
_ Era ele...
_ Ele quem?
_ Ele... Ele não tinha cheiro... _ O garoto gemia enquanto tentava falar. _ Era ele... Ele pegou o livro.
Talles naquele momento entendeu que Vinicius não havia sentido o cheiro do homem e sabia que era o mesmo homem que havia pegado o livro na biblioteca.
_ Agora tente não se esforçar, garoto. _ A voz de Crowing era autoritária. _ Vou te levar a Hogwarts, Madame Ponfrey saberá como cuidar de você.
Ao chegar perto do garoto ao chão, o profundo corte em seu peito, as marcas em seu rosto e a perfuração em seu ombro fizeram o professor se questionar como o garoto ainda se manteve vivo.
Em Hogwarts, as crianças esperavam aflitas por notícias. Viram o brilho da pedra, mas não sabiam de onde vinha. Mantinham a esperança de Crowing ter encontrado os meninos e ter conseguido ajudá-los.
Ao chegar a Hogwarts, Crowing, com o pequeno Vini ainda encima de sua vassoura, levou o garoto para a Ala Hospitalar.
_ O que aconteceu com ele? _ Madame Ponfrey estremecer todo o castelo com seu grito.
_ Ele precisa de cuidados urgente! Ele foi atacado...
_ Lobisomens, Crowing?
_ Exatamente. _ Crowing olhava sem jeito para a mulher, que de tão rápido que andava pela enfermaria, mal se podia seguir seus passos com a vista.
_ Eu não sei por que se meteram com lobisomens, mas o House saberá disso.
Crowing não se atreveu a contradizê-la.
Talles, ao ver que Vini já recebia cuidados, foi até o Salão Comunal, pois sabia que lá haveria quem esperasse notícias. Assim como previsto, as meninas andavam de lado para outro, aflitas.
_ Talles, o que aconteceu? _ Raissa estava desesperada. _ Cadê o Vinicius?
_ Está na Ala Hospitalar.
_ E o que aconteceu com ele?
_ Nós fomos surpreendidos por centauros e por isso acionamos a pedra. O Crowing, teoricamente, havia conseguido nos tirar dali, mas apareceram vários lobisomens, e começou uma guerra entre nós e os centauros contra os lobisomens.
_ E quem machucou o Vini?
_ Não sabemos quem é. Havia um lobisomem mais velho, de pêlos já brancos... E ele atacou o Vinicius, e por pouco não o matou.
_ Meu Deus, mas...
_ Calma, Raissa, ele já está com a Madame Ponfrey.
Raissa respirou pouco mais aliviada, e Talles continuou a falar:
_ Eu... Eu conheci o poder da minha varinha.
_ Como assim?
_ Quando eu vi o Vini quase morrendo, eu perdi o controle e soltei uma magia. E a força foi tamanha que eu não sei explicar. Eu destruí tudo.
_ Foi isso que afastou os lobisomens?
_ Não. Isso os fez recuar um pouco, mas quem realmente fez com que tudo acabasse foi o mesmo homem que pegou o livro na biblioteca.
Naquele momento, Sabrina passou a frente de Raissa, e não conseguiu disfarçar seu interesse pelo livro.
_ E quem era?
_ Não sei, Sabrina, não deu pra ver o rosto dele.
_ E como sabia que era ele?
_ Além de reconhecer a silhueta dele, novamente o Vinicius não sentiu seu cheiro. Eu não sei como ele faz isso, mas ele não trem cheiro nenhum.
_ E como ele acabou com tudo?
_ Ele é mais forte que pensávamos. Com um feitiço ele fez todos os lobisomens votarem a ser humanos, e com isso eles desaparataram dali.
Talles então olhou ao redor, e notou que Sophia não estava no Salão Comunal.
_ Cadê a Sophia?
_ Nós também temos uma notícia. _ Sabrina com pesar abriu um pedaço de pergaminho que estava em sua mão e começou a ler em voz alta:
“Meus amigos,
Sinto em fazer isso através de uma carta, mas não suportaria fazê-lo pessoalmente.
Precisarei ficar fora de Hogwarts, pois terei que acompanhar minha mãe a uma viagem e como as coisas não andam muito bem, não sei quanto tempo ficarei longe.
Espero que entendam o fato de não poder me despedir decentemente, mas não tive escolha, minha mãe tinha pressa em partir. Tudo que espero é que eu possa retornar em breve, pois Hogwarts se tornou minha casa, e vocês parte de minha família.
Leslie, minha companheira de grandes aventuras, continue com suas idéias mirabolantes e seu bom humor, isso sempre ajudará os outros a se animarem, até mesmo nas situações difíceis. Tenha muito cuidado quando colocar seus planos em prática, um plano bem executado é sucesso na certa, e você sabe bem disso.
Shi, obrigada pela sua amizade, seu bom senso e seu silêncio. Obrigada por estar sempre no local certo, na hora certa. Sorria um pouco mais, afinal, seu sorriso é lindo.
Sá, obrigada pela sua alegria, sua força de vontade é realmente encorajadora. Não permita que digam que você não é capaz, você pode fazer muito mais do que imagina.
Madu, obrigada por nos acompanhar em nossas aventuras, sua personalidade ainda a levará longe. Só não se esqueça que o silêncio também é sinônimo de coragem.
Talles, obrigada por me mostrar como é ser confiante, o que é lealdade e como é com ter histórias pra contar. Lembre-se sempre que a evolução não acaba, sempre podemos nos superar.
Vini, com você aprendi a importância de se proteger aqueles que amamos. Em nossas aventuras, você sempre foi o nosso protetor, passando por cima dos próprios problemas para nos ajudar. Seja sempre assim, e mostre para todos o ser maravilhoso que você é.
Rá, minha amiga e companheira em todos os momentos, com você aprendi que laços afetivos existem muito além do sangue. Obrigada por estar ao meu lado e por colocar freios em todos quando necessário. Nunca se esqueça que a perfeição nem sempre está em se seguir às regras. Diga ao César para cuidar muito bem de você e o agradeça pela confiança que ele nos deposita.
Amo vocês, independente da distância que nos separa, pois, o que vivemos e o que conquistamos uns dos outros, são mais fortes do que esse pequeno contratempo.
Sentirei falta de todos vocês e esperarei ansiosamente o dia em que poderei retornar.
Obrigada por me mostrarem que a amizade está muito além de nossas famílias ou o que fazemos. Por mais que esteja longe, ainda sou parte de vocês.
Beijos.
Sophia Hunter.”
_ A Sophia foi embora? _ Talles não sabia como reagir.
_ Aparentemente sim, encontrei a carta encima de sua cama.
Era visível que, tanto Talles quanto as outras meninas não sabiam o que falar, mas o baque da saída de Sophia os afetou de forma incalculável. O silêncio representava o sentimento das crianças.
No dia seguinte, logo que amanheceu os Perpétuos decidiram visitar Vinicius. O caminho até a enfermaria foi regado somente pelos sons dos passos dos pequenos, que tão jovens, eram obrigados a saber lidar com situações dolorosas e ainda manter a infantilidade em seus atos.
_ Com licença, Madame Ponfrey.
_ Sim, entrem crianças. Mas que a visita seja rápida, afinal vocês ainda tem que tomar café e ir para a aula.
Somente com um leve balançar de cabeça as crianças concordaram com a experiente enfermeira. Com Raissa puxando a fila, todos os outros foram ansiosos até o garoto, que já estava acordado em sua maca. Seu sorriso ainda expressava um pouco de dor, mas a felicidade de ver os amigos o fez esquecer-se dela por um tempo.
_ Como você está, Vini? _ Raissa segurava a mão do colega.
_ Estou ótimo. Conforme Madame Ponfrey, poderei sair daqui ainda hoje, ao final da tarde.
Vinicius recebeu a notícia da saída de Sophia com o mesmo pesar dos outros companheiros, sabiam e sentiam que a falta da amiga doeria muito.
Raissa sempre via César e fazia questão de erguer o peito para passar pelo garoto, que por sua vez, sempre conseguia chamar a atenção da menina com algum tipo de provocação.
_ Raissa?
_ O que você quer?
_ Tenho uma amiga que precisa muito de ajuda em um trabalho de Defesa Contra as Artes das Trevas. Será que você poderia ajudá-la?
_ Óbvio que não.
_ Que pena. Terei de tirar tempo para ficar a sós com ela.
Raissa fingia ignorar, mas por dentro, queria deixá-lo ao menos um olho roxo. E assim a garota sempre agüentava as provocações de César, que pareia treinar para lhe afetar, e quando a coisa ficava um tanto insuportável, ela ia chorar no banheiro da Murta, que sempre a enchia de perguntas com sua voz extremamente estridente.
_ De novo você chorando por aqui? Eu devo dizer que não é muito saudável chorar por aqui, sabia? _ Murta dizia essas coisas enquanto vagava pelo banheiro atravessando todas as paredes que podia.
_ Por favor, eu não quero conversar. Só quero ficar um pouco sozinha.
_ Quer ficar sozinha, pode ficar. Mas aqui é o meu banheiro, então aqui eu sempre vou estar. Se quiser te mostro lugares que ninguém vai.
Mas eu venho aqui justamente por isso, quase ninguém... _ Raissa notou que não era muito bom continuar a frase.
_ Pode falar, menina chorona. Ninguém gosta de encontrar a “Tal Murta Que Geme”. E eu nem sei por que me chamam assim.
Raissa sentiu pena do fantasma que choramingava sua solidão.
_ Desculpa. É que eu gosto de alguém, mas ele não gosta de mim, e ainda por cima fica me provocando.
_ Se ele te provoca, é por que aí tem coisa.
_ Não tem nada, ele é um inconveniente convencido, isso sim.
_ E de certo ele é o único rapa que mexe com você em toda Hogwarts.
_ Claro que não. Tem outro aluno da Grifinória que sempre me olha.
_ Então por que você não fica com ele?
Raissa fez uma expressão indignada quanto à menção de Murta.
_ Calma, menina tola.
_ Não sou t...
_ Você não precisa ficar com ele, mas o seu pretendente não precisa saber disso.
_ Como assim?
Murta se dirigiu a um dos banheiros e chamou Raissa.
_ Vem aqui, menina boba.
Raissa não gostou do adjetivo, mas foi até onde Murta a chamou. Encima de um vaso sanitário havia uma caixinha de aproximadamente 20 centímetros.
_ É sua. Eu sempre mantive essa caixinha de maquiagem aqui escondida, caso um dia precisasse usar para um dos meninos. Mas... Não deu tempo, sabe?
_ Imagino.
_ Use essa maquiagem e vá de encontro ao garoto que te olha. Aposto que se pretendente vai morrer de ciúmes de você. _ E com um sorriso feito de pequenos estalos de gemido, Murta Que Geme se enfiou em um dos vasos sanitários num grande mergulho, espirrando água em Raissa.
Raissa desceu com a caixinha até seu quarto, foi até sua cama e começou a passar um pouco da maquiagem nos olhos. Olhava no pequeno espelho de mão a cada pincelada, mas estava decidida.
_ O que você está fazendo, Raissa? _ Leslie invadia a cama de Raissa procurando saber do que se tratava.
_ Nada demais. Estou só me arrumando.
_ Notei, mas pra que?
Shiori, que antes conversava com Leslie, vagarosamente se aproximou também, e aos poucos entrou na conversa.
_ Geralmente, quando nos maquiamos, temos um objetivo.
_ O César me beijou há algum tempo atrás. Mas... Ele me beijou e nunca mais chegou a mim. Está sempre no meio da trupe de palhaças dele e me provocando. Mas eu vou me arrumar e vou me encontrar com o Ross.
_ Ross?
_ É. Aquele que entrou para o time de quadribol. O César vai sentir na pele o que ele está fazendo.
Leslie e Shiori, que adoravam esses tipos de situações, logo ajudaram a amiga a fazer daquela maquiagem um visual extremo, com cabelo, roupa e maquiagem.
Havia acabado de encerrar o jantar e como de costume, quase todos os alunos da Grifinória estavam no Salão Comunal. Raissa então, com um pouco de vergonha, mas cheia de coragem, desceu as escadas lentamente, e aos poucos chamou a atenção de todo o Salão Comunal para ela, inclusive a de César, que arregalou os olhos ao ver a garota, que estava mais bela do que nunca.
Ao notar que César a olhava fixamente, Raissa andou em direção a Ross, que ficou visivelmente surpreendido pela garota.
_ Quer... _ A voz da garota quase não saia. _ Quer ir até... Até a biblioteca comigo? Tenho algo que quero te mostrar por lá.
Ross, que não entendia muito bem o que estava acontecendo, aceitou o convite, e foi junto com a menina em direção ao buraco do quadro da mulher gorda.
Todos ali presentes ficaram surpresos, e muitos, que notavam as provocações de César para com a menina, olharam para ele com um tom de ironia nos olhos. O garoto ficou sério por algum tempo, mas ao notar que era observado, voltou a agir normalmente, como se não fosse afetado por Raissa.
Raissa conversou um pouco com Ross e mostrou alguns livros ao garoto, que logo se entediou com ela tanto quanto ela se entediou com ele, e a dúvida a corroia: Será que seu plano havia funcionado?
No dia seguinte, depois de enfim Raissa ter se livrado de Ross com a mesma sutileza que se aproximou, ela ia para o almoço, quando viu César, incrivelmente sozinho, no último corredor antes da entrada do Salão Principal. O garoto a observava com um sorriso nos olhos. Ela passou direto por ele, fazendo questão de meter-lhe o ombro na cara, mas foi surpreendida quando o garoto pegou em sua mão.
_ Sinceramente eu não sei qual era a sua intenção, mas acredite, toda a Grifinória sabe quem você é agora.
_ Com licença! _ A menina tentou em vão puxar seu braço.
_ Precisava de tudo isso para chamar a minha atenção?
_ Precisava do que, César? Acha que você é o único garoto que já esboçou algum interesse por mim? Aliás, acha que você é o único garoto pelo qual eu me interessei?
_ Alguém aqui está na defensiva! _ A ironia de César era de dar nos nervos. _ Por que não me procurou mais depois do que aconteceu?
_ Eu não sei do que você está falando.
_ Você adorou o beijo que te dei. _ Raissa ardia em vergonha. _ E eu adorei o beijo que te dei.
_ Eu não entendo você. Por que eu teria que te procurar?
_ Por que eu não queria correr o risco de ser desdenhado pela dona do melhor beijo que já provei.
César se aproximou de Raissa e sem esforço algum lhe arrancou um beijo.
_ Posso te procurar amanhã?
Raissa, que a essa altura já tinha baixado totalmente a guarda, concordou levemente com a cabeça. Aparentemente as coisas se ajeitaram com o casal daí por diante, e as bochechas rosadas de Raissa não a deixavam esconder isso.
“Eu, Professor Nérus, informo que na próxima segunda-feira da próxima semana acontecerá a Segunda Fase do Primeiro Campeonato Interno de Duelos entre Alunos.
Todos os classificados na primeira fase deverão comparecer ao Salão Principal às 15 horas, munidos de suas varinhas e vestes de suas casas. Levem consigo também uma pena, um tinteiro, e um pedaço de pergaminho.
Os duelos ocorrerão em duplas e os critérios para separação e seleção das mesmas serão revelados no dia em questão.
Sem mais.
Professor Nérus.
Richard House, diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.”
A notícia simplesmente movimentou toda a escola.
Com a segunda fase do campeonato de duelos chegando, a sala reservada para os treinos no terceiro andar novamente formava filas para ser utilizada. César ainda continuava com toda a sua popularidade de monitor, mas agora andava acompanhado somente por Raissa.
Chegado o dia dos duelos, lá estavam todos no Salão Principal, preparados, ou não, para o grande desafio.
_ O que o Nick está fazendo aqui? _ Talles parecia não acreditar no que via quando viu o jovem encrenqueiro da Sonserina pronto para duelar.
_ Pelo que soube, ele foi automaticamente classificado para a segunda fase. _ Shiori franzia os olhos para o garoto. _ Eu só não entendo como, se ele não duelou, não deveria passar.
_ Automaticamente? _ Raissa se indignava. _ Então quer dizer que se eu passar mal agora, eu estarei classificada para a terceira fase!
_ Não tente entender, Raissa, só vai te fazer mal. _ Shiori se conformava.
_ Espero, pelo menos, que ele não caia com nenhum de nós, senão vai amarelar de novo. _ Vinicius sentia um pouco de orgulho de saber que Nick supostamente já teve medo de enfrentá-lo.
_ Espero que ele seja derrotado com um feitiço que o deforme. _ Sabrina não conseguiu conter a raiva do garoto, mas também não queria duelar com ele, sua insegurança ainda a dominava.
_ Eu os assistirei dessa vez. _ Os olhos de Shiori derretiam em malícia.
_ Boa tarde a todos! _ A voz de House invadia toda Hogwarts. _ Espero que estejam preparados para a segunda rodada do Torneio. Como já devem estar cientes, formarão duplas para duelar, e para isso criei algumas perguntas. Todos os monitores estão espalhados pelo salão com algumas dessas perguntas. Vocês se dividirão em grupos com cada professor. Dentro de cada grupo serão feitas perguntas, e os donos das melhores respostas terão o direito de escolher suas duplas. Se a resposta não for suficientemente boa, as duplas serão divididas entre os que erraram ou não foram escolhidos pelos que acertaram.
Assim que House terminou seu discurso, os alunos de cada casa se aglomeraram junto com seus monitores, e as perguntas começaram a ser feitas. As perguntas todas eram relacionadas às matérias, como História da Magia, Feitiços e Poções. Talles se saiu muito bem em sua resposta e pôde escolher Vini como seu parceiro. Leslie, que respondeu a uma pergunta sobre quadribol escolheu César. Raissa ficou enciumada, mas por sua boa resposta, escolheu um dos melhores amigos de César como companheiro. Billy Gray era do quinto ano. Madu foi escolhida por Dino, do terceiro ano e Sabrina por Margareth Cooper, do segundo ano.
A partir de então, iriam ser estipuladas as duplas adversárias. House até pensou em fazer a seleção pela taça, mas sabia que a confusão iria ser dobrada quando se lembrou da primeira fase. Então, as duplas foram todas identificadas por números e foi feito um sorteio simples através desses números. Foram formadas 50 duplas, portanto, 25 duelos simultâneos.
House não utilizou papéis voadores que guiavam a dupla até o seu destino, mas utilizou a taça para o sorteio, e cada duelo se posicionaria um ao lado do outro, tomando determinada distância, para que tudo ocorresse da forma mais segura.
_ A dupla de número 18 duelará com a dupla 50.
_ Somos nós! _ Leslie olhou seu pergaminho com o número 18 escrito a tinta e correu a frente para encarar quem seriam seus rivais nos duelos. Lá chegando, enxergou Patrick Russell e Amelia Owen. Patrick do quarto ano, e Amelia do quinto. Leslie sentiu um frio que subiu da espinha e parou na ponta dos dedos depois de passar por todo o corpo. César aparentava estar tranqüilo e confiante, o que relaxou um percentual bem baixo da tensão de Leslie.
_ Dupla 35 contra dupla 17.
Talles e Vinicius duelariam com Nathan Campbell do terceiro ano e Tyler Williams do quarto, da casa de Corvinal.
_ Dupla 5 enfrentará a dupla 15.
Raissa e Billy versus Sam e Charlie Green, gêmeos que estudavam no quarto ano.
_ Dupla 16 terá como rival a dupla 22.
Maria Eduarda se deparou com alunos de Lufa-Lufa. Eram eles Laura Johnson, do terceiro ano, e Alex Lee do segundo.
_ Dupla 19 duelará com a dupla 42.
Sabrina já estava insegura por não se sentir preparada para estar no campeonato, e quando olhava Margareth, sentia que a aluna era tão inexperiente quanto ela. A menina ficou por alguns minutos esperando a dupla adversária chegar, e ela sentiu aquele mesmo frio que atingira Leslie quando conheceu seu adversário. Com um sorriso malicioso, Nick ajeitava o nó de sua gravata verde, enquanto seu parceiro Jonathan Carter a encarava. Sabrina conhecia Jonathan somente das aulas de Feitiços e nunca havia falado com o garoto, mas pelo jeito que ele a observava, ela tinha certeza que ele ouvira muitas coisas mais sobre ela.
_ Justo você, gatinha.
_ Não vai fugir hoje, Nick?
_ De forma alguma, eu jamais perderia a oportunidade de derrotar a corajosa Sabrina Spencer. _ A ironia do garoto congelava Sabrina.
Todos estavam posicionados, e enquanto era aguardado o início dos duelos, Nick, que encarava secamente Sabrina, deixou escapar uma magia de sua varinha.
_ Depulso! _ A magia virou o rosto de Sabrina para o lado, e sem revidar, a garota se segurou e guardou aquela sede para o momento do duelo.
Um texugo enorme e com sua cor transparente saiu em disparada numa corrida entre os alunos. Ele tinha o aspecto espectral, assim como os fantasmas, e seu contorno cintilante. A atenção de todos se voltou para o texugo, que em meio a sua rota foi repentinamente abocanhado por uma gigantesca serpente. O enorme texugo se desfez e deu espaço para o rastro ágil da cobra, que enquanto erguia sua cabeça foi surpreendida pelas garras de uma águia, que num rasante descia em busca de sua presa. A águia tomou sozinha a atenção dos olhares, e antes que levantasse seu vôo, foi desmanchada pelas patas de um gigantesco leão, que com seu rugido chacoalhava todos os cabelos que o rodeavam.
Um grito de altura equivalente a força do leão o desfez e nele foi ouvido o grito de ordem de House:
_ Que comecem os duelos!
Assim como nos duelos anteriores, a explosão de gritos e feitiços não fazia possível uma conversa dentro do Salão Principal, e neste momento, Sabrina já havia sido arremessada para trás com uma magia de Nick, que atacou a menina antes que tivesse autorização para tal.
Talles e Vinicius tiveram um duelo rápido e sem maiores dificuldades. Nathan e Tyler iniciaram os ataques, que foram protegidos pelos jovens Perpétuos. Nathan não conseguiu desviar e nem se defender do primeiro feitiço lançado por Talles, e caiu desmaiado ao chão. Tyler ficou totalmente vulnerável, ficando com dois contra ele.
_ Expelliarmus!
Desarmado por Vinicius, não teve condições de buscar sua varinha.
Ainda enquanto comemoravam, tiveram tempo de ver o final do duelo entre Leslie e Amélia.
_ Riktus Sempra! _ E com louvor ela tirou Amélia de combate.
César, após estuporar Patrick, somente observava as duas garotas.
Sem pestanejar, Talles correu em direção a Leslie, e a abraçou para lhe congratular a vitória:
_ Parabéns, Leslie!
_ Obrigada, Talles. _ A menina se pegou corando perante o amigo. _ E você? Ganhou?
_ Ganhei!
_ Eu sabia que ganharia...
E agora as bochechas vermelhas ficaram por conta de Talles.
Os amigos foram então a procura dos amigos que ainda duelavam, e encontraram Raissa e Billy, que estavam num confronto muito intenso contra Sam e Charlie.
Shiori estava acompanhando o duelo da amiga, e agora junto com Leslie, formavam até torcida organizada em favor da amiga:
_ Raissa! Raissa! _ As duas gritavam em coro o nome da amiga, e cantavam músicas típicas de se ouvir em estádios de futebol.
Num momento de vacilo entre os irmãos, que notoriamente haviam treinado muito juntos, Raissa enfim desarmou Charlie, que correu para trás do escudo feito pelo Protego de Sam. A garota, juntamente a Billy, intensificou os ataques a Sam, que não conseguiu manter o feitiço por muito tempo. Desarmado, Charlie foi atingido por Billy, e assim como no duelo e Talles e Vinicius, repetiu-se a situação em que um ficou contra dois.
Enquanto Sam se defendia do feitiço de Billy, Raissa fervorosamente gritou:
_ Estupefaça! _ E sem sequer saber a direção de onde vinha o impacto, o garoto foi jogado longe e caiu desmaiado.
Leslie e Shiori explodiram na gritaria, enquanto César não escondeu de ninguém um incrível beijo na garota.
Nesse momento Madu se aproximava da turma desolada.
_ O que houve, Madu? _ Talles sabia o que havia acontecido, mas queria assim mesmo prestar solidariedade à prima.
_ Perdi o duelo e fui desclassificada para a próxima fase.
_ Sinto muito! _ Leslie também se mostrou chateada pela garota.
_ Tudo bem, da próxima vez eu treino mais. _ Em questão de um minuto, Madu já havia assumido novamente seu jeito marrento e elaborado boas respostas para qualquer brincadeira que lhe fosse feita.
O duelo de Sabrina foi desde o princípio muito complicado, Nick não queria apenas derrotar a garota, mas também lhe deixar marcas da derrota. Sabrina já havia gritado o nome de House devido a ter recebido um chute de Nick. Sua parceira Margareth já estava desacordada, mas em contraparte, Jonathan também estava.
A garota conseguia esquivar de boa parte dos ataques de Nick, mas não conseguia êxito quando tentava lançar feitiços contra o garoto. Desarmada por Nick, a garota correu em direção a sua varinha para pegá-la e voltar a ter chances, quando Nick lhe passou a perna e deu-lhe uma rasteira, derrubando-a no chão.
_ Diretor House! _ A menina tentava mostrar sua vez em meio ao barulho de feitiços na esperança de que a sujeira de Nick fosse vista.
Não contente com a garota no chão, Nick pisou em sua mão, e antes que a garota pudesse gritar, sentiu um impacto violento que quebrou seu dente:
_ Depulso! _ Com extrema arrogância, Nick acertava seu rosto a queima roupa, e já mirava outro feitiço a ser lançado em seu rosto. Enquanto Nick preparava sua varinha e seu grito, teve sua mão segurada por Crowing, que ouviu o grito de Sabrina e já os observava há alguns minutos.
Nesse momento as outras crianças e vários outros alunos que já haviam encerrado seus duelos observavam Sabrina, que mantinha parte do rosto lavada em sangue.
_ Você quer matá-la? _ A voz de Crowing estremecia os braços de Nick, que respondia sem temor algum.
_ Isso é um duelo!
_ Duelo mágico! _ Crowing observou House se aproximar. _ Você a agrediu!
_ Mentira! Eu só usei magia nela!
Sabrina tentou revidar, mas foi interrompida por Crowing:
_ House, esse moleque descumpriu as normas dos duelos e chutou a garota, além de pisar na mão dela e fazer esse estrago que você está vendo.
_ Conforme as regras, Nick e Jonathan estão desclassificados, e Sabrina e Margareth vão para a próxima fase.
Em meio às mãos sujas de sangue que cobriam sua boca, Sabrina sorriu para Nick com a sensação de que justiça foi feita. Assim, Leslie, Raissa e Madu a acompanharam até a Ala Hospitalar, que novamente estava descabelando Madame Ponfrey, que com seu jeito estourado andava pra lá e pra cá a curtos passos.
Shiori apertava os olhos na direção de Nick, que ao notar a intenção da japonesa, rapidamente tomou rumo das masmorras, onde ficava o Salão Comunal da Sonserina.
Sabrina teve uma recuperação rápida, porém não indolor. Shiori passou a marcar Nick toda vez que o mirava e Raissa e César enfim tinham momentos de paz juntos.
Dias se passavam e enfim se aproximavam as férias de Natal, os pequenos se mostravam ansiosos para ver seus parentes, exceto Madu que este ano decidira passar o feriado na escola. Raissa se dedicava ao máximo nos estudos, nas provas e nas entregas do trabalho, permanecendo várias horas do dia na biblioteca ou escondida atrás de pilhas de livros. Vinicius continuava indo pra floresta nas luas cheias, e Talles sempre o acompanhava.
Shiori treinava sua arte marcial todos os dias, e sempre que possível tirava um tempo para meditar no pátio escondido de Hogwarts. César a acompanhava nos treinos. A saudade de Sophia era visível, principalmente nos momentos de reunião e brincadeiras entre o grupo.
Crowing andava sumido, e passava dias sem manter contato com os pequenos, e quem mais sentia falta de sua presença era Madu, que por sua vez estava sempre com quadro pedras nas mãos para atirar em seu pai.
Talles continuava comercializando os produtos Weasley sorrateiramente na escola e recebeu então um pacote com produtos exclusivos, sendo um deles de presente para Shiori.
_ Sério que eles conseguiram? _ Shiori excitava-se com um pequeno aparelho nas mãos. _ Meu MP3! Eles conseguiram!
Leslie e Madu foram correndo analisar o aparelho, já os outros bruxinhos não faziam idéia do que se tratava aquele artefato.
Há algum tempo Shiori havia proposto ao Weasley um aparelho de MP3 que funcionasse dentro de Hogwarts e depois de muito esforço, os irmãos ruivos mandavam para a venda dez aparelhos, e o de Shiori era uma cortesia. O pequeno aparelho assemelha-se a um MP3 trouxa comum, exceto pelo fato de não possuir fones de ouvido, basta querer ouvi-lo para ter suas orelhas abafadas pela música escolhida.
O produto era caro, e Leslie adquiriu um. Talles pensou em remover seu lucro do produto fornecido para a loirinha, mas sua timidez o impediu.
Raissa continuava cada vez mais e mais atolada nos livros devido a aproximação das férias, por isso, era comum vê-la andando sozinha pela escola, sempre nos caminhos da biblioteca, da estufa ou de qualquer outro lugar onde possuía um objeto de pesquisas ou livros e mais livros. O nariz enfiado nos pergaminhos enquanto caminhava promovia várias cenas desastradas e trombadas em outros alunos ou em eventuais paredes que Hogwarts colocava em seu caminho.
Seguindo por um caminho que sempre a levou até a biblioteca, a garota baixou o pergaminho e notou então um corredor diferente. Ela sabia que tinha feito o caminho certo, mas não esperava encontrar aquele local. Uma tapeçaria de cor vermelha deslumbrante e bem penteada estava posta a sua frente, formando uma parede. A cor viva da tapeçaria chamou a atenção da garota que ficou alguns segundos a observando, quando um pequeno vão se abriu no canto esquerdo. Era como que tivesse se aberto para que Raissa adentrasse ao buraco.
Ainda olhando ao redor para confirmar se estava sozinha e com desconfiada, a menina olhou para dentro do vão, que lhe apresentava um corredor diferente e não tão claro, mas que não lhe causava medo.
Em passos leves ela adentrou ao pequeno espaço e lentamente foi andando para frente, e no momento em que se sentiu segura, o espaço na tapeçaria se fechou a prendendo então naquele lugar. Obviamente ela fez uma tentativa de voltar, gritou, bateu na parede, desesperou-se, e nada adiantou. A segurança que a garota havia sentido também já não existia mais e a única decisão que lhe coube foi encarar o corredor e procurar onde ele acabaria. Sua respiração que no momento se mantinha demasiadamente ofegante não a tornava nem um pouco furtiva.
Mais alguns passos a frente ela conseguiu enfim achar o final daquele corredor, que se abria em uma sala não tão grande. Segurando a varinha com muita firmeza, ela meteu as caras para dentro da sala. Um cheiro quase insuportável tomava todo o ambiente, e provavelmente ela tinha encontrado o responsável por todo o fedor. Deitado, de costas para o corredor, estava um trasgo, dormindo um sono calmo e barulhento. Agora em absoluto silêncio, Raissa manteve-se parada como uma pedra, e observava todo o lugar.
Do outro lado da sala havia outra entrada para um lugar desconhecido, mas que até então poderia ser a saída daquele lugar. E como passar pelo trasgo?
Lentamente, com sua preguiça exposta, o trasgo começou a se movimentar e se levantar. Raissa manteve intacta, qualquer movimento brusco poderia assustar a enorme criatura, e o levaria a atacá-la. Com medo, foi difícil controlar as pernas quando o trasgo a direcionou o olhar.
Leslie estava no quarto das meninas, se concentrando em um trabalho de poções. Ela nunca se deu bem com essa matéria. Uma voz em sua cabeça ecoou, e ela sabia quem falava com ela.
_ Não sei por que ainda não trancou essa matéria.
_ Por que ela é obrigatória. _ Se alguém entrasse no quarto nesse momento a pegaria conversando com... Ninguém.
_ Deixa de fazer esse trabalho, vai dar uma volta pelo castelo.
_ Mas eu preciso entregar esse trabalho. _ Leslie não desviava o olhar de sua tarefa enquanto respondia.
_ Que seja, a escolha é sua. Mas eu iria dar uma volta pelo castelo.
_ O que tem no castelo? _ Leslie olhava para frente, sabia que a Escolha não dava ponto sem nós.
_ Nunca se sabe. _ O tem de sabe tudo às vezes irritava Leslie, mas a menina sabia que a sua Escolha não lhe fazia um pedido assim sem motivo.
Leslie guardou os seus livros no malão e desceu as escadas até o Salão Comunal da Grifinória. O salão tinha meia dúzia de pessoas espalhadas pelos sofás em frente à lareira. Leslie passou pelo buraco do quadro, onde a mulher gorda mal prestara atenção nela, pois estava no meio de um longo cochilo. Algo dentro dela sabia exatamente por onde ela deveria ir. Enquanto andava sem saber muito aonde iria, sua intuição a fez virar um corredor à direita. Leslie nunca havia reparado naquele corredor cheio de armaduras e estátuas, mas de alguma forma sabia que era ali que devia estar.
Uma tapeçaria de vermelho intenso chamou a atenção da pequena, e ela sabia que era aquela tapeçaria que a Escolha queria que encontrasse. Mas por quê?
Leslie, que não entendeu o objetivo da Escolha dessa vez virou as costas e deu alguns passos para sair dali, quando ouviu uma movimentação, e ao olhar, notou que um vão havia sido aberto no canto esquerdo da gigante parece vermelha, o que a instigou a entrar ali.
_ Lumus.
Da ponta de sua varinha surgiu uma luz, que facilitou a visão da garota no pequeno corredor. Às suas costas, ouviu o bater da tapeçaria se fechando, mas calmamente se manteve em seu caminho. Começou então a ouvir algumas vozes, e com a furtividade de um felino se aproximou para ouvir.
_ Eu não queria ter invadido sua casa, desculpe. _ E com o trasgo ainda a olhando, Raissa tentava se comunicar com ele.
Virando a cabeça para todos os lados o trasgo olhava Raissa sem entender muito bem quem ela era, mas aparentemente não pensava em atacá-la. Raissa, que já havia lido sobre trasgos, preferiu tentar manter a calma.
_ Eu só quero ir embora. Juro!
Ainda olhando com dúvida para a pequenina garota, o enorme trasgo esboçou algum som e parecia querer falar com a Raissa.
_ Você... Você mora aqui? _ A menina ainda tinha a voz estremecida.
Com a cabeça, a enorme figura concordou.
Observando em volta, Raissa reparou que o trasgo era grande demais para passar pelos corredores.
_ E como você entrou aqui?
_ Pi... Pe... Que...
_ Você veio pequeno para cá, é isso?
E novamente o bicho concordou balançando a cabeça.
_ E agora não consegue mais ir embora...
O incrível trasgo agora baixava a cabeça lamentando.
_ Olha... Eu... Só quero sair daqui, mas a passagem dali... _ Enquanto Raissa se virou para olhar a passagem que veio, viu Leslie a observando. _ Leslie! _ O trasgo também a viu, mas não a recepcionou tão bem quanto recepcionou Raissa.
Enquanto ele foi em direção a Leslie, Raissa segurou em seu braço.
_ Calma! Calma! Ela é minha amiga!
_ Miga? _ O trasgo a olhava com certa compaixão.
_ Isso, amiga! Assim como eu sou sua amiga.
_ Miga!
Nesse momento Raissa notou o quanto era sujo e nojento o braço do novo “amigo”, mas continuou o segurando.
_ Eu... Bob!
_ Seu nome é Bob?
_ Eu, Bob! _ O sorriso de Bob poderia ser facilmente confundido com uma ameaça.
_ Oi, Bob! Meu nome é Raissa.
_ Issa! Miga!
_ Isso mesmo, Raissa amiga. _ Raissa apontou o corredor o qual ainda não conhecia. _ Eu queria ir ali, pra tentar ir embora.
_ Não. Issa não vai “bora”.
Talles, Vinicius, Madu, César, Shiori e Sabrina voltavam do refeitório, tinham tomado um belo café e iriam se reunir ao Salão Comunal. Em um estalo, Vinicius sentiu um cheiro familiar, e viu aquele corredor desconhecido.
_ A Raissa e a Leslie passaram por aqui, e não faz muito tempo.
_ Você já tinha notado esse corredor antes? _ Talles estava intrigado.
_ Eu acho que já. _ César tomou a frente e seguiu pelo corredor seguido pelos colegas.
De frente para uma grande tapeçaria vermelha, o instinto de Vinicius o fez grudar o nariz na parede.
_ Elas pararam por aqui. _ O menino deu alguns passos para a direita. _ Aqui o cheiro fica fraco. _ E voltando para o lugar. _ É como se elas tivessem entrado aqui.
_ Essa tapeçaria, há algum tempo se abriu para mim, e quando eu entrei, ela se fechou. Provavelmente elas entraram e não conseguiram sair mais. _ César demonstrava agra incrível preocupação.
_ E como faz para entrar? _ Sabrina e Talles apalpavam a tapeçaria.
_ Eu não sei, quando entrei, ela simplesmente abriu.
_ Alohomora! _ Shiori esperou resultado, mas viu que sua magia foi inútil.
Sabrina se afastou e parou observando a tapeçaria, enquanto Talles tentava levantá-la, também inutilmente. Madu então foi até uma armadura e pegou um machado, e avançando brutalmente meteu com o machado na tapeçaria.
O estrondo promovido ali foi tremendo, mas ela teve como resultado, somente a reação física, caindo para trás com o machado. A tapeçaria permaneceu intacta, e Vinicius mirou sua varinha nela:
_ Finite Incantatem! _ Novamente nada aconteceu.
E depois de vários minutos tentando, Talles usava o máximo que podia do seu conhecimento em Encantamento, e conseguiu concluir a partir de então que a tapeçaria só abriria para quem não quisesse entrar nela, esse era o segredo.
_ Como assim só abre se não quiser entrar? Então nós nunca vamos entrar! _ Madu havia perdido a esperança.
_ Calma! Vamos pensar... Alguma forma tem que ter. _ A tentativa de César em acalmar a amiga funcionava também para todos os outros.
Foram necessários aproximadamente 20 minutos e uma porção de falhas tentativas em abrir a passagem. Como resultado, César já havia voado para trás na tentativa do feitiço “Bombarda Maxima”, Sabrina e Madu já estavam sentadas ao chão, exaustas depois de tanto darem machadadas e boas pancadas na tapeçaria. Talles já sentia uma leve dor de cabeça depois de tanto pensar e Vinicius sentia o cheiro de Leslie e Raissa cada vez mais forte. Todos estavam quase desistindo, quando Talles deu uma luz sobre o que poderia ser feito:
_ César... Você sabe executar o feitiço... Da memória?
_ Quer dizer... Obliviate?
_ Sim.
_ Sei sim.
_ Então, o que você acha de apagar a minha memória?
_ E assim você não vai querer entrar, e a tapeçaria se abre!
_ Exatamente! Mas e vocês?
_ Se escondem.
Sabrina e Madu já foram para trás de um pilar que sustentava uma armadura. Embaixo do pilar a frente estava Shiori e Vinicius.
César e Talles saíram do corredor e Talles ficou de costas para a entrada do mesmo. César desde já se escondeu, e ainda escondido apontou sua varinha para Talles, que não escondia estar tenso pelo fato do amigo estar apagando sua memória.
_ Obliviate... _ Um murmúrio e um leve feixe de luz saiu da varinha de César.
Talles abaixou a cabeça e levantou logo em seguida. César, ainda atrás de um pilar, chamou a atenção de Talles;
_ Psiu!
Talles virou para trás, espiou por de trás de seu corpo e nada viu, somente um corredor, o qual não se lembrava de já tê-lo visto por ali. Curioso, caminhou para saber se foi dali que havia ouvido alguém. Entrando no corredor, se deparou com a tal tapeçaria, mas que devido ao feitiço, não se lembrava de já tela visto também. O canto esquerdo da tapeçaria então começou lentamente a se curvar para fora, abrindo caminho para uma pequena passagem. Talles olhou a passagem, e com os olhos atentos foi entrando.
Nesse momento, César saiu de trás do pilar que havia se escondido, seguido por todos os outros que também se esconderam. A passagem começou a se fechar, e num esforço visível apontou a varinha para a passagem e a segurou com magia para que não se fechasse.
_ Entrem rápido!
Shiori, Madu, Sabrina E Vinicius pularam pra dentro da passagem, e Talles que já estava dentro ficou surpreso ao ver todos os amigos. Logo em seguida, César também pulou e soltou a magia. A tapeçaria chegou a dar um tapa em César devido a tamanha violência com que fechara.
_ Você não consegue mais sair daqui?
_ Não sai mais.
_ Então _ Raissa tentava convencer Bob de deixá-la passar por ele e chegar ao corredor para procurar uma saída. _ Se você me deixar ir até lá, prometo que vou tentar te tirar daqui. Mas para isso, você precisa me deixar ir.
_ Perigoso, Issa...
_ Mas eu vou com cuidado, prometo. _ O trasgo liberou o caminho de Raissa, mas barrou Leslie, que por sua vez, ficou travada a espera de ajuda da amiga. _ Bob! Leslie é minha amiga, deixe-a passar.
Leslie conseguiu passar com um pouco de relutância por parte de Bob, e quando estavam quase chegando ao corredor, um enorme estrondo e algumas vozes eufóricas invadiram o ambiente. Raissa e Leslie reconheceram as vozes, eram as crianças que entravam pela passagem da tapeçaria. Raissa voltou correndo, pois não sabia como o trasgo reagiria à presença das crianças.
César, que confessou já ter estado ali tomou a frente, e não demorou a que aparecesse a visão de Leslie e Raissa.
_ Zinha! _ A reação de Bob quando viu César foi de extrema felicidade.
_ Bob! Nossa, como você cresceu!
_ Zinha, amigo!
_ Isso aí, amigo. Desculpe a demora pra te visitar, eu não sabia como fazer para entrar aqui de novo. Essas pessoas me ajudaram a vir te ver, sabia? _ César então apontou os outros que haviam ficado para trás. _ São amigos também, igual ao Cesinha.
César enxergou Raissa e Leslie, que o observavam do outro lado do corredor.
_ Conheceu minha namorada, Bob?
_ Issa!
_ A Raissa é minha namorada. _ A menina então foi se aproximando de César e explicou que estava tentando chegar ao outro corredor para procurar uma saída. César não tinha certeza se aquele era o melhor caminho, mas sabia que era o único. Todos passaram pelo trasgo que os seguiu até chegar a uma espécie de sala, que ficava num nível bem abaixo. César conjurou uma corda.
_ Bob, você ajuda a gente?
_ Bob ajuda.
_ Você segura essa corda pra gente descer? Mas você não pode soltar até todo mundo descer, pode ser?
_ Bob segura! _ O incrível e atencioso trasgo pegou a corda que César enrolou em sua mão. César foi o primeiro a descer, seguido por Raissa, Shiori, Sabrina, Talles, Vinicius, Madu e Leslie.
A descida foi lenta, afinal, poucos ali tinham experiência nesse tipo de exercício como Sabrina, mesmo assim tudo ocorreu surpreendentemente bem. Quando todos já estavam lá embaixo, Shiori começou a andar lentamente em direção ao centro da sala, como se algo a chamasse a atenção, e foi então que todos viram o que ela olhava. Um púlpito estava ali pousado. Ao se aproximar, todos observaram em detalhes seus encaixes, os quais cabiam uma varinha, a cabeça de uma serpente, e uma pedra. Haviam runas desenhadas por toda a sua base.
_ O que será que está escrito aqui? _ Raissa, mesmo que estudasse muito, não conseguia lê-las.
_ Vocês não acham coincidência demais caber exatamente objetos como uma varinha e uma pedra? E essa cabeça de cobra? _ Madu, como sempre, estava com sua curiosidade tinindo.
Olhando para cima, centenas de capas grandes e pretas se moviam para lá e para cá, deixando bem clara sua leveza.
_ Eu acho melhor deixar isso aqui e irmos embora. _ Sabrina estava amedrontada.
_ Sabrina, com certeza isso aqui tem algo com a gente. Nós não chegamos aqui à toa e essas marcas não são coincidência. _ Talles parecia o mais interessado em ver algo acontecer.
Bob, que até esse momento ainda observava o grupo, se afastou e voltou para sua casa. César observou o outro lado da sala, e havia alguns vão abertos ao meio de um corredor de sujeira, provavelmente preenchido por Bob.
Shiori, que ainda mantinha um ar de encantamento quanto ao púlpito, começou a observá-lo em volta, e em sua lateral, encontrou um quarto encaixe, e ali cabia uma mão.
_ Olhem! Cabe uma mão aqui!
Shiori então encostou sua mão naquele encaixe que a cabia no púlpito, e logo o ambiente mostrou que estava encantado.
_ Corram! Eu vou tirar a Shiori daqui! _ César gritava mediante todas as capas caindo e deixando o ambiente ainda mais escuro do que estava. _ Vão! _ Uma das capas encostou em Shiori e foi embrulhando sua perna.
Talles, Vinicius, Madu e Leslie foram em direção ao fedorento corredor para tentar passar. Sabrina chegou a se direcionar, mas voltou ao notar que Raissa relutava em sair daqui.
_ Vai, Raissa, eu vou logo em seguida. _ César tentava convencer a namorada a sair dali.
_ Eu não vou sair daqui, César, não vou te deixar sozinho.
Sabrina, então, entrou na conversa:
_ Vamos, Raissa, ele consegue sair daí.
_ Olha todas essas capas, Sabrina, ele vai morrer aqui.
_ Mas Raissa, o César consegue se virar. Ele é melhor do que você pensa.
_ Eu não vou sair daqui, Sabrina. Você quer ir, pode ir, mas eu não vou sair daqui.
_ Raissa, escuta a Sabrina, se alguma coisa acontecer, é mais fácil sairmos em dois daqui do que em três. Vai com ela!
_ Eu não vou, César!
Sabrina segurou uma das mãos de Raissa:
_ Vamos agora, Raissa, se o César tiver que ajudar a Shiori a sair daqui, você só vai ser mais um pra atrapalhar.
Não vou! _ Raissa puxou a mão com força e nesse momento as duas garotas já tinham suas vozes bem elevadas. _ E não é você quem vai me tirar daqui, Sabrina!
Num estalo repentino, Raissa viu sentiu seu rosto agora virado para o lado. Com um ardido na mão, Sabrina ainda encara a amiga, após lhe dar uma bofetada no rosto.
_ Eu não queria fazer isso, mas vê se você se controla. Você não deve mesmo conhecer o César e não sabe qual é a capacidade dele. Vamos embora agora, por que ele se vira.
Raissa, ainda desconcertada com a pancada que havia tomado, saiu com Sabrina, que segurou a garota pela mão e lhe acelerou os passos. Todos encaravam Sabrina com ar de reprovação, mas a menina se manteve firme em seu caminhar. Todos estavam agora junto ao monte de sujeira que dava num corredor. Tudo era escuro lá por dentro, mas ninguém entrou antes que César e Shiori estivessem junto com eles.
_ Está pronta?
Todas as capas começaram violentamente a dar vários e vários rasantes em César e Shiori, e não mais subiam, fechando em negro todo o espaço vago do ambiente. Algumas só caiam, mas em velocidade que se fazia impossível desviar delas. A segunda capa que tocou em Shiori se prendeu nela, pressionando-a e não possibilitando que ela se movesse, agora estando quase que totalmente envolta. César conseguiu repeli-la, porém agora era ele quem era apertado por duas capas que agarraram um de seus braços a sua cintura.
_ Continue com a mão ai, e quando eu mandar, você solta!
_ Ok!
César e Shiori começaram a ser envolvidos por várias capas que o seguravam em todos os ângulos, fazendo difícil o controle de suas varinhas. O esforço para permanecer com a mão encaixada fazia com que Shiori transpirasse mais do que de costume em seus exercícios.
De longe os outros tentavam repelir as capas com suas magias, mas que se mostravam inúteis ou pouco eficientes.
_ São muitas! _ Vinicius disparava magias como balas são disparadas de uma arma.
_ Não pare! Eu não consigo vê-los. _ Raissa estava desesperada e pronta para culpar Sabrina por qualquer coisa que desse errado.
Shiori já estava totalmente imobilizada, e por sorte ou não, com sua mão grudada ao púlpito. Em um estreito movimento, César enfim conseguiu mirar sua varinha para o alto. Num grito de força, uma enorme luz branca e reluzente saiu de sua varinha. O clarão fechou os olhos das outras crianças por alguns segundos, mas também levou as capas para cima novamente.
_ Corre, Shi!
Shiori se viu solta e enfim conseguiu correr até o corredor. César a seguiu e se jogou em meio a toda aquela sujeira de Bob.
As capas ficavam somente naquele ambiente, portanto, estando um pouco ao lado, pelo menos delas todos estavam seguros.
_ Você está bem? _ A expressão de preocupação de Raissa comoveu César.
_ Estou. E você?
_ Bem. Agora bem.
_ Lumus. _ Seguido pelos outros, Talles foi à frente abrindo caminho em meio a carcaças de bichos, e vários objetos quebrados. _ Vamos sair daqui.
Todos o seguiram e em alguns minutos foi possível ver a saída da caverna. A esperança tomou conta de todos os rostos, mas sabiam que precisavam ficar atentos, pois não sabiam onde iriam sair. O espaço que levava a saída da caverna era íngreme e totalmente escorregadio, que dificultava muito a subida, mas que aos poucos estava sendo superada pelas crianças. Ao ver então a saída da caverna, notaram que Grink os aguardava, o que inspirou alívio em todos.
Poucos passos depois, um zunido vinha de dentro da caverna. O barulho era como se algo não muito grande cortasse o ar, enquanto passava por ele. Uma luz branca, do tamanho de uma bola de ping-pong, disparou pela saída da caverna, todos se assustaram, e Vinicius foi atingido no peito. A bolinha de luz atingiu o meio de seu peito e ricocheteou para fora, acertando também o professor que os aguardava. No mesmo instante em que foi atingido, o garoto foi arremessado para fora da caverna, e com a força em que foi jogado, acertou Maria Eduarda que andava a sua frente. O grito da garota fez entender a dor que sentia. Todos os outros aceleraram a subida e fora da caverna Madu viu seu ombro esquerdo quebrado. O impacto que o corpo de Vinicius batera no dela causou o ferimento, que a menina tentava estancar com a mão direita.
Vinicius começou a ver seus pés estourando seus tênis e suas mãos crescendo e se encobrindo de pêlos. O rosto sendo transformado e nele lhe aparecendo um focinho e crescendo as orelhas.
Totalmente transformado, o garoto fechado e que pouco falava agora era um lobisomem. Vinicius sempre chamou atenção pela imponência quando estava transformado, mas dessa vez, ele estava muito maior do que o de costume. Ao saírem da caverna todos se depararam com Vini impresso em uma imensa fera, Maria Eduarda, que falava com animais, foi a única que tentou se aproximar do menino.
_ V... Vini? Vo... Você consegue me entender?
O silêncio se mantinha enquanto o lobo bufava com suas garras fincadas na terra e seu olhar ao chão.
_ Vini? Sou eu, a Madu. _ A garota deu três passos muito curtos em direção a Vini. _ Talles tentou impedi-la, mas a menina escapou de seu primo. _ Por favor, acena com a cabeça se você souber quem eu sou.
Com a velocidade que ele só teria sendo uma fera, o garoto puxou os braços para cima, atingindo o peito de Maria Eduarda, e a jogando para perto de Talles, onde a menina caiu desacordada. Visivelmente descontrolado, Vinicius disparou em direção a Sabrina, que caiu ao chão. Encima da garota, o gigante lobisomem gritava para amedrontá-la se mantendo cara a cara com ela. O pavor a fez mudar de cor por alguns momentos.
Magias e feitiços pareciam não fazer efeito diante de Vinicius, mas pelo menos o tiraram de cima da garota, que no mesmo momento correu até Grink, que se levantava sem entender o que estava acontecendo.
Raissa correu em direção a Maria Eduarda e notou em seu peito um rasgo que por sorte não era tão fundo. Sem opções, a menina enfiou a mão no bolso e de dentro tirou sua moeda velha e um tanto pequena, mas a pressionou com o fervor que se via naquela situação.
Talles, César, Leslie e Shiori se emplacaram numa batalha contra Vini, enquanto Sabrina constatava que algum efeito se apoderou de Grink, que naquele momento, parecia uma criança.
_ Talles! O Grink... Eu não sei... Ele está estranho!
_ Estranho? Eu? Por que você diz isso, menininha? _ Os trejeitos abobados e a fala mole de Grink assustavam a garota que o mantinha em pé.
Talles correu para o lado de Sabrina, e juntos notaram quando Grink ergueu seu cajado e o olhou como se não fizesse idéia do que se tratava. Num ato quase insano, ele soltou o cajado ao chão dizendo que aquele era um objeto para velhos. Sabrina o pegou e o manteve guardado com ela.
_ Sá, vai pro lado de dentro da porta da caverna e fica com ele lá.
_ Ok!
Talles voltou para a incessante briga com Vinicius enquanto Sabrina cumpria o combinado.
Aparentemente ninguém feria Vinicius de verdade, mas tratavam de sempre virar a atenção do canino, para quem sabe ganhar tempo para pensar em algo. Raissa se manteve protegendo Madu desacordada. Vinicius que já mantinha uma força descomunal quando transformado, dessa vez parecia tê-la dobrado. Sua fúria assustava qualquer um que chamasse sua atenção, e o medo de acabar como Maria Eduarda dominava a todos, que ao mesmo tempo, não queriam machucar o amigo.
_ Mas House, as coisas não funcionam assim. Eles têm que ter um aprendizado específico, particular. Sabemos que essas crianças ainda serão muito perseguidas e eles precisam saber enfrentar.
_ Crowing, você os conhece. Eles já fazem muita bobeira sabendo o que sabem, se avançarem seus conhecimentos, vão causar um estrago tremendo.
_ Mas não podemos deixá-los... _ A frase de Crowing é interrompida ao sentir em sua pele um calor. Crowing se levantou da cadeira, virou-se de costas e enfiou a mão no bolso e tirou sua pequena moeda prateada, que nesse momento era totalmente tomada por uma luz. Num piscar de olhos sentiu a direção da moeda que foi acionada, e sabia que vinha da floresta proibida.
_ House, em sua sala, a aparatação é totalmente bloqueada?
_ O que pretende com essa pergunta?
_ Precisamos ir à floresta agora!
House não sabia por que Crowing queria ir à floresta naquele momento, mas não se atrevera a questioná-lo. House posicionou-se a três passos a esquerda da cadeira atrás de sua mesa, olhou para os dois lados, para frente e para trás, conferiu o ângulo em que estava mediante um quadro com seu retrato. _ Aqui, Crowing! _ Crowing se juntou a House e segurou em sua mão, deu impulso para o lado e num piscar de olhos, já estava na floresta, longe da barreira de proteção mágica de Hogwarts.
Deixando um leve rastro de seu feitiço, o impulso dado por Crowing ao utilizar o “Arco” foi acompanhado por House, que nesse momento procurava entender onde Crowing o estava levando.
As crianças continuavam com suas varinhas apontando magias para Vini, que pelo visto poderia agüentar mais horas por ali os atacando. Crowing visualizou a interminável tentativa das crianças em acalmar Vinicius, e pela primeira vez, o grande lobisomem parece ter sentido o impacto de um feitiço: _ Depulso! _ Vinicius foi empurrado para trás, e logo avistou Crowing se aproximando.
O ataque do garoto ia para todos os lados, porém nesse momento, era focado em House e Crowing. Entre garras, dentes, luzes e estalos, todos combatiam, e a situação estava longe de ser controlada.
House se utilizava de todo seu conhecimento para parar o rapaz, e isso enfureceu mais ainda o imenso canino descontrolado. Em um vacilo dado entre um feitiço e outro, House sentiu suas pernas adormecerem e foi ao chão. Num relance, Vinicius conseguiu passar suas garras nas duas pernas de House. A dormência aos poucos se transformou numa dor profunda de quem tinha sua pele cortada de fora a fora e ossos expostos. Talles avançou encima de House.
_ Protego! _ House, que gritara quando viu Vini avançando contra ele, agora segurava em seu escudo o lobisomem, que por sua vez, demonstrava cada vez mais sua força arranhando e quase transpassando a barreira que era mantida com visível esforço.
_ Protego! _ Vendo o esforço do diretor, Talles reforçou sua proteção, e Vinicius ficou mais e mais enfurecido com a resistência apresentada. Crowing, que também tinha o cansaço escancarado na cara, procurava forças para continuar a enfrentar Vinicius.
De dentro da caverna barulhos começaram a ser ouvidos somente por aqueles que não tinham um enorme lobisomem querendo lhe dentar, algo passava pelos destroços e sujeira de Bob e estava cada vez mais próximo. De um impulso acompanhado de um salto, da entrada da caverna saiu uma enorme serpente, que de mandíbula preparada, abocanhou o ombro de Vinicius antes de pousar de seu pulo. Um grito de filhote partiu de Vini, que agora tinha uma fera tão forte quanto ele lhe enfrentando.
Garras e botes faziam daquele um episódio épico, onde o maior lobisomem já visto enfrentava uma serpente que poderia engolir dois adultos juntos. Sabrina, Raissa e os outros se afastavam o quanto podiam do que remanescia daquele combate. E, de onde teria saído àquela cobra imensa? E qual era sua verdadeira intenção?
Entre garras e dentes, as feras continuavam atracadas, até que a enorme serpente fincou as presas em um dos ombros de Vini, conseguindo arrastá-lo até uma árvore, mantendo-o prensado contra ela. Os ganidos mostravam o quanto o canino sofria com a força da serpente. A cobra em seu comprimento começava a se enrolar na árvore ainda segurando Vini, que inconsciente já apontava seu focinho agora inofensivo para seu peito. Então, um grito capaz de estremecer a floresta virou todas as cabeças na direção de Hagrid: _ Nãooooo!
O meio gigante em disparada alcançou a serpente, lhe segurou pelo rabo e com sua força descomunal, a puxou. O impulso gerado pelo puxão de Hagrid foi capaz de arremessar a enorme cobra para o lado e violentamente ele bateu ao chão. O impacto desacordou o enorme réptil que agora se encontrava estendido, parecendo quase que inofensivo ao chão.
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