Entre a plataforma 9 e 10 da estação de trem de King’s Cross, crianças atravessam paredes. Todas elas tem um mesmo destino, a plataforma 9 ¾. Muitas delas já atravessaram essa parede algumas vezes, outras estão indo pela primeira vez e outras têm seu primeiro contato com o mundo mágico. O destino dos trens que saem daquela plataforma é Hogwarts, a maior escola de magia e bruxaria do mundo.
_ Bom dia, Senhora Kassuphel.
_ Bom dia. _ A mulher responde com imponência. Por algum motivo, notava-se certa desconfiança no tom de voz do homem que a cumprimentara.
Ela levava seu filho, que havia sido convocado para ingressar em Hogwarts. Talles estava prestes a completar 11 anos, e já sabia que seria bruxo, devido a pertencer a uma família de bruxos já muito antiga.
_ Talles, mande sempre notícias, tome muito cuidado, e mantenha-se atento.
_ Pode deixar, mãe, relaxa. Até onde sei, Hogwarts é um dos lugares mais seguros que se pode imaginar, o que pode acontecer lá dentro?
_ É, você está certo, mas mesmo assim fique atento.
_ Tudo bem, mãe. Te amo muito!
_ Também te amo. Boa sorte!
_ Valeu, mãe. Tchau!
E ansioso, e um pouco assustado ele se encaminhou para o trem. Achou uma cabine vazia, e achou que ali era um bom lugar para viajar.
_ Não se meta em confusão, Vinicius, Hogwarts é uma caixinha de surpresas. Cuidado com quem se envolve e torça para que você vá para a casa de Sonserina, mantendo a tradição da família.
E somente com um aperto de mão, Vinicius Scarefrow se despede de seu pai, enquanto sua mãe lhe dá um longo abraço.
_ Por favor, Vinicius, não deixe de mandar notícias. E eu espero você nas férias.
Ao se despedir, aperta a mão do menino, que retribui o aperto de mão sem muitas palavras.
Dentro do trem, a maioria das cabines já estavam cheias, foi quando encontrou uma cabine com apenas um menino dentro.
_ Licença, posso sentar aqui?
_ Claro, fique a vontade. Eu sou o Talles.
_ Eu sou Vini, ou melhor, Vinicius.
_ Você é de que ano?
_ Estou entrando no primeiro ano.
_ Legal. È meu primeiro ano também.
_ Legal, assim não chegamos lá sozinhos.
_ Quanto orgulho você me dá, continue sendo essa menina estudiosa e esforçada que você é.
_ Obrigada, mãe, pode deixar que vou me sair muito bem.
_ Tenho certeza que sim. Olhe, querido, nossa filha está crescendo.
E com todo o orgulho de um pai, o Senhor Camblie dá um longo abraço em Raissa, que prestes a completar 11 anos, está ingressando em seu primeiro ano em Hogwarts.
_ E por via das dúvidas, Raissa, seu avô estará nesse trem comercializando doces. Se precisar de alguma coisa, procure-o. _ Completa a mãe enquanto a menina adentra ao trem.
Poucas cabines tinham lugares vagos, então avistou uma com apensas dois garotos. Mesmo preferindo viajar com meninas, decidiu tentar ficar por ali mesmo.
_ Licença, será que haveria possibilidade de eu me sentar com vocês?
_ Claro. _ respondeu um deles _ E você é quem?
_ Ah, desculpe, sou Raissa Camblie. E vocês?
_ Sou Talles, e esse é o Vini.
_ Muito prazer, Talles. Vinicius.
A princípio a menina se sentiu um tanto quanto perdida, como se fosse um peixe fora da água, mas logo Talles foi puxando assunto com Vini e com ela, e assim a garota se sentiu mais a vontade.
_ Ah, você está aí, Vini. Te procurei em quase todos os vagões, cara.
_ Esse era um dos únicos com vaga para se sentar. _ Respondeu Vini _ Talles, Raissa, esse é o meu amigo Phellip.
Ambos cumprimentaram o menino, que muito receptivo, logo já foi sentando na cabine junto a eles. Vini estava confuso e não entendia muito bem o que seu amigo estava fazendo ali, já que achava que ele era trouxa.
_ Phellip, não é por nada, mas, você é de família trouxa, não é?
_ Ah, sim, sou sim. Mas relaxa, minha família é trouxa, eu não.
_Espera! Espera! Não vão sem mim!
_ Corra, menina, ou vai se atrasar mais ainda _ gritou um homem que ia se encaminhando já para ir embora.
Um forte barulho foi ouvido na plataforma, era uma mistura de malão caindo, gaiola batendo e coruja gritando. Muitos alunos ao ver aquela cena das janelas do Expresso de Hogwarts caíram na gargalhada. Correndo e gritando estava Sophia. Ela se despedia de sua mãe enquanto corria.
_ Cuidado, filha, vai cair e se machucar.
_ Estou atrasada, mãe, te amo! Tchau!!
E os pais da menina ficaram de longe vendo, sua menina tão desastrada, partir para começar a escrever seu próprio caminho. Eles eram aurores, trabalhavam no Ministério da Magia, e esperavam que a pequena Sophia seguisse os seus caminhos.
Já dentro do vagão, Sophia estava com dificuldades de encontrar um lugar para viajar, já que por distração, havia entrado no vagão com a gaiola de Gertrudes, sua coruja, malão e tudo. Pediu já cansada para se sentar no vagão que Talles e os outros estavam, e foi ajudada a se acomodar com todas as suas tranqueiras.
O último a se apresentar para se sentar na cabine foi Crowing, professor de Hogwarts.
_ Olá, crianças, como vão?
_ Bem, professor. _ Respondeu Sophia, ainda se engalfinhando com sua coruja.
A viagem para Hogwarts é longa e cansativa, uma hora o assunto acaba, o sono bate e é quase impossível não desejar andar um pouco pelo trem, para esticar as pernas. Todos conheceram o avô de Raissa, que vendia deliciosos doces dentro do trem, perambulando com seu carrinho por todos os vagões. Até que Crowing se prontificou:
_ Está certo. Façamos o seguinte, conhecem o jogo “pega-pega”?
_ Conhecemos. Por quê?
Apontando a varinha para Talles, Crowing solta um sorriso de canto e...
_ Está com você, então, garoto!
A princípio, Talles ficou confuso com a sensação que sentia, mas sabia que deveria pegar alguém. Sem entender, saiu correndo e pegou Vini. A sensação passou, ou melhor, foi transferida para Vini, que tentou de qualquer forma pegar Talles que foi muito mais rápido que ele. Alcançou Raissa, e agora era a vez de ela pegar alguém.
A brincadeira estava muito divertida, e aquilo era contagiante. Brincaram por muito tempo até que, o cansaço foi batendo, e eles não conseguiam parar de brincar.
Enfim, somente o Professor Crowing poderia tirar o encanto que fazia perdurar a brincadeira, e assim ele o fez depois de algum tempo.
Com a chegada do trem em Hogwarts, foram recepcionados por Hagrid, o guarda-caças. Foram de barco pelo lago e passaram pelos portões.
Notaram que, todos os outros alunos do segundo ano em diante já os esperavam nas mesas de suas casas, que eram elas Lufa-Lufa, Corvinal, Sonserina e Grifinória.
Vinicius logo observou bem todas as mesas e, lembrou do desejo de seu pai, que torcia para que ele pertencesse a Sonserina, conforme a tradição da família.
Juntamente ao Diretor House, estavam todos ao aguardo da escolha das casas, que é feita pelo chapéu seletor.
_Vejamos, menina Raissa. Inteligente, determinada, acho que você pode pertencer a Grifinória.
_Obrigada! _ Raissa não conseguia conter seu contentamento.
_ Talles. Você terá sua história escrita, somente se pertencer a uma casa, a Grifinória.
Raissa deu um abraço de boas-vindas em Talles.
_ Pequena Sophia. Você é uma menina confusa. Tem coragem, lealdade, astúcia e calma. Sonserina talvez? Não. Poderia causar estragos lá... Quem sabe, Luf... Não...
Os resmungos do chapéu seletor duraram quase 5 minutos, alguns alunos que ainda aguardavam iam ficando impacientes e apreensivos. Os pensamentos da menina eram focados na Grifinória, mas mesmo assim a indecisão do chapéu era muito angustiante.
_ É isso mesmo, é lá que vão precisar de você, garota. Grifinória.
A reação geral, inclusive a dela, foi de alívio.
_ Phellip, Grifinória, sem dúvidas.
Vini estava tenso, sua vontade era de ir pra Grifinória, mas não podia bater de frente com seu pai. Deixou então que o Chapéu decidisse, com certeza ele saberia o que seria de melhor.
_ Contrariando o destino, meu amigo, seu lugar não é na Sonserina, seu lugar é na Grifinória, onde precisam mesmo de você.
Vini ficou feliz, mas sabia que desapontaria seu pai quando lhe contasse a notícia.
Sorte ou não, a divisão dos quartos foi feita, e Phellip, Talles e Vini ficaram num quarto juntos, enquanto Raissa e Sophia também ficaram juntas em outro quarto.
Com o passar dos dias, o grupo se reunia com freqüência, e a afinidade entre eles cresceu bastante. Estava formado ali um grupo de amigos.
_ Olá, Senhora Aborto. Como se sente sendo o que você é, hein?
Raissa ignorava Nick, que pertencia a casa Sonserina.
A rivalidade entre as casas de Sonserina e Grifinória era antiga, e o garoto fazia valer a tradição.
_ Não vai responder, abortada? Naturalmente não tem capacidade pra isso, não é?
Os ares ficaram mais quentes com a chegada de Talles.
_ Por que não mexe comigo, Nick? Deixa a Raissa em paz.
_ Vai defender essa abortada, idiota?
Talles não pensou duas vezes, com muita raiva de Nick, partiu para cima dele. Vini vendo a gravidade da situação tentou segurar Talles, afinal, aquilo poderia fazê-los perder vários e vários pontos para a Grifinória. Com a força de Talles, foram os dois ao chão, e para o azar dos garotos, a briga foi vista por um professor.
_ Menos 20 pontos para a Grifinória. Estão começando bem, rapazes, continuem assim.
O sorriso de Nick irritava ainda mais Talles, que já estava mais controlado.
_ Vini, viu que vão começar os testes para o time de quadribol?
_ Sério?
_ Sério. Você é hábil, por que não tenta entrar no time?
_ Vou sim, Sophia. Falarei com Talles e Phellip também. Obrigado.
Talles, Vinicius e Phellip treinaram muito, passaram por testes, e todo o seu esforço foi recompensado. Os três foram convocados para o time de quadribol. O capitão do time logo designou suas funções no time.
_ Talles, você será apanhador, Vinicius será batedor, e Phellip será atacante. Bem-vindos ao time!
Alguns dias se passaram e o convívio do grupo só melhorava. Um dia Raíssa saiu de seu quarto, andando, silenciosa e aparentemente sem motivo. Era como se ela tivesse num transe, e isso fez com que os outros ficassem intrigados com isso.
_ Talles, vamos atrás dela.
Alguns passos à frente:
_ Vini, notou que tem alguém seguindo a gente?
_ Se esconde.
_ Relaxa, é a Sophia e o Phellip.
A voz inconfundível de Crowin então soou feito um trovão:
_ Raissa, posso saber o que a mocinha está fazendo fora de seu quarto?
_ Ah... É... Desculpe, professor, estava com o pensamento distante e sai pra dar uma volta. Prometo que não vai se repetir.
_ Obviamente não vai se repetir. Mas pra você não esquecer e sair distraidamente andando por ai de novo, menos 10 pontos pra Grifinória.
_ Mas, professor... _ Raissa achou melhor ficar quieta.
_ E vejo que não é só você que anda com o pensamento longe fora de seus quartos no meio da noite, não é mesmo, senhores e senhora?
Os outros foram descobertos. Menos alguns pontos para a Grifinória.
Mas, os acontecimentos dessa noite não haviam sido apenas esses. Sophia e Phellip, enquanto estavam atrás de Raissa, foram surpreendidos com um transe inesperado de Sophia. Os olhos brancos, seu rosto sem expressão.
A menina naquele momento fez uma profecia, que falava sobre a aparição de um elfo, e ainda em transe, pintou com sangue, saindo de sua varinha, uma mão na parede. A mão tinha o dedo indicador esticado, como se apoiasse algo.
Quando voltou desse transe não se lembrava muito do que havia acontecido, mas logo contou aos outros o que havia acontecido.
_ Nossa, Sophia, mas o que isso quer dizer?
_ Eu não sei, Raissa. Eu não lembro nem te ter feito isso.
_ Sei lá, por que essa mão? _ Talles estava inquieto.
_ Olha... Eu acho que todos os dedos duros irão morrer!
Talles e Sophia não contiveram a risada mediante a conclusão de Phellip.
Aquilo não era algo normal de se ver, mas pode ser que seja somente uma exceção. E sem saber o que fazer com tal informação, mantiveram sua rotina de estudos em Hogwarts.
_ Vini, eu ando tendo uns sonhos estranhos. Aparece um homem fazendo algum feitiço e, algumas corujas morrendo. Não sei explicar, é estranho. E essas coisas no meu pescoço... Acha que devo ir a Madame Ponfrey?
_ Há dias venho acordando com uma dor nas costas imensa. Talvez ela me ajude também.
_ Talles! _ Raissa parecia apavorada enquanto lia o Profeta Diário _ Olha isso! Meus avós foram atacados em Hogsmeade, aparentemente por um tigre. Meu deus! Será que estão bem? Preciso saber deles, Talles.
_ Calma, Raissa. Apesar do ataque, eles sobreviveram e estão bem. Calma. Depois pedimos ao House para que nos dê mais informações sobre isso.
_ Meus pais foram presos. _ Vini parecia desolado _ Saiu no Profeta Diário, meus pais estão presos.
_ Mas... esses que estão prendendo eles são meus pais, Vini. Não pode ser. O que houve?
_ Eles estão sendo acusados de roubarem um anel que estava em posse do Ministério.
_ Mas você sabe que anel é esse?
_ Não faço idéia, mas espero mesmo que seja uma acusação falsa.
Não demorou nada para que o Profeta Diário soubesse que os filhos dos Hunter e dos Scarefrow estudavam juntos. Sophia tinha muito carinho por Vini, e decidiu intervir nisso quando os repórteres do Profeta Diário decidiram tentar entrevistá-la.
_ Senhorita Hunter, é verdade que aqui você é obrigada a manter um convívio diário com o filho do casal preso acusado de roubar o Ministério?
_ Olha aqui, bando de sanguessuga, quero avisá-los de que adoro o Vinicius Scarefrow. Não faço idéia de quem os pais dele são, ou o que fizeram, mas independente de qualquer coisa, o Vini é uma pessoa maravilhosa, e jamais vou deixar que vocês os julguem por algo que ele não tem nada a ver.
_ É, a pobrezinha está apaixonada. No mínimo o garoto deu uma poção do amor para a garota.
_ Mentira, ele não me deu nada. Agora sai daqui!
_ Você defendeu o Vini com tanta fé, Sophia. Gosta dele?
_ Claro que não, Raissa. Só não quis ser injusta.
_ Sei...
Na tarde seguinte, Phellip procurava Vini por todos os cantos, mas não o encontrava. Queria saber onde estava o amigo, e também saber como ele estava mediante o acontecido com seus pais. Algum tempo depois Vini chega ao quarto.
_ Nossa, Vini, te procurei em tudo o que é canto. Onde você se meteu?
_ Recebi isso hoje. _ E mostrou ao amigo um anel com uma pedra.
_ Que anel é esse? Não me diga que é o anel do Ministério?
_ Aparentemente sim. E, se meus pais o roubaram, era para me enviar. Mas, por quê?
Pré-adolescentes têm naturalmente certa dificuldade com regras. Pré-adolescentes bruxos têm mais ainda. Era terminantemente proibida a saída de alunos para fora dos limites de Hogwarts, mas será que eles sabem quando alguém ultrapassa esse limite? Por que não testar?
De vassouras montadas, voaram sorrateiramente pelos arredores de Hogwarts, indo cada vez mais longe. De pouco em pouco foram indo cada vez mais para longe da escola. Não esperavam encontrar por ali, claro, Crowing.
_ Já notei que não adianta tirar pontos de suas casas, então, estão sem quadribol.
Ao menos tiveram a certeza da segurança de lá, notaram que alguém aparece nessas ocasiões.
Para que pudessem voltar a jogar quadribol, tiveram que fazer vários serviços extracurriculares, como limpar o corujal, a sala e o banheiro do Professor Grink, e César, o amigo de quarto que era monitor da Grifinória e também do time de quadribol, cumpriu as tarefas junto.
_ Então, Vini, está combinado. Vamos pela bolsa até Hogsmeade, e lá vamos investigar quem é o tal tigre que atacou os avós das Raissa. _ Talles já tramava toda a situação.
_ Fechado.
Phellip tem uma bolsa diferente, na verdade uma chave de portal. A leva quem entra nela até o estoque de uma loja do beco diagonal, e não por acaso, as Gemialidades Weasley.
Saindo pela bolsa, tudo parecia simples. Chegar em Hogsmeade, investigar e ir embora. Porém, a coisa não saiu como planejada.
_ Espera, Talles... Alguma coisa está muito estranha.
_ O que, Vini?
_ Phellip... Lobisomens!
As suspeitas do jovem bruxo estavam certas. Ouviram um uivo, e alguns lobisomens apareceram no caminho.
Phellip, Vini e Talles se colocaram em combate, e a luta entre eles e os lobisomens foi iniciada. Os meninos atacavam e se defendiam, mas a luta era bem complicada, lobisomens são fortes demais.
Sophia e Raissa estavam na floresta também, acompanhadas de Cervantes, o guarda-caças.
Vinicius era um lobisomem, e sua transformação no momento foi inevitável. Vinicius não tem controle dos seus atos quando transformado, e atacou Phellip, que ficou muito machucado com o ataque do amigo lobisomem. Talles não viu escolha, e teve de revelar seu segredo, até então guardado de Phellip. Talles é um animago, se transforma em tigre, e foi o que ele fez para defender o amigo do lobisomem em tigre. Talles transformado atacou Vini, e as meninas não sabiam o que fazer vendo aquela cena. O desespero delas aumentou, quando viram por trás de Vinicius, outro lobisomem indo em direção a Talles transformado.
O destino revela surpresas, e a maior surpresa de Crowing foi ver o combate entre tigre e lobisomens. Ele estava acompanhado de Silver, voltando de Hogsmeade, quando praticamente se viu obrigado a entrar naquele combate contra os lobisomens. Cervantes vendo o grau em que chegou a situação, deixou as meninas seguras dentro de uma proteção mágica, e também foi para o combate.
Mediante a chegada dos inesperados reforços, os lobisomens não tiveram opções, a não ser fugir dali. Talles ficou gravemente machucado, e foi encontrado caído no meio da floresta, já com sua real aparência, sangrando.
E assim como Phellip o trouxe, estava levando o menino a ala hospitalar pela bolsa.
Madame Ponfrey, com seu jeito alvoroçado, cuidou do menino, que mesmo sob cuidados intensivos, ainda demorou algum tempo para se recuperar totalmente.
_ Talles, queria pedir desculpas pelo ocorrido, pelo o que fiz.
_ Relaxa, Vini. A coisa é delicada do que imaginamos. Precisamos te treinar garoto.
E com risos e brincadeiras, o episódio se encerrou com todos bem, mas desencadeou um comportamento diferenciado por porte de um dos envolvidos na história. Crowing começou a mostrar uma leve mudança em seu comportamento, mas que deixou as crianças intrigadas.
_ Professor, você de novo?
_ É, eu estava só passando por aqui... Mas, o que está fazendo nos corredores, Raissa?
_ Ué, professor, indo para o Salão Comunal.
_ E vindo de onde?
_ Da biblioteca.
_ E o que estava fazendo na biblioteca?
_ Trabalhos, professor.
_ Hum... Ok.
_ Professor? Que está fazendo aqui no quarto?
_ Vim saber de vocês. Como estão as coisas por aqui, Phellip?
_ Normais. _ Phellip olha em volta _ Procurando alguma coisa?
_ E teria algo pra eu procurar por aqui?
_ Não que eu saiba. Tem algo que quer aqui?
_ Não vou responder a isso novamente.
_ Gente, o professor anda estranho, não anda?
_ É... Anda mesmo, Rá. Esses dias eu sai do banheiro e ele estava de cara com a porta. _ Indignou-se Talles.
_ Ele fica indo na biblioteca ver o que eu estou lendo.
_ Até nos treinos de quadribol ele tem aparecido.
_ Toda vez que estou sozinha ele fica observando de longe, será que ele acha que vou prever algo pra ele? _ Sophia se mostra confusa.
_ Garoto, vem aqui.
_ Eu?
_ E tem mais alguém nesse corredor?
_ Sim, professor.
_ Você sabe a proveniência da sua família, não é?
_ É, eu sei. Mas por que o assunto?
Andando pelos corredores em direção ao quarto de Crowing, eles continuaram a conversa.
_ Garoto, vocês tem que pensar muito nos seus atos, e vê se para de uma vez por todas de se meter em encrenca. Me diz, com seu avô a solta por aí, você acha seguro ficar querendo fazer expediçãozinha a Hogsmeade? Acha seguro ficar saindo dos limites de Hogwarts, só pra saber se a segurança daqui funciona? Você não tem noção de perigo?
_ Mas... Meu avô está solto?
_ Acha que existe algo no mundo que possa segurá-lo?
_ Mas espera aí, você conhece meu avô?
_ Vamos dizer que sim. De qualquer forma...
_ Você conhece ele de onde? _ Interrompe Talles _ Porque se você o conhece e sabe exatamente quem ele é, não é um bom sinal, não é, professor?
_ Garoto, eu não estou aqui pra ser questionado e eu não te dou esse direito, de qualquer forma, cuidado cm o que faz, e se quer ficar se fantasiando de tigre por aí, primeiro tenha certeza de que ninguém vá aparecer.
_ Tigre?
_ Eu já sei do que você é, só tome cuidado.
_ E como você sabe?
_ Isso não importa e não quero continuar o assunto. Só não vacila.
E antes que o menino pudesse questioná-lo novamente, Crowing entrou em seu quarto e fechou a porta.
_ Sabia que encontraria vocês por aqui. _ Diz Crowing ao encontrar todas as crianças dentro do quarto dos meninos _ Tenho algo para vocês, e esperam que saibam usar com prudência.
Crowing tira de seu bolso algumas moedas, distribui uma para cada uma das crianças, Raissa, Talles, Phellip, Vini e Sophia, e fica com uma.
_ Essa moeda é uma forma de eu saber onde vocês estão. Sophia, aperte a moeda.
Sophia aperta a moeda, e todas as moedas brilham, inclusive a de Crowing.
_ Viram? Todas as vezes que a moeda de vocês brilharem, é porque outro de vocês a acionou, e ela só será acionada se vocês precisarem muito de ajuda, em situações de urgência. Eu terei a noção da direção que vocês estão, então mediante o brilho da moeda, eu procuro vocês. Saibam usá-la com prudência e acreditem, só quero ajudar.
As crianças ficaram desconfiadas com aquele item. O professor andava estranho, será que ele realmente queria o bem das crianças? Ou essa seria somente uma forma de segui-las?
_ No já todos apertam juntos. 1, 2, 3... Já!
Todos acionaram as moedas em um círculo, elas brilharam e não demorou para que Crowing aparecesse no local.
_ Aconteceu alguma coisa?
_ Professor, queríamos conversar com você.
_ Sim, Raissa, o que querem?
_ Nós conversamos, professor, e decidimos devolver as moedas.
_ E por quê?
_ Bom, é complicado explicar, então gostaríamos que só entendesse e que achamos mais seguro ficar sem elas.
_ A opção é de vocês, a minha intenção eu já deixei clara, que é ajudar vocês, mas se não querem, não posso forçá-los.
Raissa, Sophia e Phellip entregaram as moedas a Crowing, Vini e Talles decidiram ficar com as deles.
Alguns dias se passaram e as crianças foram convocadas pelo diretor House para uma conversa. No horário marcado as crianças foram até sua sala.
_ Olá, crianças, como vão?
_ Bem, diretor.
_ Bem, eu os chamei aqui pra que possamos esclarecer exatamente tudo o que tem acontecido com vocês. Na verdade, chamei vocês aqui para que vocês esclareçam para mim tudo o que tem acontecido com vocês.
_ Como assim, diretor? _ Talles estava confuso.
_ Vocês tem alguns segredos que tem prejudicado vocês nas encrencas que tem se metido, então, é hora de conversar. Talles, você é um animago, que se transforma em tigre. Vinicius é um lobisomem, Sophia tem um dom de fazer profecias. Raissa, você recebeu um item de seu avô, correto?
_ Correto, você sabe dele?
...
_ Raissa, vem aqui.
_ Sim, vovô.
_ Eu tenho algo para você. _ E o avô deu uma pedra para a menina _ Pegue. Você tem que proteger essa pedra com sua vida. É um item de alto valor mágico e você tem que cuidar dele.
_ Mas o que essa pedra faz?
_ A princípio você só tem que saber que essa pedra é sua, e que tem que cuidar dela. Agora vai pro trem, conhece sua mãe, ela já deve estar afoita te esperando.
_ Obrigada, vô, pode deixar que eu vou cuidar muito bem dela.
_ Tenho certeza que sim.
...
_ Sim, menina. A pedra te pertence assim como o anel pertence ao Vinícius, e a varinha pertence ao Talles.
...
_ Talles, vamos ao Beco Diagonal, comprar seu material. Está com a lista?
_ Está comigo, mãe.
_ Então vamos.
_ Vem aqui, Talles, me segue.
_ Onde a gente está indo?
_ Aqui.
Pararam em frente uma casinha, praticamente escondida em meio ao Beco Diagonal. Algumas batidas na porta e o dono da casa atende, e era justamente House, o diretor de Hogwarts.
_ Entrem. Fiquem a vontade.
_ Ah, sim, com licença, professor.
_ Olá, Talles.
_ Olá, diretor. É aqui que você mora?
_ Quase isso. Mas vamos direto ao ponto, Talles, você está aqui por que tenho algo para você.
House olha desconfiado para a mãe de Talles.
_ Você tem certeza disso?
_ Esse item é por direito dele, diretor, então que assim seja.
_ Talles, _ House entrega uma varinha na mão do garoto _ Essa é a varinha dos Kassuphel. Essa varinha é um artefato antigo, e que está na sua família há anos. Cuide bem e a proteja, ela é de gigantesco valor.
_ Pode deixar, farei isso.
...
_ Esses itens são importantes e provavelmente alguém pode querer tirá-los de vocês. Vou dar algumas tarefas para vocês, e espero que vocês se dediquem a elas.
O diretor ensinou algumas magias de defesa e ataque para as crianças, assim como protego e estupefaça. Pediu para que as crianças fizessem trabalhos valendo pontos extras, falando sobre o seu desenvolvimento, e tinha certeza que assim eles também se uniriam mais. Também tiveram ajuda durante as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas.
_ Professor Grink? _ Chamava Raissa enquanto batia na porta do quarto do professor _ Professor Grink?
_ Deu um leve empurrão na porta que estava aberta. Quando a porta de abriu, Raissa se deparou com Grink desacordado, caído ao chão.
Sem ação, a menina saiu gritando, apavorada. Encontrou Vinicius no caminho, que ajudou a levantar o professor e colocá-lo na cama. Madame Ponfrey cuidou da recuperação do professor.
_ Sophia, devolve a minha pedra, você não tem o direito de tirar ela de mim.
_ Essa pedra não é sua, Raíssa, ela é minha, e é você quem não tem o direito de tirá-la de mim.
Talles tentava conter Sophia, que havia tomado a pedra de Raissa, sem querer devolvê-la.
_ Devolve, Sophia, ela foi dada a mim pelo meu avô, ela é importante pra mim. Por favor, eu estou te pedindo, devolve a minha pedra.
_ Ninguém te deu essa pedra, Raissa, porque ela é minha, e se é minha, ninguém pode dá-la a você.
_ Sophia _ Interrompeu Vini _ Essa pedra precisa ser entregue de volta a Raissa. Eu não sei o que está acontecendo com você, mas tem que devolver.
Talles completou:
_ E você, no fundo, no fundo sabe disso, você sabe que ela é da Raissa e sabe que nós não iríamos querer tirar nada de você.
_ Mas ela é minha...
_ É minha, Sophia, e é muito importante para mim.
Já com um ar de serenidade, Sophia devolveu a pedra para Raissa, que a colou no pescoço e a escondeu na blusa.
_ Vinicius, nós vamos fazer alguns testes essa noite. Será lua cheia, e nós vamos começar a descobrir se há possibilidade de você se controlar quando está transformado. Não sei, mas acho que esse anel pode ajudar muito.
_ Tudo bem, professor, antes de anoitecer, estarei na floresta.
_ Hoje sua transformação não será na floresta, Vini. Ficará comigo dentro das dependências de Hogwarts.
Antes que Vinicius se transformasse em lobisomem, House o trancou em uma gaiola, e lá aguardaram, até o momento da transformação do garoto.
O momento chegou e conforme a lua cheia refletia sobre a pele do garoto, a transformação foi iniciada. House sabia que aquilo não era nada fácil para o menino, e pelos seus gritos, deveria ser algo muito dolorido também.
Vini ia crescendo enquanto seus pelos e unhas se alongavam, sua face mudava de feição e ao final da transformação, um forte uivo foi dado por Vini, que agora era motivo de risco para House.
House fez alguns testes enquanto o menino estava transformado, utilizando o anel que ele havia ganhado, e descobriu que o anel pode ajudar a menino a controlar sua transformação. Ele podia evoluir, mas era um longo caminho de treino até chegar a isso.
Sophia estava em seu quarto, quando pegou sua vassoura e saiu pela janela. Raissa vendo o que a garota havia feito, foi ao quarto dos meninos avisá-los que a menina teria saído do quarto. Phellip e Talles foram atrás da menina. Era tarde da noite e ela não podia ficar perambulando por aí.
_ Sophia, aonde você vai?
_ Eu estou procurando meus pais, eles me mandaram uma carta avisando que estariam me esperando, mas não os encontro.
_ Volta, Sophia, a gente já está encima da floresta e aqui é perigoso. Além do mais, se pegam a gente aqui, nós somos expulsos. _ Talles não entendia a menina.
A lua cheia estava no seu auge, e Talles sabia que havia lobisomens por ali. Num momento de distração, enquanto tentava convencer a menina a voltar para a escola, do topo de uma árvore um estardalhaço foi causado por um lobisomem, que tentava atacar as crianças. Phellip se utilizou de uma bolinha mágica que possuía, e a transformou numa lança com a qual atacou o lobisomem.
Enfim eles conseguiram afugentar o lobisomem, e quando se deram por conta, Sophia havia sumido. Eles sabiam que ela não havia sido atacada, afinal, eles conseguiram defendê-la, mas onde a garota poderia ter ido?
Enquanto os meninos estavam do lado de fora a procura de Sophia, Raissa foi até a sala de Grink, pedir ajuda ao velho professor. Chegando ao quarto do mesmo, a menina entrou direto, devido à afobação do momento, e novamente se deparou com o professor caído ao chão desacordado. Raissa se desesperou ainda mais quando a porta do quarto se fechou e se trancou, prendendo-a no local. Já sem saber o que fazer, ouviu Sophia gritando na porta, ameaçando-a com rispidez. Sophia queria a pedra novamente de qualquer forma. Raissa estava em prantos.
Vinicius já havia encerrado seu treinamento, e o descontrole daquele lobisomem estava maior do que nunca. Se batendo e forçando as grades, Vinicius conseguiu se soltar da gaiola que o prendia, e ele então seguiu seu faro.
O menino procurava Raissa, e foi seguindo o cheiro dela até chegar a porta do quarto de Grink. Vinicius ignorou a presença de Sophia gritando na porta, e com muita fúria, começou a esmurrar a porta, tentando abri-la de qualquer forma. Sophia continuava em transe, Vinicius descontrolado, ambos na porta do quarto ameaçando Raissa, que com o Professor Grink desacordado, não tinha por onde fugir. Talles e Phellip chegaram ao local por fora, vendo toda a situação pela janela enquanto montados em suas vassouras.
Talles e Phellip tentaram de todas as formas entrarem pela janela, e mediante as falhas em todas as tentativas, decidiram dar a volta e chegar ao local por dentro da escola. Ao chegar ao local deram de cara com Vinicius arrombando a porta e conseguindo entrar no quarto. O desespero era total, mas Grink conseguiu se recuperar e controlou a fúria de Vinicius. Quanto à menina Sophia, os próprios amigos a contiveram, e enfim a menina se controlou.
_ Tivemos um problema muito grande por esses dias, não foi mesmo, crianças? _ Grink andava de um lado para o outro.
_ Professor, eu não sei controlar isso. Quando eu me dou conta, tudo já aconteceu.
_ Calma, calma, Sophia. Vou conversar com a Professora Luna, e com certeza ela vai te ajudar.
_ Obrigada, professor.
_ Quanto ao ocorrido, eu tenho algo para mostrar a vocês.
Grink mostrou as crianças as crianças uma estátua. A estátua era de um elfo, e a posição da estátua era intrigante, sua mão estava exatamente na mesma posição da mão que Sophia havia desenhado com sangue na noite da profecia.
_ Este é o Elfo. Não adianta vir procurá-lo de novo, ele não vai estar aqui. Na verdade ele não terá um local fixo aqui no castelo, não quero que vocês e nem que ninguém o encontre de novo.
Os dias se passaram aparentemente tranqüilos, as crianças faziam suas atividades extras e entregavam ao House, e todos confraternizavam normalmente. Logo estaria chegando as férias de verão, e todos teriam um tempo para passar em casa.
Raissa sempre era pega, principalmente por Sophia, observando César, o tão popular monitor da Casa de Grifinória.
_ Ele é bonito mesmo, não é, Raissa?
_ Ele quem? _ Raissa arregalou os olhos.
_ O César, ué.
_ Claro que não, Sophia. Bem... Na verdade bonito ele é, mas não tenho interesse algum nele.
_ Não comentei sobre isso.
Raissa já não tinha mais bochechas para ficarem coradas.
_ Mas antes que comente, já estou deixando claro.
As férias chegaram, e o Natal também. Talles foi passar a noite de Natal com sua mãe, na casa do Diretor House. A casa era simples e um tanto pequena, mas extremamente confortável.
_ Tudo está ótimo, e agradeço muito que vieram. Porém, preciso sair um pouco, tenho alguns assuntos pendentes. Espero que não se importem.
Claro que não, House, fique tranqüilo. Também vou sair em alguns minutos, vou levar Talles até a casa dos Scarefrow, para que os meninos passem o restante do Natal juntos.
_ Está certo, com licença.
_ Mãe, vamos ver o Vini?
_ Vamos sim, Talles, Coloque seu casaco.
A noite foi se aprofundando e sono batendo, todos na casa dos Scarefrow decidiram que havia chegado a hora de dormirem.
Ao meio da madrugada, inesperadamente foram ouvidas algumas batidas na porta, e uma voz procurando o diretor House. O tio de Vinicius, um pouco desconfiado, acordou para atender. Vinicius e Talles acordaram com as batidas, e acabaram ouvindo o que se passou.
Um grito quase que ensurdecedor, apavorou os meninos.
_ Crucio!
Vinicius e Talles correram para a janela, e de lá, viram o tio de Vini sendo torturado por um bruxo das trevas, pela Maldição Cruciatus.
Sem pensar duas vezes os dois meninos iniciaram um ataque de feitiços e magias no bruxo, até que toda a família de Vinicius começou a aparecer pelas portas e janelas da casa.
Alguns deles escalavam as paredes, outros flutuavam até o chão, todos atacando o bruxo misterioso. O poder daquele bruxo era avassalador, ele sozinho conseguiu azarar vários familiares do Vini, e resistir a todos os ataques que foram direcionados a ele.
O tio do menino, recuperando-se da tortura que havia sofrido, ordenou a Talles e Vinicius que fugissem dali. Os dois meninos montaram em uma vassoura, o tio de Vinicius em outro, e dali levantaram vôo se afastando do local.
O bruxo das trevas conteve os ataques a ele, e seguiu o tio e os garotos. O tio do garoto então ordenou:
_ É o seguinte, voem para longe... E não importa o que aconteça, não voltem aqui! Vão embora e não voltem!
Em seguida, virou sai vassoura, e foi direto em direção ao bruxo. Vinicius e Talles continuaram voando devagar, não conseguindo aceitar a situação de o tio dele lutar sozinho.
_ Vinicius, preste atenção em mim. Vou pela direita, e assim que conseguirmos manter o bruxo em nosso campo de visão, ataque-o!
_ Ok!
Vinicius, com sua varinha em punho, manteve-se preparado para o momento da ação. No momento certo, em meio a batalha, Vinicius iniciou o ataque.
_ Expelliarmus!
O feitiço deu certo, e o bruxo teve que virar-se para se defender. Ele conseguiu se defender, mas graças a isso, ele ficou totalmente despreparado para que o tio de Vini, que jogou sua vassoura a toda velocidade contra o bruxo das trevas.
Ambos começaram a cair, embolados um ao outro. O tio do garoto Vinicius, enquanto caia acertava socos no tal bruxo. Talles direcionou a vassoura em direção aos dois que caiam em queda livre, quando avistou a vassoura do tio ainda caindo no ar. Foi então em direção a ela.
_ Vinicius, assim que eu pular, controle a vassoura.
Mais rápido do que nunca, os meninos seguiam vôo em direção a vassoura em queda, e quando chegaram perto, Vinicius pulou e a pegou no ar, já a controlando e seguindo em direção aos dois bruxos ainda embolados um ao outro.
_ Depulso! _ Vinicius separou os dois homens.
Talles conseguiu alcançar o tio de Vinicius, porém, com o homem pendurado, o peso fez com o controle da vassoura quase se perdesse. Vinicius chegou perto e apoiou o tio, que enfim conseguiu contar seguro na vassoura de Talles.
Sem pestanejar, seguiram na mais alta velocidade até uma caverna na floresta, que era um ponto de encontro para todos.
Já na caverna, Talles, Vinicius e seu tio estavam exaustos. A mão de Talles esperava aflita por ele e o recepcionou com um abraço caloroso. Sophia e Phellip chegaram juntos com Grink, por aparatação. Raíssa e sua mãe chegaram com o Professor Crowing, também por aparatação.
_ Talles, coma isso.
_ Que semente é essa, mãe?
_ Vai te fazer se sentir melhor, filho. Coma.
Talles comeu a semente oferecida por sua mãe e adormeceu pesadamente. As crianças se juntaram num dos cantos da caverna, enquanto n’outro canto, os adultos conversavam entre si.
_ Bem, sinto dizer, mas tenho muita coisa pra fazer ainda hoje. Se me são licença, eu vou embora.
_ Fique a vontade, Professor Crowing. _ respondeu Grink.
_ Na boa, não vou ficar aqui. Não estou me sentindo bem. _ Phellip seguia sentido a sápida da caverna. O tio de Vinicius interrompeu o menino.
_ Você não vai embora, garoto. Tem noção do que pode ter nessa floresta?
_ Então me dêem licença, pessoal. Vou sentar em outro lugar, preciso ficar um pouco sozinho.
Todos estavam inquietos a espera do House, que quando finalmente chega, vem cheio de escoriações.
_ Aconteceu alguma coisa, diretor? _ Questiona Grink.
_ Não aconteceu nada.
_ E por que está todo ralado?
_ Não importa. É melhor não dizer.
E o assunto é retomado pelos adultos, agora na companhia do diretor.
Phellip, sozinho, depois de muito pensar, pega uma chave em seu bolso. Durante algum tempo olha para aquela chave, e também para a palma de sua mão, onde havia uma fechadura. Aquela chave tem o poder de liberar o poder de Phellip através daquela fechadura, e o menino decide então fazer isso. Um barulho ensurdecedor tomou conta do lugar e feixes de luz começam a cruzar toda a caverna. Phellip começa a levitar bem devagar envolto a uma bola de energia. O menino grita desesperadamente, não consegue controlar a dor e a agonia que está sentindo.
Todos tentam se aproximar para tirar o garoto daquela situação, mas ao chegarem perto são arremessados para longe. Vinicius, vendo o grau em que estava a situação, se transforma em lobisomem, e com toda a força possível, salta em direção a bola de energia com o pequeno Phellip dentro. A princípio não foi arremessado, porém barrado pelo circulo, mas com algum esforço, conseguiu transpassar a barreira, agarrando-se a Phellip, e o jogando para fora para fora daquela redoma.
Quando ambos caíram ao chão, houve um baque imenso, fazendo com que aquela esfera de energia explodisse, e os fachos de luz se perdem na floresta ao sair da caverna.
Com os garotos caídos ao chão, o silêncio pairou no local.
Todos estavam abaixados tapando os ouvidos, aquela explosão havia afetado fortemente a audição de todos. Mediante se recuperarem e seus ouvidos pararem de apitar, todos se depararam com Phellip desacordado.
Talles, que ainda permanecia desacordado pelo efeito da semente, acorda, e se assusta com a situação que vê. Logo em seguida o menino Phellip também acorda.
_ Talles, Vini... Raissa e... Sophia... _ Phellip estava atordoado _ Por favor, me tirem daqui... Eu preciso sair daqui...
_ Diretor House, a gente precisa tirar ele daqui! _ Raissa demonstrava muita preocupação.
_ Não. Ele não vai sair daqui.
_ Mas professor...
House interrompe Raissa.
_ Eu já disse que não. Pelo menos por enquanto ele fica aqui.
A menina desolada não teve mais argumentos.
Os adultos então continuaram conversando, enquanto as crianças permaneceram num canto junto a Phellip.
_ Talles, eu vou precisar da ajuda de vocês para sair daqui.
_ O que, Phellip?
_ Eu tenho aqui comigo, algumas vomitilhas... Dos Weasley. Cada um pegue uma e coma. Vocês vão literalmente passar mal. Nesse tempo, pegarei a vassoura que vocês chagaram aqui, e vou embora. Combinado?
Todos concordaram em ajudar o amigo.
Assim que todos estavam com suas vomitilhas na mão, comeram, e como num surto, todos começaram a vomitar. House logo correu para socorrê-los, foi quando Phellip rapidamente agarrou a vassoura, e saiu dali quase que num piscar de olhos.
_ Bem... _ Prontificou-se House _ Acho que o mais seguro agora, é todos voltarmos para Hogwarts. Um pouco antes do tempo, eu sei, mas é necessário.
Assim, foi antecipada o retorno das férias, todos seguiram para Hogwarts.
_ Vini, eu estou agoniada. O Phellip saiu de lá, e já passaram algumas horas e nada de ele voltar. _ Raissa não continha sua preocupação.
_ Relaxa, o Phellip é muito esperto. Logo ele volta.
No dia seguinte, estava o garoto de volta a Hogwarts, e enfim deu-se um fim no episódio traumatizante de Phellip.
Alguns dias se passaram, Talles e Vinicius decidiram então ensinar Raissa e Sophia a voar, Phellip também as ajudou. Continuaram a fazer os trabalhos extras, até que um dia, Sophia aparece pálida para os meninos.
_ Eu... Eu vi.
_ Viu o que, Sophia?
_ Eu vi, Raissa, eu tive uma visão.
_ Que visão?
_ Dia 29 de dezembro, vai acontecer um ataque a outra escola de magia. Eu sei que vai, eu vi isso. Na minha visão, eu via o relógio, e eu sei exatamente a hora que vai acontecer. Homens de capa preta invadirão essa escola, muita gente vai morrer.
_ Sophia, você sabe que escola é essa? _ Raissa já possuía um tom de voz apreensivo.
Sophia desviou seu olhar:
_ Sei.
Talles se prontificou.
_Vamos contar ao Grink. Vai que ele sabe de algo.
Já na sala do Grink, ele chamou Sophia para conversar, entender e analisar a visão da garota.
_ Pequena Sophia, vou chamar a Professora Luna. Aguarde aqui um momento.
_ Me chamou, Grink?
_ Sim, Luna. Obrigado por vir. Luna, nossa amiguinha aqui teve um sonho, uma espécie de visão, e creio que seja bom levar essa informação ao Ministério. Porém, se eu disser que a visão foi dela, vão questionar e quem sabe querer investigar a menina, então, direi que a visão foi sua. Tudo bem, Luna?
_ Ah, sim, professor. Faça isso. Confirmarei a informação caso me procurem.
_ Ah, obrigado. Sophia, avise aos outros que levarei a informação ao Ministério, e que aviso quando tiver novidades.
Alguns dias depois, as crianças então decidiram ir até a sala do Professor Grink, em busca de novidades sobre o Ministério.
_ Fiquem tranqüilos, o Ministério já está tomando as providências necessárias.
Dia 29 chegou, e já pela manhã, todos estavam extremamente apreensivos. O dia da profecia havia chegado, e eles estavam impotentes mediante a situação.
Próximo ao horário da profecia, as crianças conversavam no Salão Comunal da Grifinória, quando soou um barulho muito alto, que lembrava um rugido. Phellip sem pensar duas vezes, pegou sua vassoura e saiu pela janela. Raissa ainda tentou entender aquela atitude, mas o menino já havia saído.
Todos estavam com muito medo, mas naquele momento, já se preparavam para sair do Salão Comunal atrás do amigo, até que Grink apareceu no local.
_ Vocês fiquem aqui, crianças. Não vão a lugar algum. Fiquem comigo.
_ Mas o Phellip saiu, professor.
_ Saiu pra onde, Sophia?
_ Eu não sei, ele só saiu pela janela. Não falou nada.
_ Peguem suas vassouras...
Raissa, Talles, Vinicius e Sophia saíram pela janela do Salão Comunal junto com Grink, e sentiram gelar suas almas, ao verem um imenso dragão, com alguém o usando como montaria. Lutando com o dragão haviam três pessoas, Nérus, House e Garbo.
Todos começaram a procurar o Phellip, e um grito se destacou em meio ao som daquela batalha:
_ Crucio! _ Aquele grito era apavorante.
Com tudo o que estava acontecendo, não foi possível se notar de quem e nem de onde veio aquele grito, mas o alvo em questão foi perfeitamente atingido. O bruxo encima do dragão se contorcia de dor. Devido a tortura, aquele bruxo perdeu o controle do dragão, e o mesmo acabou virando de cabeça para baixo. O dragão sem controle soltou um poderoso sopro de fogo. Uma luz forte então atingiu o rosto daquela fera.
As crianças foram ainda mais surpreendidas quando Grink os prendeu em um domo de força, e partiu em direção aquele dragão, que ferozmente soltava aquele fogo na direção de Phellip.
Grink chegou a tempo de parar as chamas lançadas pelo dragão. Ele parou na frente de Phellip, abriu os braços e gritou. Seu grito foi de força descomunal. As chamas pararam a sua frente e tentavam de qualquer forma ultrapassar aquela barreira, e com um movimento de braços as chamas foram lançadas de volta para o dragão.
Enquanto Grink combatia aquela fera, as crianças passavam por apuros dentro do domo criado pelo professor, mas o apuro vinha do pescoço de Raissa, a pedra da menina começou a pesar e a puxá-la para baixo. O peso era tanto, que foi capaz de quebrar a magia que a prendia, caindo em queda livre de encontro ao chão.
Vinicius partiu com sua vassoura em direção a Raissa, e Phellip foi em direção a Grink, que estava muito fraco devido a magia que havia executado. Talles e Sophia, que estavam na mesma vassoura, foi também em direção a Raissa, temendo que Vini não conseguisse segurá-la. Raissa com muito esforço conseguiu tirar a pedra de seu pescoço enquanto caia, e com isso conseguiu se segurar na vassoura de Vinicius.
_ Está bem, Raissa?
_ Estou sim, Vini, mas cadê minha pedra?
_ Vamos descer e procurar.
Talles, Vinicius, Sophia e Raissa então desceram para procurar a pedra.
Procuravam pelo jardim, e quando procuravam em torno da fonte, notaram uma capa vermelha, que caia lentamente do céu, como se tivesse flutuando. A capa pousou encima de uma estátua, que havia na fonte, e começou a tomar forma, fundindo-se com a pedra da estátua. Todos pegaram suas varinhas, até que Talles se prontificou.
_ Vamos todos. Procurem a pedra logo. Essa capa não deve ser bom sinal.
A estátua logo se pronunciou também, rindo sarcasticamente:
_ Eu ouvi pedra?
_ Estupefaça! _ Talles gritou por impulso.
O feitiço não funcionou, o homem segurou o feitiço lançado na palma da mão, com ela fez uma esfera verde e a arremessou para cima. A aparência de pedra daquele ser logo se desfez, agora ele parecia um ser humano, mas totalmente encoberto por uma capa. Talles reconheceu aquela capa, e era a capa de Arsene Lupan. As crianças logo notaram que aquela esfera de magia ia em direção a Phellip, que após ter salvado Grink, ia ao encontro deles.
_ Protego! _ Phellip, por sorte notou a magia e se defendeu.
Raissa correu em disparada em direção a algo. O bruxo levantou vôo rapidamente e foi em direção a menina, segurando ela pelos cabelos. Ele começou a erguer Raissa e investigar a direção em que menina corria, na esperança de encontrar o que, teoricamente, a menina procurava. Raissa se desesperou e começou a disparar magias para trás, na expectativa que uma delas acertasse o bruxo. A menina não acertou uma magia no bruxo, mas conseguiu acertar o rosto do bruxo com a varinha. Talles, vendo aquela cena, montou em sua vassoura e foi em direção ao bruxo pelas costas dele, mas com o golpe que o bruxo levou no rosto, acabou soltando a Raissa, que novamente se via caindo em alta velocidade. Vinicius, com sua vassoura foi atrás de Raissa, enquanto Talles bateu com a vassoura nas costas daquele que aparentemente, era Lupan.
Enquanto Talles caia se embolando com aquele bruxo no alto, ele foi se transformando em tigre, tendo aparente vantagem sobre o mesmo. Os dois se separaram no alto, quando Talles ouviu um grito de Phellip.
_ Talles, a vassoura!
Talles reparou que Phellip havia arremessado a vassoura para ele, então rapidamente voltou a sua forma humana, e agarrou a vassoura no alto.
Raissa estava a salvo com Vini, Talles e Phellip conseguiram se salvar no ar, mas Sophia, por sua vez, havia sumido.
Quando olharam em volta para procurar o bruxo, notaram algumas luzes e estrondos no meio da noite, mas o desespero de Raissa era notável.
_ A Sophia sumiu. Ela está com a pedra, ela pegou a pedra!
Vini, com seus sentidos aguçados, farejou Sophia, e constatou que a menina havia entrado na escola. Vinicius foi seguindo o cheiro da menina por dentro da escola, e todos o seguiam. Fizeram um caminho confuso e complicado, passando pelo corredor sobre e desce, vários atalhos e portas, até que chegaram ao final de um corredor, onde havia uma lareira com um jarro encima, e um quadro na parede.
_ O que vocês querem aqui? _ Perguntou o homem do quadro.
_ Estamos a procura de nossa amiga. _ Respondeu Vini _ Não viu uma garota passar por aqui ainda há pouco?
_ Vocês sabiam que Hogwarts tem regras rígidas, e que a esse horário, vocês não deveriam estar fora de seu Salão Comunal?
_ Sabemos disso, mas é que se trata de um assunto muito sério. Um aluno corre riscos. Por favor, viu para que direção ela foi?
_ A princípio, vocês sabem quem eu sou?
_ Você é o primeiro diretor de Hogwarts, não é? _ Perguntou Raissa.
_ Menina inteligente.
_ Li sobre você.
_ De qualquer forma a sua inteligência não vai safar vocês de uma boa punição.
_ Por favor, é realmente um caso de vida ou morte. Precisamos muito saber onde nossa amiga foi. _ Raissa estava aflita.
_ Na verdade ela não foi a nenhuma das direções, ela entrou.
_ Entrou onde? _ Raissa não via nenhuma porta por ali.
_ É um lugar secreto, e que eu posso levar vocês até lá.
_ Então nos leve.
_ Primeiro menina, qual seu nome?
_ Raissa.
_ Você quer entrar onde sua amiga entrou, certo?
_ Certo.
_ Mas, por que você quer entrar?
_ Porque ela está com algo que é meu.
_ O que?
_ Uma pedra.
_ E essa pedra é realmente sua?
_ Claro que é. Eu a ganhei do meu avô, logo ela é minha.
_ Somente sua?
_ Sim, somente minha. E para sempre vai ser assim.
_ Sempre?
_ Sempre.
_ Então, pode passar. Neste jarro há pó de fluo. Vá para a Sala Precisa.
Raissa enfiou a mão no jarro, pegou um punhado daquele pó, entrou na lareira e jogou o pó dizendo:
_ Sala Precisa!
Em meio à poeira e a um leve estouro, a menina desapareceu.
O diretor olhou para o próximo garoto.
_ Qual o seu nome, garoto?
_ Vinicius.
_ Responda a seguinte questão: Qual vida é mais importante, a sua ou a dos seus amigos?
_ A dos meus amigos.
_ Então, pode passar.
Vini, assim como Raissa, desapareceu na lareira.
_ Você...?
_ Phellip.
_ Negar seu poder, é conseguir passar. Se escolher seu poder, não passará. Porém, negar seu poder agora não significa que nunca o encontrará.
_ Eu fico. Quero meu poder.
O quadro não respondeu, apenas olhou para Talles e disse:
_ Você sabe a linhagem que tem. Para passar, terá que escolher sua verdadeira linhagem.
Talles foi até o jarro, pegou um punhado do pó, entrou na lareira, e com a determinação de um tigre afirmou:
_ Eu sou um Graunt! Sala Precisa!
Saindo da lareira, Talles, Vinicius e Raissa se depararam com uma sala gigantesca repleta de objetos, e logo saíram por ali à procura de Sophia. Começaram então a escutar alguns barulhos e gritos e logo correram em direção a eles. Sophia estava chorava muito, segurava o elfo pelo braço e o batia no chão.
_ Isso não é seu, devolve. Devolve agora!
O elfo havia tomado a pedra das mãos de Sophia, e a mesma estava na palma de sua mão fechada. Raissa entrou em desespero ao ver sua pedra nas mãos daquela estátua. Vinicius começo então a ser puxado pelo anel de encontro a estátua. O garoto tentou de todas as formas resistir, Talles tentou ajudar, mas foi tudo em vão. A força que o puxava era demais.
_ Estupefaça! _ Talles achou que desmaiado Vinicius não entregaria o anel, mas o corpo desmaiado dele estuporado continuou sendo arrastado.
A estátua permanecia imóvel, Vinicius e Raissa se viram sem saída.
_ Raissa, tira o anel do dedo dele.
Raissa assim o fez, tirou o anel do dedo de Vini, que imediatamente começou a se transformar em lobisomem, e bufava enraivecido.
_ Coloca o anel de volta!
Raissa empurrou de volta o anel no dedo da fera, e Vinicius voltou ao normal e estava acordado.
_ Agora eu quero fazer isso. _ Vinicius começou então, por vontade própria, novamente a se transformar em lobisomem. A força do rapaz como lobisomem era incrivelmente maior, porém ainda não o suficiente. Ele continuava se aproximando da estátua do elfo. Talles decidiu então colocar uma madeira entre os dois, e o corpo da fera arrastando-se conseguiu quebrar a madeira.
_ Protego! _ Talles e Raissa juntos fizeram a magia de proteção em volta de Vinicius. A magia segurou o corpo dele, mas o anel continuava a ser puxado pela estátua.
_ Para, Raissa. Vai arrancar o dedo dele. _ Talles havia desistido de evitar que Vini chegasse até a estátua.
Raíssa baixou sua varinha, e os três, Sophia, Talles e Raissa ficarama somente observando o anel chegar ao encontro da estátua, e no momento do encontro sair do dedo de Vinicius.
Nesse momento a estátua começou a ganhar vida, se movendo e rindo. Era um riso sarcástico e assustador, e enquanto ria, soltava ruídos roucos, inexplicáveis.
_ Estou livre! Depois de tanto tempo, enfim estou livre! _ E continuava rindo cada vez mais alto.
Vinicius tentou dar um salto para cima do elfo, que o arremessou longe. Talles se transformou em tigre e atacou o elfo, mas teve o mesmo destino que o amigo. Raissa apavorada gritou:
_ Devolva a minha pedra, você não tem o direito de roubá-la. Ela é minha, meu avô me deu.
_ Isso é meu, garotinha! _ O elfo segurava a pedra _ Se preparem, crianças, tudo voltará como era antes!
_ Você estava me controlando? _ Perguntou Sophia menos chorosa do que antes.
_ Isso! Nós controlamos você!
Talles voltou a sua forma humana.
_ Mas tudo o que vai, volta. Quem é seu mestre?
_ Conhecem a história, crianças? É igual a história. Olhem a história e vocês verão! _ O elfo simplesmente não parava de rir.
O elfo soltou então um forte gemido, olhando para seu dedo, já não ria mais.
_ O que é isso? O que está acontecendo? _ Ele segurava o anel que estava com a pedra encaixada em seu dedo. _ O que vocês estão fazendo? Parem agora? Como estão...
A pedra de Raissa se desencaixou do anel, e voou de volta para a mão da menina. Em seguida, o anel se desprendeu do dedo do elfo, e voltou para o dedo de Vinicius.
Um barulho veio da direção da lareira pelo qual haviam entrado, as crianças então viram o Diretor House, acompanhado dos professores Nerus e Garbo. Eles tinham algumas marcas e escoriações, resultado da batalha contra o dragão. Os três rodearam o elfo, e começaram a azarar o mesmo com vários feitiços e magias. Vini se protegeu quando viu que algumas delas passavam muito rentes a ele. Era como se nada tivesse acontecido, nada daquilo atingiu o elfo. Quando os professores se postavam a recomeçar as azarações, o elfo estalou os dedos, e sumiu de vista.
_ O que aconteceu aqui?
As crianças então contaram a House e os professores tudo o que havia ocorrido.
_ Vocês devem estar cansados, vão para seus quartos e descansem.
No dia seguinte:
_ Você viu o Profeta Diário, Raissa?
_ Não. O que foi publicado, Sophia?
_ Está aqui a notícia, informando que outra escola foi atacada, mas que os aurores do Ministério bravamente conseguiram interromper o ataque.
_ E quanto a Hogwarts, apareceu algo?
_ Apareceu sim, olha a matéria.
Sophia entregou o jornal na mão de Raissa, que leu:
“Hogwarts atacada por dragão.“ A matéria informava o ataque do dragão a Hogwarts, e também falava dos professores e alunos que bravamente protegeram a escola, combatendo o dragão. “Os bravos professores eram Abraão Garbo, de Feitiços, Nerus, de Defesa Contra as Artes das Trevas, Pilatus Grink, de Poções, e o Diretor House. Os alunos, todos do primeiro ano, eram Talles Graunt Kassuphel, Vinicius Scarefrow, Phellip Hanks, Raissa Camblie e Sophia Hunter. Todos pertenciam a Casa Grifinória. Todos estão bem, somente Pilatus Grink teve alguns ferimentos e ficará alguns dias no St. Mungus, porém, sem gravidade.”
_ Uau, Sophia. Nossos nomes saíram no Profeta Diário! Vamos contar para os meninos, rápido.
Raissa e Sophia foram eufóricas mostrar a noticia para os meninos, e todos ficaram muito orgulhosos de si mesmo.
Devido a todos os acontecimentos, o retorno as aulas foi adiantado. Os alunos da escola que foi atacada foram distribuídos entre as escolas de magia, e muitos deles vieram para Hogwarts.
No dia do retorno as aulas e da chegada dos novos alunos, as crianças se arrumaram e se encontraram no Salão Comunal da Grifinória. Quando iam se encaminhas para o Salão Principal, o Professor Grink apareceu. Com um chapéu na cabeça e roupas para ocasiões formais, ele se prontificou a acompanhar as crianças na entrada do Salão Principal.
Raissa passou o braço através do braço de Grink, e Sophia fez o mesmo. Phellip, Talles e Vini se postaram ao lado do professor. Todos caminharam até a porta do Salão Principal e pararam em frente a ela. Eles respiraram fundo, e a porta se abriu. Eles avistaram o salão, com as mesas das quatro casas cheias de alunos conversando, e uma mesa menos, ao centro, parecia chamar a atenção de todos. Era lá que estavam os alunos transferidos recentemente para Hogwarts. Atenção essa que foi desviada quando a porta acabou de se abrir. Com a porta totalmente aberta, estavam as crianças junto ao Professor Grink parados, sendo observada por toda a escola. Eles então começaram a caminhar em direção a mesa da Grifinória. Alguns passos e começou a se ouvir um barulho, era César, de pé, aplaudindo seus amigos. Logo todos os alunos da mesa da Grifinória estavam de pé, aplaudindo o grupo de amigos. O ato se estendeu, e não demorou para que todos os presentes estivessem de pé os aplaudindo. César deu início a um coro de gritos:
_ Grifinória! Grifinória! Grifinória!
Todos terminaram a caminhada até a mesa com um sorriso de orelha a orelha, e Grink foi em direção a mesa que estava no centro do salão. House então, deu início ao sermão.
_ Boa noite! Espero que a viagem de vocês tenha sido agradável. Hoje teremos um retorno ás aulas muito diferente do que de costume...
Grink então, interrompeu o diretor:
_ Hoje diretor, sugiro que façamos isso de uma maneira diferente. _ Grink de braços abertos começou a levitar, e parou em pé, encima da mesa central. Ele tirou o seu chapéu e jogou para cima, o chapéu ao invés de cair, desceu flutuando, e pousou na cabeça de um dos novos alunos. _ Hoje, o Chapéu Seletor irá até vocês.
O chapéu foi então, pulando de um em um, até que chegou a Shiori, uma menina de características orientais.
_ Seus atos te tem feito corajosa e extremamente valente, você já é pertencente à Grifinória.
Shiori se encaminhou então até a mesa da Grifinória, sentou-se ali ficou aguardando para ver a qual casa sua amiga Leslie iria pertencer.
O chapéu, quando chegou a cabeça de Leslie, cedeu a vontade da garota.
_ Você fica na Grifinória, você precisa dessa casa, assim como essa casa precisa de você.
Leslie, num salto só chegou á mesa da Grifinória, dando um largo sorriso para a amiga Shiori. Após todos os alunos serem distribuídos entre as casas, House voltou ao seu discurso:
_ Sejam bem-vindos a Hogwarts e as suas casas. Espero que tenham orgulho delas e que também sejam motivo de orgulho para elas. Suas casas são como sua família dentro de Hogwarts. Para a melhor adaptação de vocês, haverá uma alteração no conjunto dos quartos. Alguns alunos serão direcionados para outros quartos para os novos se instalarem. No mural de cada casa, estarão disponíveis os novos conjuntos. E que comece o banquete de boas-vindas.
Voltando do Salão Principal, todos os alunos foram então ver em que quartos dormiriam. Duas meninas do quarto de Sophia e Raissa foram transferidas para outros quartos, e Leslie e Shiori foram selecionadas para substituí-las.
_ Ah, que legal que ficamos juntas, espero que possamos nos dar bem. Eu sou a Leslie.
_ Eu sou Raissa, essa é minha amiga Sophia.
_ Muito prazer, Sophia, essa é minha amiga Shiori. Meio fechada, mas muito legal!
_ Acredito que sim. Bem, fiquem a vontade, amanha apresentamos os nossos amigos e apresentamos a escola para vocês.
Na manhã seguinte, Sophia, Leslie e Raissa acordaram cedo para ir para a aula, e se depararam com a cama de Shiori vazia.
_ Ué, cadê a Shiori? _ Perguntou Sophia.
_ Ah, relaxa. _ Leslie estava animada. _ Ela acorda cedinho mesmo.
Ainda no Salão Comunal, as meninas encontraram Phellip, Talles e Vini.
_ Meninos, essa é a Leslie, nossa nova amiga de quarto.
Talles evitou demonstrar, mas se encantou com o sorriso largo da loirinha.
Chegando ao Salão Principal, Shiori já estava tomando seu café da manhã. Leslie mesmo apresentou a menina aos outros, que por sua vez, estranharam uma sopa diferente que a menina tomava de café da manhã.
Leslie e Shiori se enturmaram bem com as outras crianças, então já era comum cumprirem as rotinas de Hogwarts juntos. Alguns dias se passaram e Leslie, Shiori e Sophia conversavam no quarto das meninas.
_ Em resumo é isso, Sophia, eu levava uma vida totalmente trouxa até receber a carta da escola de magia. _ Leslie contava um pouco de sua história.
_ No meu caso, meus pais são aurores, sempre conheci a magia.
_ Que máximo! Mas não nego que sinto falta de alguns costumes trouxas.
_ Não conheço quase nada dos tro..._ Sophia interrompe o que fala e paralisa o olhar.
Leslie e Shiori não entendem muito bem _ Sophia, você está bem?
Com os olhos brancos, a menina começa a fala uma frase:
_ Com os homens de cascos, o tigre e o lobo, na lua cheia devem encontrar. No dorso de um dragão, são e salva chegará.
_ O que você está falando? _ Shiori estranha aquilo.
_ Acho que ela está encarnada... Sei lá. Vamos chamar os meninos. – Leslie levanta e corre em direção ao quarto dos meninos, com uma expressão muito assustada. Shiori a acompanha.
Sophia acordou enquanto as meninas saiam correndo do quarto, e decidiu ir atrás para tentar explicar.
_ Talles, Vini! Pelo amor de Deus, alguma coisa está acontecendo com a Sophia, ela está estranha e falando umas coisas estranhas, vá ver o que é isso!
_ Calma, Leslie, onde ela está?
_ No quarto, Talles, vai lá.
_ Fica calma! Raissa, pode ir lá ver o que está havendo?
_ Posso sim. _ Raissa e Talles já desconfiavam do que estaria acontecendo.
Raissa chegou ao quarto e Sophia estava um tanto confusa, sentada ao chão.
Raissa, ao sair do quarto, deu de cara com Sophia que entrava correndo atrás das amigas.
_ Sophia? Você está bem?
_ Estou sim, Rá. Mas, Shiori e Leslie, me ouçam. Aconteceu de novo, mas eu vou explicar.
Talles interrompeu Sophia:
_ Espera, Sophia. Vocês três saem gritando desse jeito no meio do Salão Comunal e em frente aos outro quartos. Todo mundo vai querer saber o que é. A princípio achamos melhor manter em segredo, mas agora que viram, é melhor entenderem. A Sophia tem algumas premonições às vezes, mas ela não consegue controlar isso.
_ Então a Sophia tem premonições? _ Shiori achava aquilo interessante.
_ Exatamente. Mas sinceramente não entendo o porquê de tanto estardalhaço, sendo que vocês sabem que a vidência é dom de alguns bruxos. Temos até aula de adivinhação.
_ Pode ser, mas quando vem de uma pessoa de que não se espera, é estranho. _ Leslie ainda estava um pouco desorientada.
_ Agora só torço para que o Salão Comunal tivesse vazio ou que ninguém tenha ouvido as coisas que vocês falaram, não é? _ Sophia se mostrava preocupada.
_ Tudo bem _ Vini se mostrava mais calmo _ Mas agora, alguma de vocês se lembram do que a Sophia falou na profecia?
Leslie franziu a testa e ergueu a sombrancelha:
_ Tinha alguma coisa a ver com um tigre o um dragão. Tem um filme chamado “O Tigre e o Dragão”.
_ Calma, Leslie, eu me lembro bem. _ Shiori repetiu a profecia para todos _ “Com os homens de cascos, o tigre e o lobo, na lua cheia devem encontrar. No dorso de um dragão, são e salva chegará.”
_ Tigre e lobo? _ Vinicius mostrou um interesse especial a esses elementos.
_ Exato.
Talles estava pensativo e murmurando sozinho:
_ Tigre, lobo... Lua cheia... Dragão. Que será isso? Entende alguma coisa disso, Sophia?
_ Não. Infelizmente não.
Alguns dias se passaram e a próxima lua cheia estava por vir. Vinicius, como sempre, preparava-se para ir à floresta proibida.
_ Preciso falar com o House. Será que ele me deixa ir a Casa dos Gritos nessa Lua Cheia?
_ Não sei, não, Vini. Acho que ele não vai querer deixá-lo ir sozinho. Mas qualquer coisa, eu vou com você.
_ É melhor não, Talles.
_ Eu vou transformado.
_ Mesmo assim é melhor não. Relaxe, eu vou sozinho mesmo, sei me cuidar.
Vinicius então, procurou o Diretor House.
_ Licença, diretor.
_ Olá, Vinicius. Pode entrar.
_ Tudo bem?
_ Tudo ótimo. Mas diga, o que quer?
_ Gostaria de saber se me autoriza a ir à Casa dos Gritos na próxima lua cheia.
_ É por uma boa causa?
_ Sim, sim. Mas, se eu for, prefiro ir sozinho, como será lua cheia, tenho medo de me descontrolar.
_ Entendi. Pode ir, garoto. Mas tome muito cuidado, tudo bem?
_ Obrigado, diretor.
Vinicius fica satisfeito com a permissão concedida, e conta a Talles que estranha House tê-lo deixado ir sem maiores questionamentos, e ainda mais por ser sozinho.
_ Eu vou com você, eu vou transformado, assim, se houver problemas, seremos dois.
_ Mas o House só me deixou ir, sabendo que seria sozinho. Você tem que falar com ele.
Talles foi num minuto a sala de House, e antes que batesse na porta, já ouviu o professor dizendo para que ele entrasse.
_ Não sei o porquê, mas já esperava que você viesse aqui.
_ É... Imagino que sim. _ Talles ficou sem graça.
_ Diga, garoto. O que quer?
_ Então, diretor... Eu... Eu queria saber se podia ir junto com o Vinicius à Casa dos Gritos.
_ Receio que não. Não é seguro para ele, mas muito menos seguro para você.
_ Mas se ele se transformar, ele pode ficar descontrolado...
_ Exatamente por isso você não pode ir. É melhor que ele se descontrole sozinho, do que com você por perto.
_ Mas, diretor, se eu seu vir que ele está descontrolado, eu saio de perto.
_ Se não vai ficar por perto, não há necessidade de você ir. Talles, por favor, não insista. Não autorizo sua saída. Estamos conversados.
_ Tudo bem. Obrigado mesmo assim.
_ De nada.
Vini esperava Talles fora da sala de House:
_ E ai, ele deixou você ir?
_ Não.
Algumas horas depois, já no quarto dos meninos, Talles, Vinicius, Phellip e Raissa conversavam.
_ Quer saber, Vini? Eu vou com você do mesmo jeito, quer o House deixe ou não.
_ Mas, Talles, é muito perigoso. _ Raissa não concordava nada com a decisão do amigo.
_ Eu sei, Raissa, mas da mesma forma que é perigoso para mim, é perigoso para o Vini. Será lua cheia, tem noção da quantidade de lobisomens que terão na floresta?
_ Eu concordo com você, Talles, mas o Vinicius não é bobo, se sentir o perigo por perto, se transforma em lobisomem também.
_ Mas ele ainda não domina isso totalmente, e se der errado? E mais, eu ficarei perto dele em forma de tigre, ele não vai me atacar, pois não vai me farejar como humano.
_ Raissa _ Phellip interrompeu a conversa _ Eu vou com eles. Vou de vassoura, não vou me aproximar. Mas caso haja aconteça, se eu não tiver como intervir, terei como procurar ajuda.
_ Piorou, Phellip. Por mim nem o Vini iria, e o Talles ainda quer acompanhar. E agora me vem você?
_ Já que a burrada vai ser feita, que seja feita de forma mais segura.
Talles calmamente segurou a mão de Raissa, olhou-a nos olhos e explicou:
_ Entenda que não estou indo por puro espírito aventureiro, estou indo por preocupação. Não vou deixar o Vini sozinho na floresta, assim como eu não deixaria você ou qualquer um dos outros.
_ Eu sei, Talles, mas ainda acho extremamente imprudente.
_ Confie em mim.
No dia seguinte, Shiori acordou antes do que todos, como sempre. Ela treinava artes marciais e meditação todos os dias antes do café da manhã. Num momento, ela parou com seus pensamentos, raciocinou durante vários minutos e foi em direção ao seu quarto. Tomou banho, se aprontou, e desceu para o café. Porém, antes de tomar café, decidiu procurar os outros para uma breve conversa.
_ Raissa, Sophia, posso conversar com vocês?
_ Claro, Shi. Aconteceu alguma coisa?
_ Na verdade não, mas tem a ver com o que pode acontecer. Vamos ver os meninos, assim falo o que tenho que falar uma vez só.
_ Tudo bem, acho que eles ainda não desceram. Vamos procurá-los no quarto.
Raissa, Sophia e Shiori foram até o quarto, onde encontraram Phellip, Vinicius e Talles já quase prontos para descer para o café.
_ Meninos, a Shiori quer conversar com a gente. _ Raissa já se prontificou antes de qualquer questionamento por parte deles.
_ Tudo bem, pode dizer. _ Phellip já estava pronto, mas se sentou na cama para a conversa.
_ Eu vou direto ao ponto _ Todos prestavam atenção em Shiori _ Eu tenho um avatar.
_ Como assim um avatar? _ Raissa não entendia do que a japonesa falava.
_ Eu tenho um dragão que... Como eu posso dizer? Vive dentro de mim.
Todos olhavam a menina com expressões confusas.
_ É literalmente um avatar. Na verdade ele é um homem que vive dentro de mim, e ele se transforma em dragão. O nome dele é Raku. Eu preferia mantê-lo em segredo, mas estou contando isso a vocês porque talvez seja ele o dragão da profecia da Sophia.
Talles com o rosto sério continuou:
_ Confesso que também penso ter me encontrado nessa profecia. Shiori, sabe o que são animagos, não é?
_ Sei, sim.
_ Então, eu sou um. Eu me transformo em tigre. E acho que posso ser o tigre citado na profecia.
_ Mas, Shi, como esse avatar apareceu em você?
...
Um pouco depois das férias de inverno daquele ano, Shiori passou a ser interna da escola de magia em que estudava. No seu primeiro dia sem ir para a casa após o término das aulas, se dirigiu ao alojamento em que dormiria, e chorou muito. Seu quarto era tudo o que tinha, mas agora, nem isso.
Enquanto arrumava sua cama, uma menina tímida de cabelos castanhos se aproximou.
_ Olá, tudo bem?
_ Tudo. _ Shiori não mudava seu jeito fechado.
_ Sou Jane.
_ Prazer, Shiori.
_ Sou interna desde o começo do ano. Minha casa é muito longe e não compensa ir embora todos os dias. Acho que não havia reparado em mim, não é? Mas tudo bem, ninguém repara mesmo.
_ Desculpe. _ Shiori continuava arrumando suas coisas.
_ Meus pais são trouxas, então ninguém me aceita muito bem.
_ Ninguém me aceita muito bem por ser quem eu sou.
_ Fico na cama ao lado da sua. Quer um chá?
Shiori aceitou o convite para um chá na cama. Jane abriu uma pequena toalha sobre a cama e preparou magicamente um chá para as duas.
No dia seguinte, Shiori apresentou Jane a Leslie, que como sempre, foi muito simpática com a nova amiga.
Naquela noite Shiori notou que Jane não era mais a ocupante da cama ao lado, mas sim Leslie, que pediu para ser interna e passar mais tempo com as amigas.
Durante a madrugada, Shiori acordou com fortes trovões e quando olhou pela vidraça viu pessoas com capas pretas invadindo a escola. Shiori, junto a Leslie e Jane, saiu do quarto e todas ficaram sem saber o que fazer mediante uma batalha frenética entre os professores e os homens de capuz. Numa tentativa de fuga, Shiori viu um clarão verde vindo por de trás dela, e quando olhou em direção ao alvo daquele clarão, viu Jane indo ao chão, inerte.
_ Leslie, vá embora! Vá que eu não vou deixar o infeliz que matou ela em pé.
Leslie correu, mas se escondeu em alguns escombros para ver o que aconteceria.
Apesar do medo, Shiori estava parada, olhando em direção ao homem que havia matado Jane, que por sua vez, ria da atitude da menina. Em volta o barulho de outras dezenas de bruxos batalhando, e alguns outros bruxos também começaram a rodeá-la enquanto riam.
_ O que você está fazendo aqui, mocinha? Não deveria estar fugindo?
Shiori não respondeu.
_ O que é? Um gato comeu sua língua, garotinha? _ A voz do homem de capuz representava sarcasmo.
O homem então levantou sua varinha e fez com que a menina abrisse a boca e com um feitiço, era como se tivesse prendido sua língua na varinha. Num ato ousado, Shiori num golpe rápido, pegou o pulso do homem e começou a torcê-lo, enquanto sua língua acompanhava o movimento da varinha do mesmo. Apesar da dor, a menina suportou até o momento em que sentiu um rasgo próximo a garganta, e sabia que se continuasse teria a língua arrancada.
O homem soltou o feitiço e começou a aplaudir a menina ironicamente, enquanto pelos cantos de sua boca, escorria o sangue do ferimento causado.
Um grito ensurdecedor foi ouvido de repente e todos olharam na direção do grito, e viram um dragão chinês branco e verde voando sobre eles. Enquanto o dragão era atacado por todos os bruxos, Leslie e Shiori começaram a correr sem entender de onde teria vindo aquele dragão. Entraram em outro recinto onde aconteciam inúmeras batalhas, e em poucos momentos veio o silêncio. O dragão reapareceu e veio em direção a Shiori, que ficou parada por não ter para onde fugir.
Antes de chegar nela, aquele enorme dragão se transformou em um homem, que aparentava cerca de 20 anos, com cabelos raspados e tatuagens de dragão em volta de sua cabeça. Leslie estava atrás de Shiori e ambas estavam em choque.
O homem pegou um bolinho de dentro de seu bolso e pediu para que Shiori o comesse, o que curou o seu ferimento.
_ Qual o seu nome?
_ Nigihayami Kohakunishi.
_ Quem é você?
_ Sou seu avatar.
Shiori sorriu:
_ Meu avatar?
_ Sim. Eu moro dentro de você, no seu coração. Estou aqui para protegê-la.
_ Não sabe o quanto estou feliz em te conhecer.
_ Na verdade sei, e acredite, estarei por perto sempre que você precisar, você nunca estará sozinha.
_ Obrigada.
O homem se transformou novamente num enorme dragão, deu uma volta no ar, e voou na direção de Shiori, entrando em seu corpo, que é o seu lar.
...
_ Na noite do ocorrido na outra escola. Foi ele quem me protegeu.
Raissa e os outros ficaram pensativos, tentando encaixar as poucas informações que tinham, e tentar decifrar a profecia da pequena Sophia.
_ Vamos para o café...
Num ambiente de pré-adolescentes, é inevitável que os corações batam fortes mediante novas emoções. Talles cada vez mais se atraía pelo extrovertido da loirinha Leslie, que por sua vez, trocava sutis olhares com o menino. Talles, Raissa, Sophia e Vinicius estavam cada vez mais ligados, e onde o coração bate forte, o ciúme também é inevitável. Os olhares começaram a se estranhar entre Leslie e Raissa, mas as duas tentavam disfarçar de todas as formas.
_ Raissa, você gosta do Talles?
_ O Talles é meu amigo, Leslie, e você sabe disso. Mas por que a pergunta?
_ Por nada. Agora eu já vou, combinei de tomar café com o César hoje.
_ Com o César?
Leslie já havia saído do quarto. Raissa começou a notar que Leslie sabia das coisas. Leslie sempre sabia quem deve estar em determinado lugar, e isso começou a intrigar.
_ Leslie, como você sabia que isso ia acontecer?
_ Eu não sabia, foi só pressentimento.
_ Crianças?
_ Sim, Professor Nauali.
_ O Ministério está solicitando falar com vocês.
_ O Ministério? _ Talles olhou para Raissa e Vinicius.
_ Sim.
_ Olá, crianças. Eu sou o Ministro da Magia, creio que já devem me conhecer, não é?
Sophia logo reconheceu seus pais entre dezenas de aurores que estavam junto ao Ministro.
_ Olá, Ministro. _ Sophia não sabia o que esperar.
_ Quero falar em particular com cada um de vocês.
O Ministro entrou em uma sala próxima a sala de House, e chamou Sophia para dentro da mesma.
_ Sente-se.
_ Sim.
_ Qual é o seu nome?
_ Sophia.
_ Somente Sophia?
_ Sophia
Hunter.
_ Filha de aurores, não é?
_ Sim.
_ Sophia, eu tive o conhecimento de que seu grupinho anda carregando uns objetos muito valiosos. O que você sabe sobre esses objetos?
_ Eu não sei de nenhum objeto.
_ Não minta, diga, com quem estão os objetos?
_ Mas eu não sei do que você está falando.
_ Ouça, perguntarei pela última vez. Você sabe sim de que objetos eu estou falando e quero que me diga com quem estão.
_ Eu não sei.
_ Não sabe com quem estão?
_ Isso.
_ Ou seja, sabe dos objetos.
_ Eu não disse isso...
O Ministro interrompeu Sophia:
_ Era só isso, pode sair.
A menina desconcertada se levantou e foi até a porta. Assim que ela saiu, foi levada por um auror até o Salão Principal.
_ Que entre o próximo, por favor.
Talles foi levado por um auror até a sala com o Ministro.
_ Sente-se. Vou direto ao ponto, seu grupo está em poder de alguns objetos, e é necessário que sejam entregues ao Ministério. Com quem estão esses objetos?
_ Mas que objetos?
_ Qual o seu nome?
_ Talles.
_ Nome completo, por favor.
_ Talles Graunt.
_ Somente Graunt?
_ Talles Graunt Kassuphel.
_ Um Kassuphel. Entregue o que carrega com você.
_ Eu não carrego nada.
_ Entenda, o motivo pelo qual esses objetos estão sendo confiscados, é pela segurança de vocês, portanto, os entregue, senão os tomarei.
_ Mas eu não carrego nada.
_ Eu sei que está com você.
_ Eu não vou entregar nada.
O Ministro sorriu e apontou sua varinha para Talles, que devagar, sentiu sua varinha saindo de dentro de sua capa.
_ E essa varinha?
_ É minha varinha, oras. _ Talles tentava segurar a mesma.
O Ministro puxou a varinha até ele.
_ Mas vejo que essa varinha não é uma varinha qualquer.
_ Ela é minha, devolva, por favor.
_ Era só isso, pode sair.
_ Talles se levantou e saiu inconformado da sala, também foi levado por aurores até o Salão Principal. Ao ver Sophia, sentou-se ao lado da menina e sussurrou em seu ouvido:
_ Eles pegaram a varinha.
Sophia abaixou a cabeça, e não respondeu.
O Ministro solicitou que entrasse a próxima criança, e Shiori foi encaminhada à sala.
_ Olá.
_ Olá.
_ Traços orientais, deve ser Shiori Makoto, certo?
_ Certo.
_ Soube que você foi transferida da escola que foi atacada por Comensais.
_ Exatamente.
_ O que sabe sobre os objetos?
_ Que objetos?
_ Vocês todos vão fazer o mesmo teatro?
_ Não sei de que teatro o senhor está falando, mas caso queira explicar do que se trata, posso tentar ajudar.
_ O que estamos fazendo é para a segurança de vocês, o que você sabe desse grupo?
_ Eu cheguei aqui há pouco tempo, e agora que estou me familiarizando com a escola. Não falo com quase ninguém e isso faz com que poucos falem comigo. Não tenho como saber de nada.
_ Se você mentir, iremos saber.
_ Tudo bem.
_ Pode sair.
Shiori se encaminhou ao Salão Principal, mas se sentou longe de Talles e Sophia.
Raissa foi até a sala levada pelos aurores.
_ Sente-se.
_ Obrigada.
_ O que sabe sobre os objetos que carregam?
_ Não sei de que objetos está falando.
_ De novo isso.
_ Qual o seu nome?
_ Raissa Camblie.
_ Ok, Raissa, vou falar uma vez só. Existem alguns objetos com vocês que são perigosíssimos. Para que vocês fiquem seguros, nós, do Ministério da Magia, vamos levá-los conosco e deixá-los guardados num local bem seguro. Então, entregue o que você está escondendo. _ O Ministro falava com a menina olhando um cordão em seu pescoço, que escondia o pingente por dentro da blusa. Raissa sentiu a pedra se movendo, e por mais que tentasse segurar, não teve forças para evitar que fosse pega.
Com a pedra nas mãos, o Ministro dispensou Raissa.
_ Era só isso que eu queria.
_ Por favor, ela é minha, você não pode roubá-la de mim.
_ Primeiro, eu não estou roubando nada, estou confiscando por sua segurança. Segundo, tome cuidado como fala, pode sofrer conseqüências por isso.
_ Raissa abaixou a cabeça _ Desculpe. _ Levantou-se e saiu da sala.
Chegando ao Salão Principal, viu Talles e correu em direção a ele, aflita, a menina mal conseguia falar.
_ Eles pegaram a pedra, Talles, eles pegaram a pedra.
_ Calma, Raissa.
_ Mas o que eu vou fazer?
_ Não sei, uma vez que a varinha também está com eles.
_ Próximo! _ Chamou o Ministro da Magia.
_ Licença, Ministro.
_ Sente-se e diga quem é você.
_ Vinicius Scarefrow.
_ Scarefrow? Bem, quero saber o que carrega com você.
_ Carregar?
_ Exatamente, o que você carrega com você?
_ Não carrego nada.
_ Sabe do que estou falando?
_ Não. _ Vini começou a sentir o anel saindo de seu dedo.
_ Acho que isso não te pertence, garoto.
_ Claro que pertence, é só um anel.
_ É só um anel que agora pertence ao Ministério. Vá com os outros.
Junto aos outros garotos.
_ Pegaram o anel.
_ Eles pegaram minha pedra e também a varinha, em resumo, estão com tudo.
Ainda na sala com o Ministro:
_ Seu nome?
_ Phellip Hanks.
_ Ok, Phellip. Sabe se seus amigos escondem algum segredo de você?
_ Que segredo?
_ Um segredo ou algum objeto?
_ Até onde eu saiba, não.
_ Senhor Hanks, você sabe o que acontece com quem mente ao Ministério?
_ Na verdade não, e prefiro não saber.
_ Pode sair.
Phellip saiu e passou reto pelos amigos, indo direto ao Salão Comunal da Grifinória. Todos o seguiram e se sentaram para conversar sobre o assunto, Raissa estava desesperada:
_ O que a gente faz agora?
_ Eu acho que temos que ir atrás dos objetos. _ Vinicius estava determinado.
_ Você está louco, Vinicius? Os objetos estão com o Ministério, você sabe o que isso significa? Nunca que nós conseguiremos pegar nada do Ministério!
_ Depende. Nós todos talvez não, mas o Talles e eu transformados, talvez consigamos.
_ Piorou!
Raissa se levantou e foi em direção a seu quarto, onde encontrou Leslie.
_ Soube que vocês foram interrogados pelo Ministério, Raissa.
_ É... Fomos.
_ E o que eles queriam?
_ Nada demais.
_ Nada demais?
_ Nada demais, Leslie.
_ Por que você está pálida?
_ Pálida? É... Foi o Pirraça. Ele passou por mim e me deu um susto.
_ Certeza?
_ Claro!
Leslie saiu do quarto.
Enquanto isso Talles, Vinicius, Sophia, Shiori e Phellip conversavam.
_ Eu acho que não devia ir todo mundo, e como eles mesmo sugeriram, somente o Talles e o Vinicius. _ Phellip se prontificava _ Até porque, transformados eles tem maios facilidade até em fugir se as coisas derem erradas.
_ Eu acho loucura! _ Sophia discordava.
_ Mas por quê? Se não tentarmos pegar os objetos enquanto tiverem no caminho, depois será impossível, jamais pegaremos depois que entrarem no Ministério.
_ Mas Talles, você não viu a quantidade de aurores que estava aqui em Hogwarts? Deve ter muito mais escoltando.
_ Mas como eles sabiam que os objetos estavam com a gente?
_ Essa é que é a questão. _ Vinicius estava cabisbaixo.
Raissa desceu do quarto e foi em direção aos amigos.
_ Vocês contaram alguma coisa para a Leslie?
_ Não, por quê?
_ Por que ela já sabe que o Ministério esteve aqui, mas ela parecia, sei lá... Saber de alguma coisa.
_ Creio que não, Raissa.
_ Não sei, não, Talles.
Talles se afastou dos outros e encontrou Leslie, que estava o observando de longe.
_ Leslie?
_ Talles, eu só tenho uma coisa a te dizer: Se precisar ir, vai!
_ Onde?
_ Buscar o que é seu.
_ Como assim?
_ Provavelmente ainda dê tempo de alcançá-los.
_ Vini! _ Talles estava decidido _ Vamos, você e eu, a gente vai conseguir!
Raissa notou que o menino havia acabado de falar com Leslie.
_ Leslie, o que você falou para o Talles?
_ Pra ele buscar o que pertence a ele?
_ E o que pertence a ele?
_ Deixe-o ir, Raissa, ele sabe o que faz.
Raissa não entendia como Leslie poderia saber de algo.
_ Talles, espere!
Raissa foi interrompida por Phellip que estava junto de Sophia.
_ Calma, Raissa.
_ Como calma, Phellip? A gente já se encrencou o suficiente, eles estão fazendo besteira!
_ Já tentei convencê-los também, Raissa, não adianta. _ Sophia ajudava a acalmar a amiga.
Phellip acompanhou Vinicius e Talles até a janela, por onde saíram em direção à floresta. Por lá, provavelmente, o Ministério teria saído de Hogwarts.
Os meninos seguiram em frente, enquanto na escola Sophia e Raissa estavam aflitas.
_ Phellip. _ Todos viram Leslie. _ Vá atrás deles. Aliás, melhor irem todos vocês atrás deles.
_ Por quê?
_ Pressentimento. É melhor irem, eles vão precisar de vocês.
_ Como você sabe, Leslie? _ Sophia estava se convencendo.
_ Pressentimento, mas se vocês não irem, algo ruim pode acontecer.
_ Mas como nós vamos sair daqui?
_ Eu ajudo vocês.
Shiori se levantou de um dos sofás, o qual estava sentada, e se ofereceu:
_ O Raku também ajuda.
Todos foram em direção à janela do Salão Comunal. Leslie montou uma caixa já pela base da janela.
_ Quando vocês passarem por aqui, eu acendo esse pavio, assim, ninguém vai ver que vocês saíram. E tomem cuidado.
Raku saiu de dentro de Shiori e Sophia, Phellip e Raissa subiram em seu dorso.
_ Vão!
Assim que o dragão levantou vôo para sair de Hogwarts, Leslie acendeu um pavio, que deu início a uma imensa explosão de fogos que cortavam o céu. Leslie e Shiori ficaram de dentro da janela observando tudo.
Enquanto saíam, Phellip e Talles já haviam avançado e viram um trem cheio que aurores sendo atacado por Comensais da Morte. Eles sabiam que seus objetos estavam ali, mas agora era impossível se aproximar do trem. Os meninos ficaram escondidos no meio da floresta, e notaram quando Raku parou perto deles com Raissa, Phellip e Sophia.
_ Raku, você me levaria até o trem?
_ Sim. _ E Raku foi com Sophia até o trem, e a deixou em um dos vagões.
Sophia, já dentro do vagão, saiu à procura de seus pais. Escondidas na floresta, as outras crianças começaram a atacar de longe, tentando derrubar alguns Comensais.
Eles conseguiram derrubar alguns, até que outros notaram a direção de onde vinham os ataques e foram em direção a eles, começou ali uma batalha, até que Crowing e Nauali apareceram para ajudá-los. Vinicius se transformou em lobisomem para continuar batalhando.
Sophia procurava seus pais, um Comensal, numa forte pancada, atravessou o teto do trem e caiu a sua frente. Notando que aurores vinham para aquele vagão e que o trem estava sendo destruído, ela pegou a vassoura do Comensal, e saltou com ela trem, que passava por uma gigantesca ponte, e a menina se viu em queda livre. Foi quando se lembrou de sua meia, e nela se concentrou.
...
_ Raissa e Sophia, eu tenho um presente para vocês.
_ Que presente, Phellip?
Phellip tirou de sua capa um par de meias, e deu um pé de meia para cada menina.
_ Essas meias tem uma espécie de escudo mágico. Elas poderão proteger vocês de alguns feitiços mais simples, e também as ajudarão em seus atos e magias. Use somente quando for extremamente necessário, e não contem sobre elas à ninguém, com exceção do Talles e o Vini.
_ Obrigada, Phellip.
As meninas deram um grande abraço no amigo.
...
Com muita dificuldade, quase chegando ao chão, Sophia conseguiu se controlar encima da vassoura, e num rasante ela passou a centímetros da grama. Ela foi em direção às outras crianças, quando notou uma ave gigantesca que a seguia. Era uma águia, que de tão grande, quase quebrou um dos pilares da ponte ao passar por baixo dela.
Talles, Vinicius, Phellip, Raissa, Crowing e Nauali continuavam contra os Comensais, quando Sophia chegou seguida pela águia. A princípio todos se assustaram, até que a águia se transformou num homem, e começou também a batalhar contra os Comensais e a protegê-los.
O céu brilhava mediante tantas magias que vinham de todos os lados, e em uma fração de segundos, Phellip foi jogado longe por uma magia que o acertou. Mediante isso, ouviu-se um grito arrepiante:
_ Avada Kedavra!
Sophia paralisou ao ver que Crowing, seu professor, matou o homem que havia atingido Phellip. Crowing notou a reação da menina, e ficou sem reação. Ao se recompor, Sophia se escondeu na floresta, e ficou de longe lançando magias na direção dos Comensais.
_ Precisamos chegar mais perto do trem e procurar nossas coisas. _ Talles se mostrava empenhado em avançar.
Raissa então respondeu:
_ Espere! Vou tentar algo.
_ Raissa pulou para dentro da floresta junto à Sophia, apontou sua varinha, e com toda a força que tinha dentro de si, lançou a magia:
_ Accio pedra!
Um forte ruído foi ouvido, e todos temeram ao ver o trem saindo dos trilhos, e vindo rolando em direção à floresta.
_ O que você fez, Raissa?
_ Eu não sei, Sophia, eu não sei!
As pessoas que ainda estavam dentro e em volta do trem tentavam pular de qualquer forma, e os professores não conseguiam concentrar suas magias em parar o trem com tantos Comensais os atacando. O desespero era total, muitos comensais e aurores fugiram, enquanto as crianças se viram praticamente sozinhas com o trem rolando em sua direção.
Sophia e Vinicius tentavam correr enquanto o trem vinha rolando, mas ele vinha muito rápido, e não havia mais tempo. Sem saída, ambos se jogaram no chão, e por centímetros não foram atingidos pelo trem.
Talles, ao notar que Raissa corria sem olhar para trás, pegou sua vassoura e voou em direção a menina. Num rasante, Talles conseguiu puxar a menina para a vassoura, e também por centímetros o trem não os derrubou. Talles se viu numa situação perigosa, e foi obrigado a inclinar sua vassoura e voar para cima, quase na vertical. O desespero foi total, quando a dupla notou que em qualquer direção que voavam, o trem os seguia descontroladamente. Começaram então a se esgueirar pela floresta na esperança de que o trem perdesse forças, mas nada adiantava, por onde passava, a destruição era total.
Já sem saber como fugir do trem, Talles notou que Crowing e Nauali lançavam inúmeras magias no trem, até então sem sucesso.
Crowing se lembrou do Sangue de Medusa que carregava com ele, e sabia que aquele sangue era capaz de aumentar o poder de sua varinha. Sem pestanejar, pingou o sangue em sua varinha e gritou:
_ Finite Incantatem!
Notando a magia lançada por Crowing, Nauali também a direcionou ao trem, no intuito de reforçar o feitiço. Raku se postou a frente do trem, fixando o olhar no mesmo.
O vagão foi perdendo velocidade, e num último giro caiu ao chão, se transformando na pedra de Raissa, que ao notar, foi procurá-la onde havia caído.
Crowing foi atrás das crianças:
_ Vocês estão bem?
_ Estamos, estamos.
Raissa encontrou a pedra, e chorando, começou a explicar:
_ Fui eu, professor, eu tentei puxar a pedra com, mas o trem começou a vir no lugar dela e eu não sabia como desfazer...
Crowing se apresentou:
_ Provavelmente essa é uma transfiguração incrível, o trem é a pedra.
Algumas partes do trem continuaram inteiras, e não levaram muito tempo até deduzir que outras duas partes do trem eram a varinha de Talles, e o anel de Vini, e cada garoto pegou o seu item.
_ Esses itens pertencem ao Ministério. _ O homem que virava águia mostrou que ainda estava por ali. Raissa então apelou:
_ Por favor, esses itens são nossos, não podem tirá-los de nós.
_ E quem é você? _ Perguntou Crowing.
_ Podem me chamar de Senhor das Águias.
_ Por que o Ministério quer tanto esses objetos?
_ Por segurança.
_ Crianças, voltem a Hogwarts junto com Nauali e cuidem do Phellip. Eu converso com o Senhor das Águias, pode ser?
O Senhor das Águias então concordou com a cabeça.
De volta a Hogwarts, Phellip se recuperou, e Raissa e Sophia foram atrás de Leslie, que estava no quarto.
_ Leslie, como você sabia que tínhamos que ter ido?
_ Eu não sabia, Raissa.
_ Claro que sabia. Você sabia que o Talles devia ter ido, e sabia exatamente a hora que nós tínhamos que ir. Já estava com tudo pronto para nos ajudar. Você por acaso ouve nossas conversas por trás da porta?
_ Claro que não, só que vocês falam alto demais.
_ Leslie, por favor, o Talles anda te contando coisas?
_ Claro que não, pelo que eu sei a grande amiga do Talles aqui é você, Raissa.
_ Ele é meu amigo sim.
_ Amigo demais pelo jeito.
_ Leslie, de qualquer forma, você foi uma irresponsável convencendo o Talles de ir até lá, ele poderia ter morrido, sabia?
_ Mas não morreu, certo?
_ Certo? Claro que não está certo.
_ Raissa, é o seguinte, você não confia em mim e vive me questionando por tudo o que falo ou sugiro. Não vejo motivos pra continuar por aqui, num ambiente onde não sou bem-vinda.
Leslie saiu do quarto e todos foram dormir, na manhã seguinte, Raissa, Sophia e Shiori notaram que o malão e os pertences da menina não estavam mais em sua cama. Após o café da manhã, Crowing chamou Sophia em sua sala, e notou que menina estava o tratando com certo receio.
_ Sophia, você ficou um pouco impressionada com o que você viu ontem, não foi?
_ Confesso que é algo que não estou acostumada, mas vai passar, professor.
Crowing se levantou de sua cadeira, deu a volta na menina e parou por trás dela.
_ Relaxe, vou te fazer esquecer isso... Obliviate.
Uma leve luz branca saiu da ponta da varinha de Crowing até a cabeça de Sophia. Crowing apagou de suas lembranças a imagem de ele matando o Comensal.
_ Professor, pra que me chamou aqui?
_ Quero só que solicite a todos que me encontrem no jardim mais tarde, vamos tentar relaxar um pouco.
_ Só isso?
_ Sim, Obrigado.
Chegado o dia da lua cheia, Phellip, Vini e Talles saíram antes do jantar. Para evitar problemas, Talles e Phellip entraram na bolsa de Phellip, uma chave de portal para a o estoque da loja Gemialidades Weasley. Os garotos ficaram lá até Vinicius entrar na passagem secreta que há na estátua da velha corcunda. Quando Vinicius passou, Talles e Phellip saíram da bolsa, e foram atrás do amigo, também indo pela estátua.
A passagem pela corcunda leva a um corredor que tem fim em Hogsmeade, no porão da loja Dedosdemel. Saindo da loja, os garotos foram sorrateiramente em direção Á Casa dos Gritos, já sabendo que Vinicius havia ido à frente.
Phellip e Talles chegaram a Casa dos Gritos apreensivos, não sabiam o que podiam esperar. Subiram a escada e foram para um dos quartos. Os dois montaram suas vassouras e ficaram em prontidão observando o amigo Vinicius que estava parado em um canto do quarto. Esperavam pela transformação.
A noite foi chegando e ao sair da lua, Vinicius começou a gemer e se contorcer. Olhava o tempo todo para os dois amigos no canto do quarto, enquanto seus olhos ficavam vermelhos e seus dentes cresciam. Era visível que a transformação era dolorida. Ele se contorcia e crescia enquanto seus pelos cobriam seu corpo. Seu rosto ia mudando de feição, dando forma ao focinho. Durante a transformação, Vini observava sua mão se deformando, até que já não pôde mais sustentar a posição ereta e foi de joelhos ao chão. Já com a transformação completa, a fera ficou alguns instantes abaixada e gemendo como um lobo ferido.
Após alguns minutos, o lobisomem se levantou e deu um forte uivo, e um ganido muito feroz, direcionado a Phellip e Talles. Phellip não pensou duas vezes e levantou vôo com sua vassoura, um reflexo que não foi seguido por Talles, que ainda observava o amigo estupefato. Vendo amigo saltando enraivecido sobre ele, levantou vôo num golpe de sorte, e por milímetros não foi atingido. A dupla saiu da casa e voou para o alto, observando o lobo a tempo de vê-lo saindo em direção à floresta. Os meninos foram furtivos atrás dele.
Enquanto acompanhavam, viram que Vinicius soltou um enorme uivo que foi rapidamente respondido por outros vários uivos. Vinicius continuou correndo, outro lobisomem, que reconheceram como o tio dele, se emparelhou a ele na corrida. Um único lobisomem corria na direção oposta e vinha ao encontro deles. Talles e Phellip tiveram que reduzir o ritmo quando notaram todas as feras farejando o ar e saindo novamente em disparada. Continuaram atrás da alcatéia, mas tiveram que parar de segui-los quando notaram que uma das feras farejava algumas árvores e lentamente começou a subir em uma delas.
O lobisomem já havia subido mais de a metade da árvore, quando um clarão saiu da copa dela e atingiu a fera em cheio. Os meninos reconhecerem os professores Crowing e Nauali, que batalharam com os três lobisomens durante alguns minutos. Os professores conseguiram afugentar os lobos. Phellip os ajudou, mas ambos não notaram.
Phellip e Talles continuaram seguindo os lobos pelas copas das árvores, conseguindo passarem despercebidos pelos professores. Os encontraram numa clareira em meio a floresta, junto a outros vários lobisomens. Vini e o tio estavam no meio, em uma pedra, e todos os outros em volta deles rosnando. Um lobisomem de pelos esbranquiçados saiu do meio dos outros em direção aos dois, e Vinicius deu um salto para cima dele. Com esse ato, todos os outros lobisomens partiram para cima de Vini e o tio, até que conseguiram travá-lo e tirar o anel de seu dedo. O lobisomem de dedos esbranquiçados colocou o anel em seu dedo, voltando a sua forma humana novamente, e assim, o anel foi sendo passado por todos, que iam fazendo o mesmo. Os homens entraram na floresta e Vinicius e o tio foram para outra direção. Phellip e Talles os seguiram.
Enquanto Phellip e Talles seguiam Vini e seu tio, foram surpreendidos no caminho por um ser spectral de cor vermelha, que lembrava uma chama.
_ Olá!
Reduzindo o ritmo com a vassoura, Talles não entendia o que era aquilo.
_ Quem é você?
_ Eu sou a Escolha.
_ Escolha?
_ Exatamente. Eu sou qualquer escolha que você já tenha feito, ou que esteja prestes a fazer.
_ Como assim?
_ É hoje o dia, pequeno Graunt Kassuphel.
_ Que dia?
_ Que você escolherá se você é Graunt ou se é Kassuphel.
Num lance muito rápido, a Escolha se precipitou para cima de Vinicius, e entrou em seu corpo, o possuindo. Ele correu floresta adentro, enquanto Talles e Phellip o seguia.
Atravessaram uma boa parte da floresta, até que chegaram a uma caverna. Vinicius, ainda em forma de lobisomem e possuído pela Escolha, foi entrando devagar na caverna, que estava rodeada por muitos centauros. Phellip e Talles notaram que os centauros os viram, e que estavam abrindo caminho para que eles também entrassem. Quando chegaram dentro da caverna, viram Raissa, Sophia, Shiori e outra menina, que não conhecia. Todas estavam penduradas em uma das paredes. Crowing e Nauali também estavam no local, perto de uma enorme estátua de Centauro.
A estátua começou a se mexer e ganhou vida, direcionando o olhar a Talles e Phellip, que ainda não entendiam o que estava acontecendo.
_ Olá, rapazes.
Os meninos estavam ocupados demais tentando raciocinar para responder ao cumprimento.
_ Bem, vocês já conhecem a profecia, não é?
_ Conheço. _ Talles estava com a voz trêmula.
_ Então, hoje talvez seja o dia, afinal, temos aqui os homens de cascos, o tigre e o lobo. Falta pouca coisa, não é mesmo?
_ Talvez.
_ Olhe a parede, veja os desenhos. Está vendo o tigre? É ali que você deve estar, e na forma do desenho.
Talles se transformou, caminhou e parou em frente ao desenho do tigre, desenhado em uma das paredes da caverna.
_ Que o lobo vá, em sua forma, até sua figura.
Vini foi até o desenho de um lobo na parede. Ao olharem para o lado, viram que Shiori estava também encostada na parede, junto a um dragão.
A estátua, com magia, tirou a menina desconhecida da parede e a deitou no chão, pegou um frasco com um líquido e pingou uma gota na boca da menina.
_ Isto é Sangue de Medusa. Uma gota leva à morte, uma gota leva à vida.
A menina flutuou e ficou imóvel a alguns centímetros do chão, deitada no ar, e uma pequena bola de energia, branca e brilhante saiu de sua boca se transformando numa esfera.
_ Pulem e entrem na esfera. O nome dela é Sabrina, e ela estará dentro da esfera. Encontre-a.
Talles deu um passo à frente e percebeu que seu corpo estava diferente, parecia spectral. Vini, Raissa, Sophia e Shiori também notaram o mesmo quando caminharam em direção a esfera. Primeiro foi a Shiori, seguida de Talles e Vinicius. Sophia e Raissa deram as mãos, e pularam juntas.
Dentro da esfera, era tudo branco, era como se não houvesse dimensão. Não se via o que era chão ou se tinha um fim. Eram somente as cinco crianças, e começaram então a andar, a procura da garota, que até então, não sabiam quem era. Sophia e Raissa, em determinado momento soltaram as mãos, e todos viam a caverna.
Tentaram falar com o centauro ou os professores, mas notaram então que ninguém os via. Com medo, Raissa e Sophia novamente se deram as mãos, e tudo ficou branco novamente. Depois do fato se repetir algumas vezes, chegaram a conclusão de que quando as duas soltavam as mãos, viam a caverna, juntavam as mãos e viam o branco, mas quando viam a caverna, ninguém de lá os via.
Eles continuaram procurando, e em uma das vezes que Raissa e Sophia soltaram as mãos, eles viram Phellip em um canto da caverna junto com o Professor Crowing. O menino estava com a varinha em punho, apontada para uma bola de fogo, que estava sendo segurada por eles. O esforço que eles faziam para conter aquela esfera era tanto, que ambos gritavam. Depois de certo tempo, conseguiram jogar aquela esfera para túnel que levava à saída da caverna. A estátua do centauro saiu atrás da bola de fogo.
As meninas novamente seguraram suas mãos, e tudo voltou à imensidão branca.
_ O que era aquilo? _ Raissa estava aflita.
_ Não sei, mas temos que achar a garota logo.
_ Mas, Talles, já andamos um tempão, não tem sentido o que estamos fazendo.
_ Silêncio! _ Shiori estava concentrada _ Ouçam! É a voz de alguém.
_ Estou ouvindo, mas não consigo ver de que direção vem. Você consegue, Vini?
_ Não, Talles. Por mais que eu tente, aqui é difícil se direcionar.
Todos gritavam o nome de Sabrina.
_ Será que é ela? _ Raissa olhava para todos os lados.
De repente, foi ouvido um forte estrondo, e viram a garota caindo, como se fosse de uma escada, e vindo parar perto deles. A menina olhou assustada para eles.
_ Quem são vocês?
Raissa estendeu as mãos para a menina.
_ Nós viemos te buscar.
_ Buscar pra que? Cadê meu pai?
_ Não sabe por que está aqui?
_ Eu vim aqui com meu pai. Cadê ele? Eu quero ir embora, cadê ele?
_ Vai embora como?
A menina olhou em volta e só naquele momento viu onde estava.
_ Como eu vim parar aqui? E quem são vocês?
_ Somos bruxos, e a gente veio te tirar daqui. _ Talles tentava acalmar a menina.
_ Bruxos? Bruxos não existem.
_ Olhe, tentaremos explicar tudo ao sairmos daqui, mas por enquanto, você tem que vir com a gente. Mas, eu sou Talles. E esses são Raissa, Shiori, Sophia e Vinicius.
_ Não vou a lugar algum com pessoas que dizem serem bruxas.
_ Sabrina, você também é uma bruxa, assim como todos nós.
_ Bruxa? Eu? Vocês estão loucos!
_ Então como você explica tudo o que está acontecendo? Normalmente você vê por aí um lugar totalmente branco, sem nada? Existe uma profecia que nos trouxe até aqui pra te buscar.
A menina ainda desconfiada levantou e aceitou ser ajudada. Raissa e Sophia soltaram as mãos, mas notaram que não havia como sair de lá dessa forma. Deram as mãos novamente e começaram a andar, achando pelo caminho uma espécie de portal. Todos saíram de lá pelo portal, menos a menina, que ao tentar sair, começou a ser pressionada por uma luz enquanto tentava passar. A garota começou a gritar desesperadamente, e Nauali viu a situação em que a mesma se encontrava e deu a mão para a garota segurar.
_ Segure a minha mão e não solte.
A menina segurou a mão do professor, que a partir de agora começou a sentir a quão poderosa era aquela energia. A menina segurava Nauali cada vez com mais força, e Nauali por um momento achou que não resistiria.
_ No três, eu vou te dar um tranco, tente se empurrar, ok? Um, dois, três!
Conforme o combinado, a garota se deu um impulso para frente enquanto Nauali a puxava, e enfim ela conseguiu sair daquela esfera de energia. Ambos caíram ao chão. A menina se encostou à parede, enquanto Nauali saiu para lutar com vários homens de capa vermelha que invadiam a caverna.
Enquanto isso, Talles, Vinicius, Sophia, Shiori, quando saíram da caverna foram buscar seus corpos, que estavam todos encostados à parede. Quando notaram que estavam em seus corpos, puderam notar os homens de capuz e a batalha que ali ocorria.
Phellip batalhava com aqueles bruxos, e logo viram Talles e Vinicius transformados se juntarem a ele. Os garotos surpreendiam durante a batalha, lutando com aqueles bruxos de igual para igual. Em determinado momento, Talles de fazia humano novamente atacando com varinhas que tomava dos bruxos caídos. Phellip ia em direção a saída da caverna, enquanto Raissa, Sophia e Shiori foram em direção a Sabrina, que olhava assustada tudo aquilo que estava acontecendo. Ficaram por ali, a fim de protegê-la caso fosse necessário.
Phellip pegou sua bolinha mágica e fez uma espada, e assim continuou um duelo com um dos bruxos de capa vermelha. O bruxo, por sua vez, conseguiu em numa fração de segundo, arrancar a espada da mão de Phellip, e atravessou a perna do garoto com a mesma. O garoto foi ao chão e Crowing derrubou o tal bruxo. Quando todos olharam ao redor, todos os bruxos encapuzados que estavam dentro da caverna, haviam sido derrubados.
Todos entranharam a magia que Crowing havia utilizado naquele homem, pois ele não parava de sangrar enquanto caia ao chão. Crowin abaixou-se e retirou o capuz do bruxo. Raissa e Sophia gritaram, e Talles desesperadamente pulou em direção ao mesmo. Deitado, desacordado e ainda sangrando muito estava o Diretor House.
_ Professor, faz isso parar, pelo amor de Deus! É o House, professor.
Com um toque de varinha, Crowing tirou a maldição de House e colocou o diretor em sua vassoura.
_ Vou levá-lo a Hogwarts, Madame Ponfrey saberá o que fazer.
Ao ir em direção à saída da caverna, Crowing parou sua vassoura e deu meia-volta. Nauali, que acompanhava o professor, também parou.
Do lado de fora da caverna, haviam inúmeros bruxos de capa vermelha cercando a caverna, prontos para atacar. Uma remessa intensa de clarões os surpreendeu, eram os aurores do Ministério da Magia. Uma guerra começou ali.
_ Crianças, esses homens de capuz são Comensais da Morte, e o Ministério chegou para combatê-los.
_ Os barulhos ao lado de fora da caverna era assustador, gritos, magias e explosões eram ouvidos todo o tempo.
Sabrina não sabia como reagir, via pela primeira vez na vida um lobisomem e um garoto que se transformava em tigre. E a recordação que tinha dos centauros não era lá muito boa, até que em determinado momento, se deparou com Raku, que saia de dentro de Shiori e ia em sua direção:
_ Suba!
_ Subir? _ Sabrina não acreditava que um dragão estava falando com ela.
_ Suba em mim agora!
_ Mas como...
A menina foi interrompida pela voz do dragão, que aparentemente estava furioso.
_ Suba agora e não discuta!
Com muito medo, ela subiu ao dorso do dragão, que saiu da caverna voando com a menina.
_ Nauali, acho que é melhor você aparatar com as crianças para Hogwarts, sair daqui o mais depressa o possível. _ Crowing instruía Nauali.
_ Tudo bem, mas e você?
_ Levo o House na vassoura, eu saio da caverna e vou para longe de todos. Ele ainda não pode aparatar.
_ Ok.
Primeiramente Raissa, Sophia e Phellip foram aparatados por Nauali até Hogsmeade, e voltou para buscar Shiori, Talles e Vinicius.
As crianças foram então para a Dedosdemel e pela passagem da velha corcunda, sabendo que a profecia havia sido cumprida.
Enquanto eles chegavam a Hogwarts, Raku passava com Sabrina em meio à batalha que acontecia no céu entre Comensais da Morte e Aurores do Ministério. Não sabia para onde estava sendo levada, mas logo começou a reconhecer os arredores de sua casa. O dragão pousou em seu quintal, e quando Sabrina desceu dele, ele se transformou num homem careca, com uma tatuagem de dragão na cabeça.
Aliviada por estar em casa, a menina agradeceu Raku.
_ Muito obrigada por me trazer de volta, mas como sabia onde eu morava?
_ Eu só segui a profecia.
_ Que profecia?
_ Existia uma profecia para encontrarmos você, nada do que aconteceu foi por acaso.
_ Eu não fazia idéia disso tudo.
_ Você é realmente uma bruxa, garota, acredite nisso.
_ É difícil, mas eu vou tentar.
_ Tenha cuidado. Existe outra profecia a qual você faz parte, e que envolve um perigoso bruxo das trevas.
_ Que profecia é essa?
_ Há muitos e muitos anos atrás, existiu um bruxo chamado Malguz, e ele criou um poderosíssimo livro de feitiços, que caso caia em mãos erradas, pode comprometer todo o mundo bruxo. Malguz teve um filho, Mortuz. Você, Sabrina, é parte de um caminho que leva a Mortuz, você é parte de uma espécie de quebra-cabeças capaz de revivê-lo. Caso Mortuz ressuscite, ele poderá chegar ao livro de feitiços, e com isso ressuscitar seu pai. Em resumo, te encontrar foi só uma parte da profecia. O problema, é que aqueles bruxos de capuz, os Comensais da Morte, também sabem da profecia e também querem ressuscitar Mortuz, por isso estavam lá atrás de você.
_ E o que eu tenho que fazer?
_ Por enquanto nada, vá ver seu pai, acho que ele a espera.
_ Meu Deus! Ele está vivo! Obrigada! Só mais uma coisa, devo ter medo?
_ Confie em Hogwarts.
Raku se transformou em dragão novamente e voou para a floresta, enquanto Sabrina entrava correndo em sua casa.
Enquanto isso, na escola, as crianças conversavam e se questionavam sobre quem seria a garota, mas o cansaço as tomou, e todos foram dormir.
Três dias depois, Sabrina chega à Hogwarts junto a Hagrid, que a buscou em sua residência. Coincidentemente, a menina descobriu que mora bem próximo a Hogwarts, mais exatamente, atrás da floresta proibida.
Logo que a garota chegou, foi recepcionada por Sophia, Raissa e Leslie no Salão Principal.
_ Viu só, você é uma bruxa. _ Sophia dizia sorrindo.
_ É, agora não tem como não acreditar, não é?
_ Isso aí.
House interrompeu as meninas:
_ Olá, meninas. Olá, Sabrina.
_ Olá, diretor. Sabrina, esse é House, o diretor de Hogwarts. _ Raissa logo fez as apresentações.
_ Olá, diretor.
_ Creio que devíamos ter sido apresentados antes de tudo, mas não tivemos tempo.
_ Tudo bem, diretor.
_ Meninas, por gentileza, vocês a acompanham até a sala do Professor Grink?
_ Ela vai passar pelo Chapéu Seletor, diretor?
_ Exatamente, Raissa.
_ Nós a levaremos lá.
_ Que chapéu é esse? _ Sabrina não entendia do que se tratava.
_ Aqui em Hogwarts têm quatro casas, que funcionam como se fosse sua família, e o Chapéu Seletor é que diz qual é a sua casa.
_ E qual é a sua casa, Raissa?
_ É a Grifinória, assim como das meninas e também dos meninos que você conheceu na caverna.
A conversa continuou enquanto as três se encaminhavam até a sala de Grink.
_ E o que aconteceu com você, Sabrina... Depois que você saiu com o dragão?
_ Ah, ela me levou para a minha casa e me falou da profecia.
_ Fui eu quem fez a profecia. _ Sophia se mostrava um tanto orgulhosa.
_ A profecia do Malguz?
_ Malguz? Não, a profecia de que você seria encontrada e sairia da caverna com o dragão.
_ Mas ele me falou sobre outra profecia.
_ Qual profecia? _ Raissa já se mostrava intrigada.
_ Bem, ele me explicou que eu sou uma parte de uma profecia sobre a ressurreição do tal Mortuz, e que ele pode ressuscitar Malguz, bruxo das trevas.
_ E ele disse mais alguma coisa?
_ A princípio não. Por quê?
_ Por nada.
Chegando à sala de Grink, antes que as meninas batessem na porta, elas já ouviram sua voz de dentro da sala.
_ Entrem, crianças.
_ Licença, professor.
_ Toda, entrem. Você que é a aluna nova?
_ Sim, muito prazer.
_ Então, vamos saber a que casa você pertence.
Grink se virou para pegar o Chapéu Seletor, e quanto isso Sophia e Raissa falavam com Sabrina:
_ Sabrina, torça para ficar na Grifinória com a gente. _ Raissa se mostrava ansiosa.
_ Tá, vou torcer.
_ Ou então, que você fique em qualquer casa, menos na Sonserina. _ Sophia falou com certo desdenho da casa.
_ O que tem lá?
_ Só gente estranha.
_ Ok.
Grink já com o chapéu nas mãos, chamou Sabrina.
_ Venha, menina, e não deixe essas encrenqueirazinhas te influenciarem.
Sabrina se sentou em um banco e Grink colocou o chapéu em sua cabeça. A menina ficou surpresa quando o chapéu começou a falar em sua cabeça.
_ Uma pessoa de diferentes potenciais... Você promete muitos feitos, garota. Vejo em você duas casas que você se destacaria. Seria Sonserina ou Grifinória?
Raissa e Sophia olhavam agoniadas para Sabrina, enquanto a menina torcia de olhos fechados para não ser da Sonserina.
_ Você quer ser da Grifinória, mas eu tenho a sensação de que lá não é o seu lugar, é a Sonserina que você pertenceria... Mas, sua escolha é importante para seu desempenho, você pertence à Grifinória.
As três garotas sorriram aliviadas. Grink então se prontificou:
_ Então, meninas, ela ficará no quarto de vocês, sei que há um lugar vago lá.
_ Tudo bem, professor, ensinaremos o caminho e a senha do Salão Comunal a ela.
_ Seja bem-vinda, mocinha.
_ Obrigada, professor.
_ Só pra constar, o ano letivo já começou, então você terá que repor as aulas perdidas, procure saber com seus professores como fazer.
_ Ok.
Sabrina foi instalada no quarto das meninas e bem recepcionada por todos do grupo.
Passaram dois dias e a rotina na escola era normal, Sabrina estava mais próxima de todos e tudo se encaminhava como tinha que ser. Phellip não dava notícias desde o dia do episódio da caverna, mas conforme as crianças, isso era típico do comportamento dele, logo ele voltaria. As crianças mantinham sua rotina escolar e Raissa cada vez mais se encantava pelos trejeitos de César. Até que naquela tarde, Crowing procurou as crianças.
_ Quero falar com vocês na minha sala, por favor.
Já em sua sala:
_ Licença, professsor.
_ Entrem todos, tem alguém que quero apresentar a vocês.
_ Quem?
_ A Maria Eduarda. _ Ele apontou uma menina de cabelos lisos que entrava pela sala. _ Ela vai se juntar ao grupinho de vocês.
_ Oi, gente.
Todos responderam com certo ar de desconfiança.
_ Então, ela vai passar um tempo com vocês na Grifinória.
_ E ela já passou pelo Chapéu Seletor, professor? _ Perguntou Sophia.
_ Não, ela não precisa, já foi decidido que ela ficará na Grifinória. Disseram-me que há um lugar vago no quarto de vocês, meninas, então, acomodem-na, por favor.
_ Tudo bem, professor, mas de onde ela veio?
_ Ah, ela estava num orfanato trouxa, então decidi trazê-la para estudar em Hogwarts.
_ Ok. Madu, vem com a gente. _ Raissa estendeu a mão.
_ Ah, e cuidem dela, por favor.
Maria Eduarda foi acomodada e apresentada às aulas, e junto com Sabrina, deveria também fazer reposição de aulas.
_ A gente repõe as aulas juntas.
_ Ótimo, pelo menos não vou mais ter que ficar andando sozinha por ai.
_ Mas então, como você descobriu que era bruxa, Sabrina?
_ Nossa, é uma longa história, a gente tem que sentar e conversar um bom tempo sobre isso. Mas e você?
_ Na verdade eu não sabia, eu vivia num orfanato de trouxas, até o Crowing me buscar e me trazer pra cá.
Após a chegada de Madu, a rotina de Hogwarts parecia ter sido retomada, rotina que foi abalada com o aparecimento do Ministério da Magia.
_ De novo o Ministério quer falar com a gente? _ Raissa parecia indignada.
O Interrogatório dessa vez foi muito tenso, porém mais curto. Após todos serem interrogados, se juntaram no Salão Comunal da Grifinória:
_ Te questionaram sobre a varinha, Talles?
_ Não, Rá, mas perguntaram se eu sabia algo sobre o anel e a pedra.
_ Me perguntaram sobre a pedra, e olhavam direto para o meu pescoço.
_ Assim como me perguntaram sobre o anel, que por sorte consegui tirar do dedo antes de entrar.
_ Eu não sei, Talles, mas será que sabem que estão com a gente de novo?
Vinicius então segurou o anel.
Talles então apontou ligeiramente a cabeça para Sabrina e Madu enquanto olhava para Vinicius e Raissa. Os dois, ao perceberem o sinal, mudaram de assunto:
_ Mas, e pra você, Sabrina? O que perguntaram?
_ Questionaram muito sobre eu ter chegado atrasada na escola.
_ E o que você disse?
_ Disse que devido a eu ter ficado um tempo na floresta com meu pai, recebi a carta com atraso, mas parece que não acreditaram muito nisso. Prometeram me interrogar de novo.
_ Espero que esqueçam essa promessa, não é?
_ É. _ Sabrina também havia notado o sinal em sua direção, e não pareceu contente.
_ Sabrina?
_ Oi, Leslie.
_ Está bem?
_ Sim, estou.
_ Tenho te notado um pouco distante do resto do pessoal, está acontecendo alguma coisa?
_ Não, só não acho que confiam em mim.
_ Entendo bem isso. Quer vir para o meu quarto, Sabrina?
_ Tem vaga por lá?
_ Tem sim.
_ Então, eu quero sim.
E naquele dia, Sabrina se mudou para o mesmo quarto que Leslie.
Sabrina e Madu concluíram a reposição de aulas, e após esse período, Leslie e Sabrina ficavam mais tempo dentro de seu quarto. Em uma das conversas das duas garotas, Leslie foi surpreendida ao ver que Sabrina estava paralisada, com o olhar vago. Alguns segundos depois, a menina estava pálida.
_ Leslie! _ A menina respirava ofegante.
_ O que foi, Sabrina?
_ Eu vi uma coisa na minha cabeça, é como se fosse um sonho.
_ E o que você viu?
_ O Phellip. O Phellip... Ele estava morto, deitado em uma cama.
_ Como assim?
_ Eu vi em minha cabeça, Leslie, ele estava em uma cama, morto.
_ Calma, Sabrina. Você teve uma visão?
_ Eu não sei explicar. Uma imagem apareceu, e eu o vi. E também apareceu a caverna, onde eu caí e encontrei as crianças.
_ Vamos averiguar. Você o viu onde?
_ Ele estava num quarto, deitado em uma cama, numa torre muito alta, aqui no castelo.
_ Torre alta? Eu acho que sei de onde você está falando. Vem comigo.
Leslie segurou a mão de Sabrina, e ambas saíram do quarto correndo. Leslie foi por alguns caminhos estreitos, passando por portas e corredores, até que chegaram na torre mais alta de Hogwarts. Chegaram então de frente ao quarto do Professor Crowing.
_ Leslie, aqui é o quarto do Crowing.
_ Aqui é a torre mais alta de Hogwarts, e uma das púnicas torres que tem um quaro no alto. Se o que você viu tiver certo, é aqui que ele está.
Sabrina tentou abrir a porta, e não conseguiu.
_ Alohomora! _ Por mais que tentasse, aparentemente a porta estava fechada por magia. _ Leslie, a porta não abre.
_ Calma. _ Leslie também tentava de todas as formas abrir a porta, até que ficou alguns segundos de frente para uma das paredes, de cabeça baixa, e um barulho de fechadura foi ouvido.
Sabrina desconfiou, mas levou as mãos até a maçaneta e a porta se abriu com facilidade. As duas entraram no quarto devagar, e então confirmaram a visão de Sabrina, Phellip estava morto.
Leslie caiu ao chão de joelhos, e começou a chorar descontroladamente. Sabrina ficou em pé, parada, olhando o amigo sem saber como reagir. Depois de alguns minutos, a menina se abaixou para consolar Leslie, que por sua vez se acalmou, e levantou a cabeça. Sabrina se assustou com seus olhos totalmente vermelhos.
_ Sabrina, o que vai fazer?
_ Eu não sei o que eu devo fazer, Leslie.
_ Claro que sabe, a escolha é só sua.
Sabrina reconheceu aquele olhar e aquela fala.
_ Escolha?
_ Exatamente.
_ Você e a Leslie...
_ Você está intrigada com a profecia, não é mesmo?
_ O que você sabe da profecia?
_ Somente o que escolhi saber.
_ E... _ Sabrina foi interrompida.
_ Você sabe, Sabrina, que você e o Phellip têm uma ligação, não sabe?
_ Que ligação?
_ Eis a questão. Eu sei que de alguma forma vocês são ligados, mão não sei como.
_ Se você sabe que somos ligados, sabe pelo o que somos ligados.
_ Essa é a sua missão, Sabrina. Você precisa saber exatamente qual é a ligação que você tem com o Phellip, e se você descobrir poderá até trazê-lo de volta a vida.
_ Como assim?
_ Exatamente isso, você tem como fazê-lo viver novamente, mas para isso, você tem que descobrir essa ligação que vocês têm.
_ Mas como eu vou saber? Por onde eu começo?
_ A única coisa que eu posso dizer é: Fique de olho no Talles. Se você ficar de olho nele, você vai saber por onde começar a procurar. E ninguém, nem a pessoa de sua maior confiança pode saber disso.
Leslie então voltou a si.
_ Sabrina, temos que contar aos outros.
_ Tudo bem, vamos lá.
Leslie e Sabrina saíram do quarto e foram até o Salão Comunal à procura das outras crianças, que por sua vez, conversavam sentados em um sofá.
_ É... Temos uma coisa a contar para vocês.
As crianças logo levantaram ao ver a expressão de Sabrina que ainda aparava Leslie.
_ O que aconteceu, Sabrina? _ Raissa com seu jeito preocupado já tomou à frente.
_ O Phellip morreu! _ Leslie novamente caiu em prantos ao dar a notícia.
_ Como assim? Sabrina, explique o que está acontecendo. _ Talles desesperou-se.
_ O Phellip está morto lá no quarto do Crowing.
_ Vamos para lá agora!
Sophia, Leslie, Sabrina, Shiori, Talles, Vinicius e Raissa foram até o quarto de Crowing, e a tristeza tomou conta do ambiente quando todos viram Phellip.
Talles, ao ver o amigo, logo começou os questionamentos:
_ Quem matou ele?
_ Não sabemos. _ Respondeu Leslie.
_ E quem foi que achou ele aqui?
_ A Sabrina.
_ Como você sabia que ele estava aqui, Sabrina? _ Raissa se mostrou curiosa.
_ A Leslie e eu estávamos no quarto, e eu tive uma visão.
_ Não era a Sophia que tinha visões?
_ Eu não sei explicar, eu de repente vi e sabia onde ele estava, e quando a Leslie e eu viemos confirmar, ele estava aqui.
Vinicius e Talles se aproximaram do corpo do amigo, e abaixaram-se em formal respeito. Vini foi o único que ouviu, quando Talles em voz baixa jurou vingança:
_ Eu vou vingar você, Phellip. Eu vou achar quem fez isso e vou vingar você. É uma promessa.
Vinicius passou o braço pelo amigo. Verde Musgo então apareceu, e se curvou diante o corpo de Phellip.
O silêncio reinou naquele quarto durante alguns minutos, até que Verde Musgo se prontificou:
_ Bem, crianças, vocês tiveram um dia cansativo, vão para seus quartos, eu vou cuidar dos preparativos para o enterro dele. E por favor, não espalhem a notícia, não quero que isso ganhe repercussão aqui em Hogwarts.
_ Podemos ir ao velório? _ Vinicius perguntou.
_ Creio eu que seja mais seguro que não vão.
As crianças se despediram do amigo e foram todos em silêncio ao Salão Comunal, exceto Sabrina, que voltou ao quarto, onde Verde Musgo já a esperava.
_ Verde Musgo, posso conversar com você?
_ Eu senti que queria conversar comigo. O que quer?
_ Eu que descobri o Phellip aqui... _ Sabrina descreveu como foi sua visão e como a amiga Leslie a levou ao quarto _ e depois, a Escolha se manifestou na Leslie, e disse que tenho uma ligação com Phellip, e que ele pode reviver se eu descobrir que ligação é essa.
_ E você já sabe por onde começar?
_ Não, por isso estou pedindo sua ajuda.
_ Bem, você tem que primeiramente saber um pouco sobre a história do Phellip, e pra isso terá que achar um livro.
_ Que livro?
_ É um livro grande, com um “H” dourado na capa. Esse livro fica na biblioteca, no corredor dos livros que os alunos não podem ler.
_ No corredor restrito?
_ Exatamente. Encontre esse livro, e eu novamente estarei aqui para ajudá-la.
_ Ok. Obrigada.
Verde Musgo então segurou a mão de Phellip, e aparatou levando o corpo do menino.
Depois disso, Sabrina e Leslie voltaram a dormir no quarto com todas as outras amigas.
_ Professor?
_ Sim.
_ Preciso te contar algo.
_ O que, Maria Eduarda?
_ Eu contei para a Sabrina e para os outros que você é meu pai.
Crowing não gostou nada da atitude de Maria Eduarda.
_ Como assim?
_ Ah, escapou, não foi por querer. Mas, hora ou outra todos iam saber mesmo.
_ É o seguinte, você trate deixar bem claro para as outras crianças que isso não pode ser espalhado, mais ninguém pode saber que você é minha filha, entendeu?
_ Mas por quê?
_ Pra sua segurança.
_ Tudo bem, eles saberão disso.
_ É bom que saibam.
Também não demorou muito tempo para que todos notassem que Talles e Madu tinham o mesmo sobrenome “Graunt”, e descobrissem que eram primos.
Algum tempo depois, as crianças sentavam para seu último jantar do ano em Hogwarts.
_ Pra onde você vai, Madu?
_ Vou viajar com meu pai, mas ainda não tenho certeza pra onde. E você, Raissa?
_ Vou para a cada dos meus pais.
_ Eu também vou! _ Leslie estava ansiosa. _ Quer ir comigo, Talles?
Talles, que se tão envergonhado ficou vermelho, gaguejou ao responder a garota:
_ É... Não... Eu vou ver minha mãe.
_ Acho que todos nós vamos ver nossos pais, não é? _ Vinicius concluiu.
_ É, sim. _ Respondeu Sabrina _ Mas vou estar pertinho da escola o tempo todo. Jamais imaginei que eu morasse aos fundos da Floresta Proibida.
_ Não vejo a hora de ver minha mãe. Shiori, vai ficar por aqui ou vai para o Japão?
_ Vou ao Japão, encontrar meu noivo.
Na manhã seguinte, Grink foi se despedir das crianças.
_ Espero que ano que vem vocês voltem mais calmos.
As crianças riam.
_ Pode deixar, professor, e brincaremos de pega-pega bruxo no trem. _ Talles não resistiu ao comentário.
_ Ah, desgraçadinhos, vocês que não me venham com isso. Petrifico vocês o caminho todo dessa vez.
As crianças foram, cada um para as suas férias, ansiosas aguardando por saber o que os esperar no ano seguinte.